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11/08/2018

Resenha :: Serafina e a Capa Preta


Nunca vá para as profundezas da floresta, há muitos perigos lá, tanto escuros quanto claros, e eles tentarão seduzir a sua alma.

Imagine você ter doze anos, morar com seu pai escondida numa mansão enorme, ser proibida de se mostrar para os outros moradores e, ainda, se tornar a caçadora de ratos oficial do lugar? Essa era a vida de Serafina. A jovem franzina, diferente de qualquer outra garota da sua idade vivia clandestinamente do porão na mansão dos Vanderbilt, em Baltimore, cenário da nossa história.

Todo dia após o expediente de trabalho, quando a maioria dos empregados ia embora, Serafina e seu pai se acomodavam no subsolo para jantar e descansar, permanecendo até o dia seguinte para a jornada seguinte. A vida para eles, até aquele momento parecia tranquila.

Nesse primeiro momento do livro eu mergulhei no mundo de Serafina, pois a narrativa da história é muito gostosa e envolvente. De cara o autor já nos apresenta as peculiaridades de Serafina, o que nos instiga a imaginar o que se esconde por trás de uma garota com habilidades tão diferentes. Principalmente pela forma como ela caça os ratos e se esconde nas brechas das paredes.

A captura dos camundongos, tímidos e propensos a erros provocados pelo pânico nos momentos cruciais, não representava mistério algum para ela. Eram as ratazanas que a faziam passar maus bocados toda a noite, e era para as ratazanas que ela tinha afiado suas habilidades. Estava agora com doze anos de idade. E era exatamente isto: Serafina, a C.O.R.


A sigla C.O.R. quer dizer “Caçadora Oficial de Ratos”. Foi uma função que seu pai, num momento em que a filha indagou o qual seria seu trabalho ali, lhe atribuiu para que ela se sentisse parte do grupo de funcionários.

Apesar de não ter frequentado a escola, Serafina era uma garota instruída. Seu pai se preocupou com que ela aprendesse a ler e escrever utilizando os livros da biblioteca da mansão. Isso a transformou numa ávida leitora que pegava emprestados livros toda vez que surgia a oportunidade. Só por essas informações vemos que há preocupação do pai em educar Serafina. Diversas passagens nos revelam uma relação de amor entre pai e filha. Porém seu pai esconde segredos sobre o passado da jovem que, até então se conformava com as respostas evasivas dele toda vez que o questionava sobre a mãe ou o porquê de morarem na mansão quando poderiam morar na cidade como muitos funcionários dali.

Mas uma tragédia acontece numa noite em que a garota caça os ratos que assaltam os porões. Serafina se torna a única testemunha. Ela não só presenciou o crime como quase se tornou vítima do homem da Capa Preta. O malfeitor fora batizado assim pela própria Serafina e esse nome o descrevia muito bem, já que ele andava trajando uma enorme capa preta.

Agora ela podia ouvir a respiração dele, o movimento de suas mãos e o farfalhar das roupas. Fagulhas a queimavam por dentro. Ela queria correr, fugir, mas suas pernas não obedeciam.
— Não precisa ter medo de nada, menina. – ele disse para a criança. — Não vou machucar você... 
A forma como pronunciou essa palavra fez os pelos da nuca de Serafina se eriçarem. Não vá com ele, pensou. Não vá.

E nesse momento da história somos transportados para uma narrativa de suspense incrível. Me senti conectada com a cena de tal forma que me apavorei por Serafina. Muito boas as descrições do autor sobre o terrível homem de capa preta que assombrou a criança indefesa, que até aquele momento era desconhecida para Serafina.

O desaparecimento da garota só é percebido no dia seguinte e mesmo com a prova de que algo aconteceu seu pai não acredita que sua filha presenciou um crime. Ele alega que Serafina é fantasiosa e que a menina desaparecida está, na verdade, perdida na floresta ao redor da casa. Floresta essa, que o pai proibiu Serafina de adentrar desde que ela aprendeu a andar.

Inconformada a jovem procura o garoto Vanderbilt, Braeden, sobrinho do senhor e senhora Vanderbilt. Serafina imagina que ele vai acreditar nela por ser jovem e acredita que ele tem a mente aberta, diferente dos adultos moradores da mansão que ela sorrateiramente observava.  Mesmo proibida de se mostrar para as pessoas, Serafina goza da vantagem de conhecer cada canto, de cada cômodo e tem a proeza de se esconder perfeitamente quando preciso. Assim ela vai em busca da ajuda de Braeden e sua vida, a partir daquele momento, não será mais a mesma.

A amizade improvável entre uma garota franzina e suja e um jovem rico e órfão torna a trama mais emocionante. Braeden foi tocado pela peculiaridade da garota que apareceu do nada com a história miraculosa sobre o sumiço da menina que estava hospedado na mansão dos seus tios. O Capa Preta havia sumido com ela. O mais interessante é que ele acredita nela e embarca na aventura da busca pelo malfeitor que fará novas vítimas. Nessa jornada os dois vão passar por mal bocados e se deparar com a Capa Preta em pessoa. Sobrenatural ou real?


Nosso caráter não é definido pelas batalhas que vencemos ou perdemos. Mas sim pelas batalhas que ousamos lutar.

Esta é uma história com muito suspense, baseada em amizade, emoções e descobertas. No desenrolar da trama a jovem vai descobrir quem ela é de verdade e qual o seu lugar nesse mundo. Eu fiquei encantada com esse livro por ter sido uma leitura muito divertida e emocionante. Passei o livro todo tentando desvendar a identidade da Capa Preta e me surpreendi no final. Amei demais a personagem Serafina e suas estranhezas, mas, principalmente, curti sua interação com Gideão, o cachorro de Braeden. O cachorro rouba as cenas que aparece com seu porte e sua braveza. Ele chega a rosnar para Serafina, que, aos poucos ganha a confiança do animal.

Serafina e a Capa Preta é o primeiro livro da série e o único traduzido e já publicado no Brasil. Estou ansiosa pelas próximas publicações. Eu indico essa história para leitores pré-adolescentes e adolescentes pelo fato do livro abordar o tema amizade e crescimento pessoal num tom lúdico. Indico, também, para leitores que gostam de mistério e curtem uma leitura leve e divertida.


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

Serafina e a Capa Preta
Serafina #1
Ano: 2018
Páginas: 240
Editora: Valentina
Sinopse (Skoob):
Serafina nunca teve motivos para desobedecer ao seu pai e se aventurar além da Mansão Biltmore. Há espaço de sobra para ser explorado naquela casa imensa, embora ela precise tomar cuidado para jamais ser vista. Nenhum dos ricaços lá de cima sabe da existência de Serafina; ela e o pai, o responsável pela manutenção das máquinas, moram secretamente no porão desde que a garota se entende por gente. Mas quando as crianças da propriedade começam a desaparecer, somente Serafina sabe quem é o culpado: um homem aterrorizante, vestido com uma capa preta, que espreita pelos corredores de Biltmore à noite. Após ela própria ter conseguido – depois de uma incrível disputa de habilidades – escapar do vilão, Serafina arriscará tudo ao unir forças com Braeden Vanderbilt, o jovem sobrinho dos donos de Biltmore. Braeden e Serafina deverão descobrir a verdadeira identidade do Homem da Capa Preta antes que todas as crianças... A busca de Serafina a levará ao interior da mesma floresta que tanto aprendeu a temer. Lá, descobrirá um esquecido legado de magia, que tem relação com a sua própria origem. Para salvar as crianças, Serafina deverá procurar as respostas que solucionarão o quebra-cabeça do seu passado.


Para a Editora Valentina, leitura é, acima de tudo, entretenimento.
Olho vivo e faro fino.
Esse é, na verdade, o lema de todo grande editor. E a pinscher dessa editora encarna esse lema como ninguém.

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