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09/07/2016

Resenha :: Beleza Perdida


“Tem muita coisa que eu não entendo... mas não entender é melhor que não acreditar.”
Sabe quando dizem a tão famosa frase “Não é só um livro”? Então, Beleza Perdida é muito mais que um livro, é uma lição, uma história para se levar para a vida inteira. “Às vezes são os livros que nos escolhem”, outra frase famosa que se encaixa com o que sinto por essa obra tocante . Sinto que ela me escolheu e me ensinou sobre perdas, sobre amizade, sobre enxergar a beleza por trás da aparência, a ser grata por todas as coisas que muitas vezes nem percebo que deveria agradecer.

Li esse livro pela primeira vez (já li três vezes) no primeiro semestre de 2015 após ler uma resenha em um blog que não lembro mais o nome (mas se lembrasse, agradeceria diretamente a quem o resenhou e me convenceu a ler esse livro), e que falava dele com tanto amor que eu também queria sentir aquilo, sabe? Queria me sentir arrebatada por uma história a ponto de rever conceitos de vida.

Não se deixe levar por considerarem esse livro uma releitura de A Bela e a Fera  e por puro preconceito deixar de lê-lo. Beleza Perdida é muito mais que uma simples releitura, é uma história que transborda sentimentos . Transborda tanto que quanto mais você lê mais se apaixona pelos personagens (praticamente todos), principalmente pelo Ambrose (Brosey), pela Fern e pelo Bailey.
“Todo mundo é protagonista para alguém. Não existem personagens secundários.”

Bailey  é o primo e melhor amigo da Fern (já falo dela), e, como tem Distrofia Muscular de Duchenne, vive com os dias contados em cima de uma cadeira de rodas. Ele nasceu com toda a força que teria para o resto da vida, então em vez de ficar mais forte, fica cada vez mais fraco e perto da morte. E mesmo vivendo em uma ladeira sem poder parar, o primo da Fern não é amargo, na verdade, é otimista; não sente pena de si mesmo e lida bem com a vida que tem. Esse serzinho lindo, não fica se lamentando ("Oh! O que eu fiz para merecer isso?", "Por que eu?"), em vez disso agradece por cada dia que Deus lhe proporcionou; é paciente, perseverante e o jeito que encara a vida é inspirador, ao ponto de que enquanto lia (e me apaixonava por ele ), eu queria me dar uns tapas por reclamar tanto. Ele, junto com a Fern, dão verdadeiras lições sobre o que é ter fé e acreditar que tem alguém cuidando da gente. Eu releria esse livro só por ele (Sério!), por causa da sua coragem, do seu bom humor perante as coisas boas e ruins, pela sua celebração de cada momento e de cada dia. O Bailey é “mágico”  (Meu Herói!) e se personagens literários fossem estrelas, ele seria uma das mais brilhantes.
“A morte é fácil. Viver é que é a parte difícil.”

Fern é uma espécie um patinho feio (daquelas nerds de filmes americanos com aparelho e óculos enormes ) que é apaixonada pelo Brosey (quem não seria? ) desde criança, e é considerada um “milagre” pelos pais que a tiveram quando já nem tinham muitas esperanças de ter um filho por causa da idade avançada (como os pais de João Batista, Zacarias e Isabel). Esse milagre, chamado Fern, pode não ser “uma garota bonita” por ter feições esquecíveis, mas, como quem vê cara não vê coração, ela possui uma beleza interior estonteante; seu interior é tão belo que, além de transbordar luz, ele transborda até glitter . Esse serzinho brilhoso e sonhador busca conforto em Deus (como boa filha de pastor) e ama escrever e ler romances, porque eles lhe dão esperança e a deixam ser quem ela quiser (livros têm poder, viu?). O seu entusiasmo pelas coisas simples, a sua fé, a sua coragem e humor perante a vida, e o seu cuidado e carinho por aqueles que ama são tocantes. Ela é um ser tocante e impagável, é um ser iluminado inspirador.
“Talvez os porquês não sejam respondidos aqui. Não por não existirem respostas, mas porque a gente não ia entender se elas fossem ditas.”

Brosey  é o típico garoto de ouro (que cita Shakespeare! ), que meio que recebeu tudo da natureza. É um cara conhecido pela sua beleza e força, e que tem uma incrível destreza atlética que o faz ser um destaque nos esportes (sem ser arrogante), principalmente em luta livre que o torna o queridinho da sua pequena cidade, pelas inúmeras vitórias, e até fica conhecido pelo apelido de Hércules (ideia do Bailey). Mas ser tão querido acaba colocando muita pressão no Ambrose, do tipo de “quanto melhor você é mais é cobrado”, entende? Ele se sente pressionado com as expectativas e as altas esperanças que colocam nas suas costas porque se algum dia falhasse ele sentia que decepcionaria a cidade inteira .
“Todo mundo que é alguém se torna ninguém quando fracassa.”

A pressão aumenta, em vez de ir para a faculdade para continuar lutando, ele resolve se alistar para a Guerra no Iraque. (Se lembra do famoso 11 de setembro? Então, esse é um dos motivos da decisão do Brosey). E ele não faz isso sozinho, seus quatro melhores amigos (Grant, Beans, Paul e Jesse), incentivados por ele, também se alistam e o acompanham nessa perigosa aventura. Mas nem tudo são flores de cerejeira, e uma tragédia acontece. Dos cinco garotos, apenas um volta vivo; e não volta o mesmo, volta cheio de cicatrizes no corpo e na alma. A tragédia muda o sobrevivente fisicamente, e a sensação de perda, e até mesmo de culpa, o afeta emocionalmente, tocam lá no fundo, e algo “mágico” e, principalmente, um “milagre” o ajudam na superação da tristeza e no seu reencontrar com a fé, com a esperança e com o amor .
 “Às vezes não é possível retomar a vida. Às vezes a vida está morta e enterrada, e a única opção é fazer uma nova.”

Queria poder descrever todos os personagens incríveis que Beleza Perdida tem, e tentar mostrar o quão especial ele é, mas não importa o quanto eu escreva nessa resenha, porque não há palavras suficientes para o que a Amy Harmon me fez sentir, com sua escrita tão delicada, com uma narrativa em terceira pessoa que vai e volta (com flashbacks) no tempo em momentos perfeitos; onde passado e presente se encaixam de uma maneira tão magnífica, que não me resta nada mais a dizer além de que esse é um dos livros que mais amo no mundo e que mais me sinto grata por tido a honra e o privilégio de ter lido na vida.
"A verdadeira beleza, aquela que não se desvanece ou se esvai, precisa de tempo, de pressão, precisa de uma resistência incrível. É o gotejamento lento que faz a estalactite, o tremor da Terra que cria as montanhas, o constante bater das ondas que quebra as rochas e suaviza as arestas. E da violência, do furor, da ira dos ventos, do rugido das águas emerge algo melhor, algo que de outra forma nunca existiria. E assim suportamos. Temos fé na existência de um propósito. Temos esperança em coisas que não podemos ver. Acreditamos que há lições na perda e poder no amor, e que temos dentro de nós o potencial para uma beleza tão magnífica que o nosso corpo não pode contê-la."

Nota:  


Ficha Técnica
Beleza Perdida

Ano: 2015 / Páginas: 336
Idioma: Português
Editora: Verus
Sinopse (Skoob)
Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose… até tudo na vida dele mudar.
Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido.
Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.

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