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14/12/2016

Resenha :: Sway


“Nada é bom ou mau, o pensamento é que torna as coisas assim. Foi Shakespeare quem disse isso.”


Sabe quando você começa a ler um livro sem esperar nada dele? Então, foi assim que comecei a ler Sway, esperando um livro mediano já que a nota média dele no Skoob não é das melhores (o que espero que mude porque não entendo a média ser menos que 4,0). Mas estou feliz em poder dizer que eu me enganei, pois, fui surpreendida e nem preciso dizer que amo como isso acontece .
“A verdadeira riqueza é medida em segredos, segredos dos outros e os meus próprios. Segredos são poder.”

Sway é um livro surpreendente, inteligente, engraçado e sarcástico escrito pela autora Kat Spears e publicado aqui na nossa terrinha pela Globo Alt. É narrado em primeira pessoa pelo jovem Jesse, o "Sway", um cara que nenhum pai iria querer como genro, é um cara que "consegue" o que quiserem, desde que paguem por isso, seja com dinheiro ou com algum "favor" em troca.
“Sway não é algo que se possa definir. Um cara que tem sway é o cara, não precisa tentar ser descolado, apenas... é.”

Quando eu li a sinopse imaginei que o Jesse conseguia coisas simples, ou melhor, coisas dentro da lei ou ilegais leves. Mas ele é traficante! (Isso não é spoiler, descobri bem no começo). Ok, ele não consegue apenas drogas, mas só por isso você já percebe que ele não é lá um mocinho do tipo príncipe de cavalo branco. Na verdade, ele é um belo estrategista e é bom de lábia, do tipo que venderia alho para vampiro e prata para lobisomem. Porque tudo que pedem para o Sway, se ele quiser, ele consegue. Quer pegar uma guria? Pede para o Sway. Quer que alguém seja expulso, pede para ele também. Quer algo para a sua festa? Bom, o Jesse consegue.
“Quanto mais se diz às pessoas que elas não podem ter algo, mais elas querem. É uma dessas leis do universo.”

O Jesse é tão bom nisso que é "respeitado" e quase todos conhecem sua fama. E sabendo dessa fama o jogador Ken Foster contrata o Jesse para que consiga que a linda jovem Bridget Smalley saia com ele. Até aí tudo fácil para o Jesse, ele já conseguiu isso antes mesmo. Mas o que ele não imaginava era que essa guria conquistaria o seu coração também, coração que muitos pensavam sem ser sentimentos, ser de pedra. O problema é que ele já concordou em ajudar o Ken, e, além disso, a Bridget é uma boa garota, boa filha, boa aluna, é voluntária em uma instituição para deficientes, é uma guria que sorri de verdade para todo mundo, seja rico, pobre, lindo, feio, não interessa, é uma garota que mostra que se importa com você, simplesmente por ser boa. Então é claro que o Jesse acha que não a merece, porque, bom, olha o histórico dele! Ele lida com pessoas perigosas, não age dentro da lei, ele é do tipo que pessoa que os outros acham que não está nem aí, que não se importa com quase ninguém. Como um cara assim conquistaria uma garota como a Bridget? Ou será que é melhor nem tentar conquista-la e se manter afastado?
“No mundo real, a Fera transa com a Bela. A Fera quebra o coração da Bela. A Bela entra num comportamento autodestrutivo como dormir demais nas aulas da faculdade, aumentando assim o impacto emocional negativo provocado pela Fera. Era uma história triste.”

Uma das coisas que amei nesse livro são os personagens secundários, como o Peter, que tem paralisia cerebral e é irmão da Bridget, que meio que se torna amigo do Jesse (gostei tanto que se a autora resolvesse escrever um livro para ele, eu iria querer ler o rascunho); ou como o Sr. Dunkelman também, que finge ser avô do Jesse (melhor avô falso literário, que junto com a Jesse rende ótimos diálogos). Ou até alguns dos outros personagens que nos conquistam cada um do seu jeito. Enfim, os personagens são ótimos.
“As pessoas não se importam em mentir, trapacear, roubar... desde que consigam algo que queiram ou precisam, sempre estão dispostas a justificar isso.”

E fora isso tem diálogos maravilhosos, sério! Raramente sinto que preciso falar dos diálogos, mas desse livro é preciso, porque é uma das melhores coisas desse livro viciante; tem sarcasmo, tem um humor ácido que é uma coisa. O Jesse tem uma língua afiada que nos faz rir e que, às vezes, nos faz achar ele um tremendo babaca, porque ele não costuma medir palavras, e por mais que fale a verdade, acaba machucando, parecia que doía até em mim, principalmente quando era com o Pete, porque diferente da maioria das pessoas o Jesse não o trata como coitado, não passa a mão na cabeça dele; fala o que acha que ele merece ouvir, fala na cara dele todos os seus problemas, mostra a realidade, o faz vivenciar coisas novas (nem todas legais), e, às vezes, eu queria dar uns tapas nele para ver se ele pegava mais leve, por mais que o entendesse (eu entendendo um traficante, quem diria ).
“Às vezes o que queremos e o que o mundo espera de nós são duas coisas diferentes.”

Por mais que pareça, Sway não é simplesmente um livro adolescente sobre um cara meio bad boy que se apaixona e acha um jeito de se redimir para tentar conquistar a guria. Não é simplesmente sobre um cara que deixa de ser o vilão para virar príncipe encantado simplesmente pelo milagre do amor. Não é simplesmente um livro adolescente com um triângulo amoroso que a guria fica indecisa entre dois caras daquele tipo que quando lemos dá vontade de revirar os olhos toda hora.
“Todo mundo está fazendo um showzinho o tempo todo. Ninguém é real. Talvez você não possa esconder coisas sobre si como o jeito que você anda ou fala, mas todo mundo está mentindo o tempo todo sobre quem é, o que sente.”

Sway é um livro que aborda a realidade de uma forma viciante, é leve, mas é a puramente real ao mesmo tempo, sabe? Não totalmente porque é uma ficção, óbvio, mas aborda temas sérios como deficiência, preconceito, drogas, conflitos familiares, e até o que se sente por si mesmo, a raiva, a decepção que todos sentimos... E mesmo abordando tudo isso, não parece ser exagerado, parece realista. Os personagens parecem pessoas que encontraríamos por aí, na rua, na vida; pessoas que tem problemas, que enfrentam suas dificuldades do jeito que podem, mesmo não sendo perfeitos o tempo inteiro ou, muitas vezes, passando longe da perfeição. O próprio protagonista, Jesse, é perfeitamente imperfeito, e por mais que ele não parecesse um cara perfeito, é um personagem que nos faz torcer por ele, nos faz torcer que ele “melhore”, não acabe sendo preso e fique com a Bridget, nos enchendo de questões sobre o que aconteceu e o que vai acontecer com ele. Será que ele não merece mesmo a Bridget? Será que ele é algo além do que o cara "mau" que aparenta ser? Por que será que ele é assim? Será que ele pode melhorar? Não posso te responder nenhuma dessas perguntas, então para descobrir as respostas você vai ter que ler o livro e se surpreender com ele também. Até! 
“Não havia razão para eu pensar que tudo iria mudar. É como a vida acontece, razão por que você deve ser capaz de ver todos os ângulos toda vez que faz uma escolha. O que é verdade hoje pode não ser amanhã.”

 Nota :: 

Ficha Técnica do Livro


Sway
Kat Spears
Ano: 2016 
Páginas: 256 
Editora: Globo Alt
Sinopse (Skoob):
     Sway é o apelido de Jesse Alderman, por causa de seu talento para conseguir qualquer coisa para qualquer pessoa, como providenciar trabalhos escolares, fazer com que pessoas sejam expulsas da escola, arrumar cerveja para as festas, entre outras coisas, legais ou ilegais... É sabendo dessa fama que Ken Foster, o capitão do time de futebol da escola, pede a ele um trabalho controverso: Ken quer que Bridget Smalley saia com ele. Com seu humor ácido e seu jeito politicamente incorreto de ver a vida, Sway terá que encarar o trabalho mais difícil que já teve: sufocar todos os sentimentos que Bridget desperta nele, a única menina verdadeiramente boa que ele conheceu em toda a sua vida.

2 comentários:

  1. Parabéns pela resenha! Me interessei pela premissa, parece fugir do habitual haha

    Abraços!
    http://lupiliteratus.blogspot.com.br/

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  2. Obrigada, Fabio!
    A premissa de Sway é ótima. O livro me surpreendeu bastante e a escrita da autora é ótima. Se o ler espero que goste. :)
    Bem-vindo ao Clube do Farol!:)

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