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24/11/2020

Resenha :: A Nuvem (Trilogia Scythe #2)

novembro 24, 2020 0 Comentarios

  Pode conter spoiler do livro anterior.

Confira a resenha de O Ceifadorclicando aqui.



O treinamento chegou ao fim. Nessa sequência da Trilogia Scythe, Rowan e Citra não são mais aprendizes. Enquanto ela venceu a disputa entre os dois e se tornou uma Ceifadora plena com o nome de Anastácia, Rowan teve que fugir para não ser coletado. Querendo justiça contra todos os Ceifadores corruptos, ele se torna o Ceifador Lúcifer com manto preto — tabu entre a ceifa — ele julga e mata os corruptos com fogo (uma das únicas formas de morte natural nesse mundo, por não restar nada para ser revivido).

 

— Estou botando um fim na vida de ceifadores que não merecem o título — ele respondeu. — Eu não “massacro”  ninguém. Dou um fim rápido e misericordioso à vida deles, assim como você faz, e só boto fogo no corpo depois que morrem para que não possam ser revividos.


Além de Rowan e Citra, nesse segundo livro nos é apresentado um novo protagonista. Greyson, que vivia uma vida confortável, estável e monótona, acaba como agente não oficial e não reconhecido da Nimbo-cúmulo, a inteligência artificial e quase onipresente nesse mundo. Como ela não pode se envolver nos assuntos da Ceifa, Greyson acaba sendo moralmente empurrado para o meio desse turbilhão político e perigoso. O que posso dizer é que esse personagem chegou sem chamar muita atenção, mas com um tempo conseguiu ganhar minha simpatia, principalmente por fazer todo o necessário para ajudar as pessoas e com isso tudo na sua vida começa a dar errado (risos). O desenvolvimento dele no decorrer do livro é bem interessante e pelo que aconteceu no final desse livro devamos esperar muito mais dele.


Por isso, recostou-se na cadeira, sorriu para o agente e disse:

— Vai se ferrar.


Citra/Anastácia tem um grande destaque nesse livro, ganhando cada vez mais importância e renome como Ceifadora, ao lado de sua mentora e amiga Curie, se vê encurralada pelas tramas da Ceifa, mas se torna uma grande voz. Rowan, ao contrário, eu senti que foi pouco aproveitado nesse livro, o plot de Ceifador Lúcifer, que tanto me animou, acabou me decepcionando. Algo que deveria ser mais lendário, se tornou algo para que a culpa de tudo que aconteceu de ruim recaia sobre ele. Não que ele tenha se tornado um personagem ruim, ele continua incrível, mas não teve espaço aqui. Rowan é que o mais sofre desde o início e mesmo assim não ganha tanto reconhecimento, além de ter quase ninguém que aparenta gostar dele de verdade. 

 

...o garoto que havia sido sofrera uma morte triste e dolorosa durante seu tempo como aprendiz. A criança dentro dele havia sido completamente eliminada. Será que alguém sofre por essa morte? , ele se questionava.


Em falar de mau desenvolvimento, acho que a relação amorosa de Rowan e Citra acaba sendo apresentada de maneira superficial, fica mais difícil convencer o leitor do amor deles, se passam mais tempo afastados do que juntos. Rowan ainda se mostra um pouco mais apaixonado por ela em seus pensamentos, mas Citra, apesar de suas ações para ajudar ele em O Ceifador, convenceu menos como apaixonada. Não que o livro deva ser cheio de romance, até porque não curto tanto em exagero, mas espero que não seja com sentimentos jogados, “ele ama ela e ela ama ele”. Não teve certo desenvolvimento para isso. 


Para ele, Citra parecia uma deusa. A única coisa que poderia fazer jus a ela seriam as pinceladas de um artista da Era Mortal, capaz de imortalizar o mundo com muito mais verdade e paixão do que a imortalidade em si.


Um ponto positivo foi o destaque para a mente da Nimbo-cúmulo nesse livro, e como ela vê a humanidade. Seus “sentimentos” com o que está acontecendo, sua frustração por não poder se envolver nos assuntos da Ceifa para ajudar diretamente. Aqui ela teve um papel fundamental no desenrolar da história e pelo jeito vai ser ainda mais importante na sua sequência.


E a dor… a dor na minha consciência é insuportável. Porque meus olhos não se fecham. Jamais. E só me resta assistir ininterruptamente enquanto minha querida humanidade trama devagar as cordas que usará para se enforcar.


Apesar das críticas negativas que fiz sobre esse livro, eu o acho incrível. O desenvolvimento desse universo distópico é excepcional e muito inteligente, as estruturas sociais criadas pela “Nuvem", separadas por localidade, são bem interessantes. E, se no começo me frustrou um pouco pela enrolação para as coisas finalmente acontecerem, o final foi te tirar o fôlego, deixando muita história para ser contada no terceiro e último livro da trilogia. Estou realmente ansiosa e indico muito a leitura. 



Nota :: 


Informações Técnicas do livro

A Nuvem

Scythe #2

Neal Shusterman

Tradução: Guilherme Miranda

Ano: 2018

Páginas: 496

Editora: Seguinte

Sinopse:

Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo-Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. Mas a perfeição não se aplica aos ceifadores, os humanos responsáveis por controlar o crescimento populacional. Quem é morto por eles não pode ser revivido, e seus critérios para matar parecem cada vez mais imorais. Até a chegada do ceifador Lúcifer, que promete eliminar todos os que não seguem os mandamentos da Ceifa. E como a Nimbo-Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar.

Enquanto isso, Citra e Rowan também estão preocupados com o destino da Ceifa. Um ano depois de terem sido escolhidos como aprendizes, os dois acreditam que podem melhorar a instituição de maneiras diferentes. Citra pretende inspirar jovens ceifadores ao matar com compaixão e piedade, enquanto Rowan assume uma nova identidade e passa a investigar ceifadores corruptos. Mas talvez as mudanças da Ceifa dependam mais da Nimbo-Cúmulo do que deles. Será que a nuvem irá quebrar suas regras e intervir, ou apenas verá seu mundo perfeito desmoronar?


20/11/2020

Resenha :: Extraordinário

novembro 20, 2020 2 Comentarios

Antes de começar a escrever qualquer coisa, eu preciso dizer que estou com medo de fazer essa resenha. Mas vamos lá. Extraordinário conta a vida de um garotinho de 10 anos chamado August (Auggie para os íntimos) e a sua entrada à escola. Auggie nasceu com uma deformidade genética rara, portanto, os médicos acharam que ele não sobreviveria mais do que a noite de seu nascimento, por isso passou sua infância toda internado fazendo cirurgias plásticas. Por ter essa deformidade, Auggie acaba não tenho uma vida de criança. Tendo que ser educado em casa.


Não julgue um menino pela cara.


Passados 10 anos, a vida de Auggie está mais estabilizada e sua mãe começa a perceber que já está na hora do filho ter uma infância e até ir à escola. Sendo uma criança, ele não entendia porque as outras crianças não queriam ser suas amigas, porque todos o olhavam feio. Até que ele toma ciência que todos se incomodam com sua aparência, esquecem que aquilo é uma doença rara, e passa a usar um capacete de astronauta durante dois anos. Fazendo-o não gostar muito da ideia de ir à escola.

 

Toda essa ideia de não querer frequentar a escola é persuadida quando três alunos fazem um tour com Auggie pela escola lhe mostrando as vantagens de estudar com eles. E apesar desse encontro não ter sido perfeito, Auggie muda de ideia e isso muda completamente sua vida.

 

Eu gostaria que todos os dias fossem Halloween. Poderíamos ficar mascarados o tempo todo. Então andaríamos por aí e conheceríamos as pessoas antes de saber como elas são sem máscara.



Esse livro é muito espetacular. Acho que escrever alguma coisa sobre ele pode vir a ser perca de tempo, porque precisaria de um texto de no mínimo 1646 folhas para mostrar o mínimo. A história é perfeita do início ao fim. A autora conseguiu mostrar o ponto de vista de todos os personagens sem perder o foco principal, o Auggie.

 

Nós sabemos que quando uma criança quer ser o próprio capeta, ela consegue. E nós também sabemos como pode ser difícil a vida de uma criança na escola. E aqui não é apenas uma. Nós temos a escola toda. E não vou manter meu ponto só nas crianças. A sociedade no geral não consegue lidar com uma pessoa com qualquer tipo de problema.

 

Mas como têm pessoas ignorantes, existem pessoas tolerantes, sensíveis. E não foi diferente aqui. Auggie ganhou amigos, pouquíssimos na realidade, mas amigos de verdade. E eu acabei ficando impressionado como a autora consegue passar uma força gigante de um menino com 10 anos. Mesmo com poucos amigos, mesmo sendo o centro das atenções em todos os sentidos: disciplinar, por sua inteligência, por seu companheirismo e pelo fato de seu problema... Auggie consegue enfrentar tudo e todos.

 

Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.


Como eu disse antes, a autora transmite vários pontos de vista no livro, mas dois me chamaram muito atenção. O mais óbvio é a parte da irmã do Auggie. Nós sabemos como ela o ama. Como ela sempre o protegeu e sempre fez de tudo por ele. Mas também vemos como é ser um (a) adolescente passando para a fase adulta. Os conflitos. Os medos. Os receios. Ela sempre se sentiu muito sozinha, mesmo entendendo que os pais a amavam e que seu irmão precisava de mais atenção. O egoísmo que ela mostra nada mais é do que o egoísmo de uma pessoa com medo. 

 

E a parte do Jack Will também me chamou muito atenção. Jack desde o primeiro dia, lá naquele comitê, se fez amigo de Auggie. Isso continuou depois que o Auggie entra para escola. Mas uma criança pode ser influenciada por outras e isso acaba acontecendo. Uma criança boa, entretanto acaba estragando sua amizade por medo. Para agradar as outras crianças. Ele comete o erro de falar mal do Auggie pela pressão de ser aceito.

 

É engraçado como às vezes nos preocupamos muito com uma coisa e ela acaba não sendo nem um pouco importante.


Não existe livro melhor que esse para te fazer lembrar como o ser humano, às vezes, pode ser maldoso. Tudo o que é mostrado aqui, nesta maravilhosa leitura, pode ou já aconteceu com você ou comigo ou com nossos amigos. E se não aconteceu, pode acontecer. Não porque somos pessoas ruins ou qualquer coisa parecida. Só por não conseguirmos entender que existem pessoas com problemas. Precisamos de tempo. Todos nós somos um. Todos nós somos normais, só que cada um a sua maneira.

 

Acho que devia haver uma regra que determinasse que todas as pessoas do mundo tinham que ser aplaudidas de pé pelo menos uma vez na vida.


Esta citação deixa claro o que o livro se compromete a mostrar:


O universo não te abandona a própria sorte. Ele cuida de suas criações mais frágeis de forma que não vemos. Como com pais que amam cegamente. E uma irmã mais velha que se sente culpada por ser humana com relação a você. E um garotinho de voz grave que perdeu todos os amigos por sua causa. E até uma garota de cabelo rosa que carrega sua foto na carteira. Talvez seja uma loteria, mas o universo deixa tudo certo no final. O universo cuida de todos os seus pássaros.


Que todos tenham uma ótima leitura.



Nota ::  


Informações Técnicas do livro

Extraordinário

R. J. Palacio

Ano: 2013

Páginas: 320

Editora: Intrínseca

Sinopse:

August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade - um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor.


18/11/2020

O Clube Entrevista :: Marcio Zanini

novembro 18, 2020 1 Comentarios

Oi, faroleiros!


Temos entrevista com autor nacional hoje! E dessa vez é com a autor Marcio Zanini, que escreveu o livro “Matadouro de Pecados” (resenha aqui) e adaptou lindamente a história de “Anne de Green Gables” em quadrinhos (resenha aqui). Vamos à entrevista?



Marcio Zanini mora atualmente em Bauru, São Paulo. Já trabalhou como editor, desenhista, e foi selecionado em diversas antologias. Atualmente trabalha como preparador de texto e escreve seus próprios livros, entre eles, Crônicas de Markus, que teve unanimidade em críticas positivas. Apaixonado por filmes, séries, desenhos, videogames e todo o universo da cultura pop, tem preferência em escrever histórias com profundidade psicológica, thriller e suspense, onde os personagens se veem em situações que os obrigam a mudar para sobreviver e evoluir. Nas horas vagas, faz amizade e conversa com outros apaixonados por leitura nas redes sociais e passeia com sua cachorrinha: Cassie.



 Clube do Farol: Como nós do Clube somos “espíritos irmãos”, queremos saber: para alguém tão ligado a suspense e thriller, como foi trabalhar na adaptação em quadrinhos da ensolarada “Anne de Green Gables”?

 

Marcio: Não foi tão complicado quanto pensei que seria, antes de começar. Eu sou fã da série e dos livros. Já havia assistido e lido, conhecia bem a história, sua mensagem e moral. Além do desenvolvimento do personagem que precisava se adaptar ao conceito de família enquanto crescia como pessoa. Posso dizer que amo um bom trhiller de suspense, mas mais do que isso, amo uma boa história. Eu posso assistir UP – Altas aventuras e logo em seguida assistir It, pra depois assistir Senhor dos Anéis. Consigo entrar fácil no universo que estou trabalhando.



 Clube do Farol: Além do seu livro publicado na Editora Coerência, pelo selo Plus+, já tem em mente o seu próximo livro? Ou já está concluído? (Sim, depois de ler “Matadouro de Pecados”, essa é uma pergunta que muito nos interessa, risos). Conta para a gente os seus futuros planos no mundo literário.

 

Marcio: A mente de um escritor nunca para (rs). Tenho alguns livros já escritos, mas não lapidados. Outros já começados e etc. Eu e minha editora estamos pensando no próximo, e decidindo, entre os livros que tenho, qual seria o melhor a ser publicado. Mas me manterei na mesma linha editorial. Livros para leitores adultos. Com muito suspense, intriga e desenvolvimento psicológico dos personagens.



 Clube do Farol: Os autores costumam colocar alguma característica sua em seus personagens. Qual personagem da sua história tem alguma coisa parecida com você? Algumas surpresas no livro vão além da sinopse, elas foram propositais ou, de algum modo, fazem parte de um mistério maior, revelado na continuação?

 

Marcio: Como autor, pego tudo que vivi e vi outras pessoas vivendo e moldo para a realidade que estou criando, e às vezes isso acontece inconscientemente. Sempre há algo de mim e de outras pessoas. Não a ponto de ser uma biografia (rs).

Algumas coisas foram omitidas da sinopse para serem surpresas. Além de autor, também sou leitor, e adoro me surpreender. Quis que meu leitor passasse por essa experiência.



 Clube do Farol: As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira, seguindo depois um esquema previamente traçado?

 

Marcio: Eu já escrevi sem saber onde a história ia me levar. Tendo apenas uma trama central e mais nada. Não funcionou comigo. Hoje eu penso em tudo antes. Em tudo mesmo, cada capítulo e detalhes. Passo mais tempo esquematizando a história, pensando e anotando, do que realmente escrevendo no word. Tenho vários livros completamente criados em anotações, mas não escritos no word. Quando a editora me pede algo, decidimos entre todas as histórias que tenho qual a mais atrativa para o momento. Ai sim eu sento e escrevo.



 Clube do Farol: Como é a sua rotina de trabalho com a escrita? Você estabelece metas para si mesmo? Falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritor?

 

Marcio: Para o meu trabalho como coordenador editorial, minha rotina segue a de oito horas diárias. Para não me perder, tudo é programado com cronogramas, o que farei cada semana e em que projetos irei trabalhar.

Para meus livros uso as horas vagas, um domingo ocioso, por exemplo. 



 Clube do Farol: Qual é o papel das redes sociais para o seu trabalho de escritor? Como é a sua interação com seus leitores na Internet? Eles sugerem novas histórias?

 

Marcio: Redes sociais é a coisa mais importante para o escritor nacional. Não somos nada sem ter que nos leia. O leitor é muito mais importante do que quem conta a história. Eles são os astros desse mercado. Se um escritor deixa de publicar hoje, amanhã surgem mais cem lançando livros. Amo meus leitores e faço questão de dar atenção e agradecer cada um deles pela oportunidade de ser lido. Eles merecem, deixaram de comprar um Stephen King para comprar meu livro. Mesmo com a vida corrida, sempre que alguém me marca em uma publicação, estarei lá curtindo, respondendo...

Até hoje ainda não surgiu novas histórias das conversas que tenho com os leitores.



 Clube do Farol: Para finalizar essa entrevista, gostaríamos que você deixasse uma mensagem para seus leitores no Clube do Farol.

E, claro, de antemão agradecer pela generosidade em dispor de tempo para responder nossas perguntas.

 

Marcio: Querido leitor. Você não está sozinho lendo meu livro. Eu estou junto com você. Pode me chamar nas redes sociais depois de ler cada capítulo e conversar comigo sobre. Vou adorar e prometo não dar spoiler (rs). 




Conheça mais sobre o autor Marcio Zanini
em suas redes sociais:


16/11/2020

Resenha :: O Exorcísta

novembro 16, 2020 0 Comentarios

Olá, pessoa!! Hoje venho comentar minha leitura de um livro que muitas pessoas conhecem pelo filme também clássico das histórias de terror. Quatro décadas após chocar o mundo inteiro, a obra-prima de William Peter Blatty permanece uma metáfora moderna do combate entre o sagrado e o profano, em um dos romances mais macabros já escritos...

 

O mal assume várias formas. Seja com monstros, fantasmas ou demônios, tanto a literatura quanto o cinema sempre foram bem-sucedidos em representar a essência do nosso lado mais reprovável. Tendo como ponto de partida uma história real, O Exorcista, no entanto, conseguiu superar qualquer outra obra do gênero. A inspiração veio no caso real do exorcismo de um adolescente. E uma simples busca no Google te garante imagens e relatos ainda mais perturbadores e curiosos sobre essas histórias, a real e a ficcional.



Não é necessário nenhum conhecimento prévio para acompanhar a história, porém, caso tenha assistido ao filme, deixe o máximo que conseguir dessa experiência de lado e aventure-se na perturbadora história de Chris MacNeil, uma atriz que sofre com inesperadas mudanças no comportamento da filha de 11 anos, Regan. Quando todos os esforços da ciência para descobrir o que há de errado com a menina falham e uma personalidade demoníaca parece vir à tona, Chris busca a ajuda da Igreja para tentar livrar a filha do que parece ser um raro caso de possessão.

 

Ah! Caso você tenha assistido ao filme, assim como eu, aproveite para descobrir COMO e PORQUE o demônio encontra a “porta de entrada” para a vida de Regan e por que vai caber a Damien Karras, um padre da universidade de Georgetown, salvar a alma de Regan e, ao mesmo tempo, tentar restabelecer a própria fé, abalada desde a morte da mãe. Neste livro, o demônio tem sua face mais revoltante: a corrupção de uma alma inocente. A menina Regan é, ao mesmo tempo, o mal e sua vítima. Seu sofrimento e o abismo entre o que ela era e o que se torna continuam nos atormentando a cada página, a cada cena.

 

Com uma narrativa em terceira pessoa, acompanhamos tudo quase como em um filme. Sensações e sentimentos pontuam as mudanças de cena e criam um clima ainda mais imersivo na trama. Isso também garante que o leitor saiba o que acontece com vários personagens e deixa a história com uma narrativa fluida e instigante. A ponto de que se alguém interromper sua leitura, o susto pode ser real, pelo choque de voltar a realidade. A trama é bem estruturada e em alguns pontos a cena parece ser feita para que a imaginação de quem lê preencha pequenas lacunas, o que pode ser ainda mais apavorante.

 

As descrições, tanto da história central quanto de coisas do cotidiano que continuam a acontecer apesar do estado de Regan, tornam tudo mais crível e próximo da realidade, além de datas que pontuam a passagem do tempo e o sofrimento de longos meses daquelas pessoas, afinal o mal que atinge Regan recai sobre todos a sua volta. Cada personagem dessa história tem suas características tão bem marcadas e descritas que te coloca a ponto de achar que é alguém que você realmente conhece, se envolve com os conflitos, dramas e, em especial, sofrimento.

 

A linguagem dessa trama é tão incrível, porque, por envolver o mundo dos Jesuítas (padres conhecidos por sua erudição), vamos da linguagem cotidiana, algumas vezes chula, ao erudito latim. Sem falar no impronunciável dito pelo demônio. Os diálogos são mais que verossímeis e adequados à obra. Você sabe que cada personagem diria daquela exata maneira e talvez esse seja um dos grandes elementos de sucesso da trama. Afinal não se trata apenas de uma simples história sobre o bem contra o mal, ou sobre Deus contra o Demônio, mas também sobre a renovação da fé.



A edição que li foi a lindíssima edição em capa dura com alto relevo e cruz invertida em verde florescente, corte também em verde florescente e fitilho de cetim na mesma cor. Folha de guarda com ilustrações apavorantes e de qualidade, desenho digno de nota, diagramação impecável, folha e fonte confortáveis para leitura. Encadernação de luxo e não identifiquei nenhum erro ortográfico ou de digitação. Um primor.

 

Vale ainda destacar que tanto o livro quanto o filme ganharam continuação e essa também em livro e filme para o cinema. Ou seja, você já pode agora garantir sua próxima leitura. Boa leitura e divirta-se.



Nota :: 



Informações Técnicas do livro

O Exorcista

William Peter Blatty

Ano: 2020

Páginas: 336

Editora: HarperCollins Brasil

Sinopse:

Um clássico do terror com mais de 13 milhões de exemplares vendidos. Uma obra que mudou a cultura pop para sempre, O exorcista é o livro que deu origem ao maior filme de terror do século XX. Quatro décadas após chocar o mundo inteiro, a obra-prima de William Peter Blatty permanece uma metáfora moderna do combate entre o sagrado e o profano, em um dos romances mais macabros já escritos.. O mal assume várias formas. Seja com monstros, fantasmas ou demônios, tanto a literatura quanto o cinema sempre foram bem-sucedidos em representar a essência do nosso lado mais reprovável. O exorcista, no entanto, conseguiu superar qualquer outra obra do gênero. Inspirado no caso real do exorcismo de um adolescente, o escritor William Peter Blatty publicou em 1971 a perturbadora história de Chris MacNeil, uma atriz que sofre com inesperadas mudanças no comportamento da filha de 11 anos, Regan. Quando todos os esforços da ciência para descobrir o que há de errado com a menina falham e uma personalidade demoníaca parece vir à tona, Chris busca a ajuda da Igreja para tentar livrar a filha do que parece ser um raro caso de possessão. Cabe a Damien Karras, um padre da universidade de Georgetown, salvar a alma de Regan e ao mesmo tempo tentar restabelecer a própria fé, abalada desde a morte da mãe. Neste livro, Blatty conseguiu dar ao demônio a sua face mais revoltante: a corrupção de uma alma inocente. A menina Regan é, ao mesmo tempo, o mal e sua vítima. Ela recebe a pena e a revolta de leitores e espectadores em doses equivalentes e, mesmo quarenta anos depois, seu sofrimento e o abismo entre o que ela era e o que se torna continuam nos atormentando a cada página, a cada cena. Um clássico do terror que se mantém atual como somente os grandes nomes do gênero poderiam criar, O exorcista não se trata apenas de uma simples história sobre o bem contra o mal, ou sobre Deus contra o Demônio, mas também sobre a renovação da fé.


15/11/2020

O Clube Entrevista :: Karine Vidal

novembro 15, 2020 0 Comentarios

Oi, faroleiros!


Hoje temos entrevista com uma autora nacional, que, se vocês ainda não conhecem, precisam conhecer para ontem! Estou falando da autora Karine Vidal, autora de alguns títulos, entre eles o livro Escola dos Mortos, que já tem resenha aqui no blog, e vocês podem conferir, clicando aqui. Sem mais delongas, vamos à entrevista.



Karine Vidal nasceu em 1994 em Minas Gerais. Advogada, é autora de alguns romances, entre eles O Conde Apaixonado e Príncipes Perversos. Escola dos Mortos é seu título de maior sucesso, projeto que a fez se destacar no universo da literatura fantástica nacional. Após centenas de exemplares vendidos, Karine apresenta a melhor versão do título, desta vez publicado pela editora Coerência. 




 Clube do Farol: Não vemos como começar essa entrevista que não seja perguntando: O que podemos esperar do seu lançamento, “O Vampiro que me Amava”?


Karine: Muita fantasia, ação, reviravoltas e referências aos meus outros livros. O Crossover entre as minhas histórias é marca registrada da minha escrita. O livro é uma fantasia romântica recheada de erotismo. Os protagonistas se amam há muitos anos, e, neste livro, finalmente conseguem viver sua – turbulenta – história de amor.



 Clube do Farol: Como foi a recepção do seu primeiro livro, “A Escola dos Mortos”, que o faroleiro do Clube já conheceu aqui (e esperamos que tenham adquirido muito), após a versão física? Porque como versão digital sabemos que foi um grande sucesso.

 

Karine: Foi bem satisfatória. Ouso dizer que Escola foi o grande sucesso da minha carreira literária.



 Clube do Farol: Como é a sua rotina de trabalho com a escrita? Você estabelece metas para si mesma? Além de escritora, você é advogada. Como concilia as duas carreiras? Uma acaba por influenciar a outra?

 

Karine: Com a pandemia, tenho me dedicado mais à escrita que à advocacia. Em tempos normais, é complexo fazer a conciliação. Mas, pela paixão à escrita, dá-se um jeito. Eu escrevo todos os dias e tenho metas preestabelecidas na minha cabeça. Minha rotina demanda bastante disciplina.



 Clube do Farol: As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira, seguindo depois um esquema previamente traçado?


Karine: Depende. Na maioria das vezes, eu tenho a ideia central da trama ao começar o livro. No decorrer, as ideias vão surgindo, se modificando ou tomando rumos completamente diferentes. Sempre chego ao final preestabelecido na minha cabeça, mas, às vezes, por caminhos alternativos.



 Clube do Farol: Falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritora, com livros de fantasia com romance?

 

Karine: A grande maioria do público literário brasileiro não confia, consome ou aceita muito bem a literatura nacional. As livrarias estão abarrotadas de livros internacionais, e as nossas estantes, também. O grande desafio é vencer o estigma e conquistar seu próprio espaço. Autores nacionais não são as primeiras opções dos leitores e nem das editoras. É preciso muito esforço e planejamento para conseguir competir no mercado.



 Clube do Farol: Além dos seus dois livros publicados na Editora Coerência, já tem em mente alguma nova publicação? Podemos esperar a versão física do livro 2 da duologia “Escola dos Mortos”“Príncipe dos Mortos”? Conta para a gente os seus futuros planos no mundo literário.  Sim, sofremos de ansiedade literária.


Karine: Sim, planejo realizar uma nova tiragem de Príncipe dos Mortos. Possivelmente, ainda neste ano. Por agora, estou escrevendo um novo livro em coautoria com uma escritora parceira. Em breve, trarei as novidades à público. Está sendo muito empolgante.



 Clube do Farol: Para finalizar essa entrevista, gostaríamos que você deixasse uma mensagem para seus leitores no Clube do Farol.

E, claro, de antemão agradecer pela generosidade em dispor de tempo para responder nossas perguntas.


Karine: Agradeço muitíssimo pelo interesse em meu trabalho. É super importante apoiar aos nossos. Precisamos nos unir para mostrar que o Brasil tem, sim, coisas boas. Histórias interessantes e autores competentes. Precisamos dar mais valor à nossa arte, nosso cinema, nosso teatro e nossos livros. O que vem daqui tem valor e é lindo. Os outros lá fora enxergam isso, e dão valor aos seus. Autor e leitor têm uma relação única. É simbiose, é troca, é uma paixão em comum. Honremos esse vínculo que a literatura nos traz e lutemos pelos nossos.




Conheça mais sobre a autora Karine Vidal
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