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16/12/2017

Resenha :: A Viagem

16 dezembro 0 Comentários

Olá faroleiros, hoje vim escrever sobre minha leitura do Conto A Viagem, da autora Diana Rocco. Não é necessário conhecer o mito Grego de Tirésias, para entender A Viagem, porém, torna a leitura ainda mais preciosa.  (caso não conheça tem um resumo ótimo no final do livro desse mito).
"O que questiono são os padrões. A vida é unissex. Não aceito as divisões."
A história é narrada em primeira pessoa por Alexis, que entra num trem pra fugir de seus agressores e acaba indo parar em um lugar fantástico onde pode descobrir quem  ela realmente é. 

O tema do conto é criativo e moderno, além de a Diana Rocco, encontrar um meio quase sólido de te fazer pensar enquanto lê, o conto realmente te deixa com aquela vontade de mais história, mais tempo para pensar a respeito, entender o universo para o qual a história te leva.
 "- Aqui é um lugar seguro - quebrou o silêncio Darlan. - Um lugar onde pessoas como você e eu podem viver em paz."
Não tem como não fazer perguntas sobre tudo e ainda encontrar mais perguntas a serem feitas. Somos instigados a pensar sobre a androgenia, sobre a personagem e também sobre nós mesmos. 
"Do outro lado do vidro um ser andrógino, de cabelos castanhos em corte militar, observava-a com ar de severidade. Tinha feições delicadas e, nesse momento, bastante assustadas. Os olhos eram estreitos e cansados. O nariz pequeno realçava bochechas rosadas. Sua boca era pequena e de lábios generosos. A leveza dos traços era quebrada por um queixo quadrado, largo."
Uma explicação básica sobre o termo Andrógino é: "-  uma qualificação dada ao indivíduo que possui aparência e comportamentos entre o masculino e o feminino, é um indivíduo que não se enquadra nem no papel de homem nem de mulher. Somente pela aparência é difícil determinar se a pessoa é do sexo masculino ou feminino, pois possuem traços marcantes dos dois gêneros."

Espero que durante a sua leitura dessa resenha, você já tenha percebido que o texto é intenso, mas escrito de uma maneira deliciosa e envolvente. A leitura é super instigante, porque mesmo que o leitor ache que o conteúdo do texto seja "errado", ainda sim irá pensar a respeito, tentar entender o outro lado da história. E nesse momento vai acabar por deixar suas "certezas" de lado, encontrar algumas perguntas que nunca se fez e durante a leitura de posse dessas perguntas começar a indagar as próprias respostas. 
E no final poderá ser como eu e ser surpreendido. Em meu caso meu primeiro pensamento dentre todos que poderiam ter sido, foi:
"Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas. - Mario Quintana"
Perdoem-me se acabei sendo vago no texto, mas não quero estragar o prazer dessa fantasia inquietante e enriquecedora. Uma fantasia sobre corpos, desejos, gêneros e autoaceitação. O e-book está com uma foto de capa maravilhosa, o conteúdo extra extremamente bem feito e o convite da autora ao diálogo e a troca de pensamentos, uma tentação irresistível.
Venha viajar!

Nota: 

GOSTOU DA RESENHA? A autora fez uma promoção LINDA pra você faroleiro leitor/leitora do clube!! O download do ebook hoje está GRATUITO! Aproveite!

Ficha Técnica do Livro

A Viagem
Diana Rocco
Ano: 2017
Páginas: 33
Editora: Independente
Capa: Fotografia e Projeto Gráfico - Fabi Mendonça
Para comprar seu e-book de A viagem, clique aqui!

Sinopse (Skoob
Pensei o quanto desconfortável é ser trancado do lado de fora; e pensei o quanto é pior, talvez, ser trancado no lado de dentro. (Virginia Woolf)
Alexis quer apenas um drink e uma paquera, mas encontrará violência. Fugindo de seus agressores, embarca em uma viagem que mudará para sempre sua relação consigo mesma. Uma fantasia sobre corpos, desejos, gêneros e autoaceitação. Releitura livre do mito do Andrógino.

Sobre a Autora

Diana Rocco

Ðiana Řocco nasceu em São Paulo em 1965, pouco após o golpe militar de 1964. Cresceu durante a ditadura e aprendeu que o silêncio e a prudência podem salvar vidas. 

Em seu processo de desenvolvimento identificou-se progressivamente como bissexual, lésbica, andrógina até compreender-se como uma pessoa sem gênero definido. Sua vivência despertou o interesse em estudos de gênero e sexualidade humana, campos nos quais possui formação sólida. 
É autora de contos que abordam o amor entre mulheres e a transgressão de gêneros. Seus textos poéticos, de fácil leitura, flertam com o Realismo Mágico introduzindo o leitor em viagens por universos simbólicos, cativantes e emotivos.

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Fonte de pesquisa : www.significados.com.br

14/12/2017

Resenha :: Três Coisas Sobre Você

14 dezembro

“É possível ficar imune à esquisitice.”

Apelando para uma música sertaneja, preciso dizer que o que sinto por esse livro se resume em TRÊS palavras: AMOR, AMOR, AMOR, e mais nada. Sério, eu coração esse livro, porque, caraaaa, que livro mais amorzinho do cacetóvski! Está duvidando? Pois pense em um livro amorzinho. Pensou? Agora multiplica (Ok, chega de sertanejo ). 

“Sou melhor escrevendo do que falando pessoalmente. Talvez essa seja a minha chance de mostrar quem sou de verdade, diferente da otária esquisita em que me transformo quando estou perto de gente que me deixa nervosa.”

Três coisas sobre você é o segundo livro que leio da autora Julie Buxbaum (amei o primeiro que li, mas esse entrou no meu coração de tão fofo e amorzinho que é), é o terceiro livro dela publicado aqui no Brasil, e, incrivelmente, é o seu primeiro Jovem Adulto (YA). E sinceramente, nem parece que ela não escrevia YA antes, porque é muito bom! É um livro viciante, com uma escrita contagiante, que flui que é uma beleza. É um livro incrível, fofo, leve, engraçado, irônico, apaixonante e, bom, muito amorzinho (essa palavra resume o livro para mim ). 

“Uma rosa é uma rosa é uma rosa. Jessie é Jessie é Jessie.” 

Essa obra é protagonizada e narrada pela adolescente de dezesseis anos, Jessie (pausa para dar um efeito) Holmes, que é surpreendida quando seu pai chega em casa depois de uma viagem e anuncia que se casou novamente com uma mulher que conheceu em um grupo de apoio na internet. E como se isso já não fosse novidade o suficiente, como sua nova e rica madrasta, Rachel, mora na Califórnia, muito longe de Chicago, onde a Jessie nasceu e cresceu, adivinhe quem tem que se mudar para um lugar desconhecido, longe de seus amigos e de tudo o mais? Isso mesmo, a pobre Jessie. E essa mudança toda já seria ruim, mas para a nossa protagonista é pior, porque há cerca de dois anos, ela perdeu a mãe para o câncer. 

“Uma das piores coisas com relação à morte é lembrar de todas as perguntas que a gente não fez, de todas as vezes em que, idiotamente, a gente presumiu que teria todo o tempo do mundo. E isso também: como todo aquele tempo não parece tempo nenhum. O que resta parece algo fabricado. Os superexpostos fantasmas de lembranças.”

Pare para imaginar: você é uma filha única (que sempre é mais protegida, mais próxima dos pais, por eles serem sua única família que está sempre por perto), e perde a mãe, que é como perder um dos seus pilares de sustentação, e o mundo acaba parecendo mais opressivo, os dias parecem mais longos e infelizes... e quando você estabelece uma espécie de rotina, apesar da tristeza e da saudade da sua mãe, seu pai se casa do nada, te faz mudar para o outro lado do país, te dando uma nova madrasta (não como a da Cinderela, ok?) e um novo irmão de consideração que tem a mesma idade que você, e se concentrando tanto na nova mulher e em procurar um novo emprego que acaba não ligando muito para os problemas que você possa ter... e lá se vai a rotina de novo. 

“Quando a pior coisa que você poderia imaginar acontece, você acha que todas as outras coisas antes inconcebivelmente ruins também podem acontecer.”

A nova madrasta, Rachel, é bem rica e tem uma casa enorme parecida com aquelas de revista, bem diferente da antiga casa da Senhorita Holmes, que não consegue pensar nessa nova casa como seu lar. A Rachel, o Bill (pai da Jessie) e o Theo são meio que julgados injustamente no início, mas enquanto as páginas vão indo em frente podemos ir aos poucos entendendo cada lado e o quanto é complicado para cada um, já que todos nós temos os nossos problemas e muitas vezes eles parecem tão grandes que nem conseguimos enxergar além deles e ajudar os outros nos problemas deles quando precisam. Mas antes de entendermos esses lados, para complicar mais um pouco, a Jessie é matriculada no colégio Wood Valley (WV), que é um colégio cheio de jovens ricos que se parecem com Barbies e Kens, ou seja, bem diferentes da nossa protagonista que acaba sofrendo bullying de uma certa “vaca” (desculpe a palavra ). 

“Já sentiu como se a sua vida fosse um longo pesadelo e você só ficasse esperando acordar, mas não acordasse nunca?”

E eis que nesse colégio, onde a Jessie sofre sem poder chamar nenhum ser de amigo, surge uma luz, ou melhor, um guia espiritual que ajuda a estudante Holmes. Mas esse guia espiritual aparece sob o “manto do anonimato”, sob a forma de e-mails, se nomeando “Alguém Ninguém” (AN), que não quer revelar sua verdadeira identidade, mas revela que também estuda em WV. Será uma pegadinha? Será um admirador secreto? Um príncipe em um cavalo branco? Ou apenas alguém querendo realmente ajudar? Bom, a última pergunta é a correta (por mais que a de admirador secreto e príncipe se encaixem um pouco também). 

“eu fico com vontade de saber o que se passa nessa sua cabeça. vou ser sincero: não costumo me interessar pelo que há na cabeça dos outros. a minha já dá trabalho suficiente.”

O AN realmente ajuda a Jessie com os seus conselhos e dicas e a situação dela melhora muito. Ela consegue:
Novas amigas, a Dri e a Agnes;
Manter a amizade com sua melhor amiga, Scar (amiga maravilhosa essa), mesmo com a distância;
Um emprego na livraria “Atenção Lombadas!” (amo esse nome);
Conviver melhor com seu irmão de consideração, Theo, que é todo cheio das suas fabulosidades e que no começo não trata a Jessie e o pai dela nada bem, mas melhora e enche o livro com seu brilho e purpurina; e
Um amigo (o AN mesmo) com quem troca e-mails todos os dias sobre tuuudo, coisas sérias, divagações meio idiotas e engraçadas, contando três coisas um ao outro (vem disso o nome do livro), conseguindo ter duas conversas ao mesmo tempo, uma no e-mail normal e outra no “assunto/cabeçalho” dele... E mesmo assim, a Jessie não consegue descobrir quem é o AN.

“ISTO é mais importante do que todo o resto. isto é real. ainda que todo o resto pareça não ser na maior parte do tempo.”

E quem o AN? Não posso dizer o nome, mas ele é um personagem incrível, que entende a Jessie, por também ter perdido alguém e se sentir solitário. Ele é engraçado, divertido, meio doidinho e, claro, apaixonante, muito apaixonante, eu realmente coração AN. E durante o decorrer do livro a autora dá pistas de que o AN pode ser um entre três caras. Sinceramente, mesmo com pistas que a autora joga para a gente, a identidade do AN não é um mistério muito misterioso. Meu coração de leitora, cheio de amores irreais, soube quem era o AN desde a primeira vez que ele apareceu, ele pessoa com nome, sobrenome e beleza, a pessoa fora da tela. E se, no final do livro, a autora escrevesse que o AN era outro ser, eu teria arrancado as últimas páginas e reescrito o final com o personagem que eu amo como o Alguém Ninguém. Depois disso, eu encheria uma mala de pedras, descobriria o endereço da autora, pegaria um avião  e, quando chegasse na frente da casa dela, usaria as pedras para quebrar todas as janelas em pedacinhos, como o meu coração  teria ficado se o AN não fosse o... Relaxa! Vou falar quem é não, você vai ter que ler para descobrir e ficar com sorrisinho bobo no rosto que Deus te deu como eu 

“Imagino, ou espero, que um dia eu seja descoberta – que eu seja vista de verdade – não como uma aliada, uma colega de estudos ou como parte da mobília, mas como alguém de quem gostem, talvez até amem.”

Três Coisas Sobre Você é um ensinamento sobre aceitar mudanças inesperadas, sobre manter memórias dentro de si sem deixar de viver por causa delas, sobre a importância de amigos que entram na nossa vida de um jeito único, mas que fazem a diferença para melhor, ajudando a nos manter de pé, nos apoiando quando precisamos de um ombro amigo; e principalmente, é sobre como lidar com recomeços que parecem que tiram sua felicidade, mas que, na verdade, te ajudam a melhorar, te ensinam, te evoluem, te ajudam a “grandecer”. Enfim, está esperando o que para começar a ler esse livro e se apaixonar por ele também? Vai logo, vai! 

“Os dias perfeitos são para pessoas com sonhos pequenos, possíveis de serem realizados. Ou talvez para todos nós eles só aconteçam em retrospecto: só são perfeitos agora porque contêm alguma coisa irrevogável e irrecuperavelmente perdida.”


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

Três Coisas Sobre Você
E se a pessoa de quem você mais precisa for alguém que você nem conhece?
Ano: 2016
Páginas: 288 
Editora: Arqueiro
Sinopse (Skoob):
Setecentos e trinta e três dias depois da morte da minha mãe, 45 dias após o meu pai fugir para se encontrar com uma estranha que ele conheceu pela internet, 30 dias depois de a gente se mudar para a Califórnia e apenas sete dias após começar o primeiro ano do ensino médio numa escola nova onde conheço aproximadamente ninguém, chega um e-mail. Deveria ser no mínimo esquisito, uma mensagem anônima aparecer do nada na minha caixa de entrada, assinada com o bizarro nome Alguém Ninguém. Só que nos últimos tempos a minha vida tem estado tão irreconhecível que nada mais parece chocante.


12/12/2017

Resenha :: Belas Maldições

12 dezembro 2 Comentários

“Belas Maldições” já me chamou a atenção de cara apenas por ter Neil Gaiman como um dos autores, já havia ouvido falar sobre Terry Pratchett em outros grupos literários da vida – mas infelizmente nunca tive o prazer de ler suas obras, espero resolver isso! Quando a querida Elisabete Finco me perguntou se eu gostaria de ler o livro, aceitei prontamente, portanto, mais uma vez fica aqui meu agradecimento por ter me emprestado seu exemplar para a leitura .

“Se você quer imaginar o futuro, imagine um garoto, seu cachorro e seus amigos. E um verão que jamais termina.”

O enredo do livro é bem simples: o fim do mundo está prestes a ocorrer e temos criaturas que de tão habituadas a viver entre os humanos querem impedir isto, estamos falando do demônio Crowley – que é apaixonado por seu Bentley – e do anjo Aziraphale – que possui uma coleção de exemplares raros de livros, que eu adoraria conhecer. Apesar de ambos acreditarem que impedir algo já previsto a tantos e tantos anos seja uma tarefa quase impossível, eles resolvem tentar.

Tudo começou onze anos atrás em um hospital, com freiras satanistas, alguns bebês e uma grande confusão. Para dar mais tempero a essa trama, para lá de louca, somos apresentados a alguns personagens bem excêntricos como: a descendente da bruxa Agnes Nutter que lançou um livro com suas profecias muitos séculos atrás, caçadores de bruxas, os cavaleiros do apocalipse (que pilotam motos iradas) e, claro, o próprio Anticristo. 

"Deus não joga dados com o universo. Ele joga um jogo inefável de sua própria criação, que poderia ser comparado, da perspectiva de qualquer um dos outros jogadores, (todos os dois) a estar envolvido numa obscura e complexa versão de pôquer numa sala completamente escura, com cartas em branco, por apostas infinitas, com um crupiê que não lhe diz quais são as regras, e que sorri o tempo todo."

Em “Belas Maldições” temos o humor presente em cada uma das páginas, os autores capricharam nas notas de rodapé que são geniais (e é simplesmente impossível não rir da grande maioria delas), os personagens são divertidos e, por vezes, aparvalhados. Algo bem interessante de se notar, é que logo no início do livro os personagens são listados como se fizessem parte de uma peça de teatro, um toque bem bacana ao meu ver. O livro é dividido de acordo com os dias da semana, porém, a diagramação do “Sábado” deixou um pouco a desejar a meu ver - como este é um capítulo muito extenso, por vezes, a leitura ficou mais cansativa, portanto, creio que uma alteração na diagramação pudesse contribuir de forma positiva na experiência de leitura do livro.

Na contracapa do livro, há uma frase de Clive Barker (autor de Hellraiser): “O fim do mundo nunca foi tão engraçado”. Então, caso resolva ler em público, se prepare para ser julgado por rir! :P

Este ano, foi anunciado que “Belas Maldições” irá se tornar uma série e temos Neil Gaiman como roteirista e showrunner, além disso já foram divulgadas imagens dos atores David Tennant, que interpretará Crowley, e Michael Sheen, que interpretará Aziraphale. No elenco teremos nomes como Jack Whitehall, Michael McKean e Miranda Richardson.

A série será uma parceria entre a BBC e a Amazon e será transmitida no canal de streaming desta, que também possui Deuses Americanos (outra adaptação de uma das obras de Gaiman) no catálogo, infelizmente ainda não há uma data de estreia!

"- Está vendo - disse Crowley. - É como eu sempre disse. Humanos são uns traidores desgraçados. Não se pode confiar nem um pouco neles."

E vocês, já leram a obra? Pretendem ler? Conhecem o trabalho dos autores?

Até a próxima!

Nota :: 

Informações Técnicas do livro

Belas Maldições
As justas e precisas profecias de Agner Nutter, Bruxa
Terry Pratchett
Neil Gaiman
Ano: 2017
Páginas: 350
Editora: Bertrand Brasil 
Sinopse (Skoob):
Um descendente direto de O Guia do Mochileiro das Galáxias escrito por dois dos maiores autores britânicos de fantasia O mundo vai acabar em um sábado. No próximo sábado, e ainda por cima antes do jantar. O que é um grande problema para Crowley, o demônio mais acessível do Inferno, residente na Terra, e sua contraparte e velho amigo Aziraphale, anjo genuíno e dono de livraria em Londres. Depois de quatro mil anos vivendo entre os humanos, eles pegaram um gosto pelo mundo, e o Armagedom lhes parece um evento bastante inconveniente. Então, para evitar o fim do mundo, precisam encontrar a chave de tudo: o jovem Anticristo, agora um menino de 11 anos vivendo tranquilamente em uma cidadezinha inglesa. Em seu caminho, acabarão trombando com uma jovem ocultista, dona do único livro que prevê precisamente os acontecimentos do fim do mundo, caçadores de bruxas ainda na ativa e, quem sabe, até os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Mas eles precisam ser rápidos. Não é só o tempo que está acabando.

 Créditos:

09/12/2017

Resenha :: Miguel

09 dezembro 2 Comentários

Olá faroleiros, eu vi escrever sobre uma das leituras mais fofas ao mesmo tempo emocionante do ano. Eu vim de leituras densas de fantasia e quem acompanhou minhas ultimas resenhas entende bem do que estou falando aqui. Mas, vamos voltemos ao livro, eu queria uma história pra quebrar esse ritmo e evitar uma ressaca literária que andava me rondando e ler Miguel me deu isso e muito mais.

A história é narrada pelo ponto de vista do Miguel Schimith, um professor de filosofia em escola pública, dedicado e com uma rotina de rapaz solteiro pouco convencional para os dias de hoje, ele é um ex-seminarista que optou por não se consagrar padre, mas em seu coração fez um voto, o de casar-se casto.  Tudo corrida de forma tranquila na vida de Miguel, até uma nova vizinha  vir morar em seu prédio, não incomodaria tanto a Miguel caso as paredes do prédio não fossem finas o bastante pra ele ouvir sua vida usar o nome de Deus em vão e nos momentos mais errados possíveis. Ele guardou suas opiniões pra si até uma emergência de encanamento o levar a conhecer sua vizinha.

Aurora Letícia Alves, é uma mulher independente e totalmente consciente de sua sexualidade, acredita piamente em encontros de uma noite do melhor tipo, pega e não se apega e está numa nova fase de sua vida, começando um empreendimento com sua irmã.  Em meio a muita água e uma raiva imensa da torneira, seus gritos de socorro a levam a conhecer seu vizinho Miguel e naquele momento a antipatia foi mutua. Vou parar nesse momento e dizer VOCÊ, sim você querida leitora e querido leitor acabou de entender todo o livro de forma errada!!

Miguel é aquele cara "comum" no melhor sentido da palavra e Aurora é um furacão desbocado e cheio de humor. Todo mundo conhece um cara alto meio sem jeito e uma baixinha esquentada. Risos, sério não tem como não se sentir próximo aos dois logo de cara.

Eu sei que nessa onda "hot" que a literatura nacional hoje vive (nada contra, entendam bem), mas você poderia se enganar e achar que esse livro é alguma fantasia absurda, mas não é nada disso. Esse é um romance  divertido sobre aceitação e respeito as diferenças de vida e de crença; É sobre não se impor e sim sobre entender o outro e tentar superar os obstáculos que a diferença de pensamentos e crenças podem trazer para qualquer relacionamento seja de amor ou amizade. A narrativa é feita de um jeito envolvente, leve e divertido. Os diálogos são perfeitos para dar o tom da história te deixando com aquela vontade de não parar de ler.

Depois de algumas situações absurdas que nossa Maria "Aurora" Madelena faz Miguel passar, ele começa a perceber que mesmo sem contato físico, Miguel percebe que  a proximidade com a Aurora muda sua vida e sua rotina de uma maneira boa apesar de tudo, o que o leva a conclusão que ambos querem ser felizes, mas que cada um escolheu um caminho oposto ao do outro na busca por essa felicidade.

Quando o coração de uma pessoa religiosa, seja qualquer que seja essa religião, o templo ou local de seu culto é sempre o refugiu de um coração aflito, e na busca por respostas e por refugio conhecemos o padre Emanuel (risos, não as referências não passaram desapercebidas), voltando ao padre, gente que personagem encantador, sábio e com uma vida triste e linda história de vida.

Nesse ponto eu fiquei um pouco deslocada, porque não sou e nunca fui católica, mas amei a maneira com que a fé e dogmas da igreja foram tratados. Não, de uma maneira a catequizar o leitor mas informativa e bem vinda a trama, devido as origens de Miguel. Voltando a história, com o coração um pouco mais em paz seu retorno pra casa leva Miguel a uma situação que marcaria sua vida e a de Aurora. Tentarem ter uma relacionamento que não fosse contra as convicções de nenhum dos dois.

Vamos junto deles, durante esse relacionamento sem contato físico, dialogando com os personagens sobre preceitos e conceitos como pecados e virtudes, certo e errado e o quanto disso é importante quando o amor está em pauta? O quanto é possível cada um abrir  mão de seu jeito de viver para se adequar ao outro e fazer dar certo. Aqui poderia ter ficado chato, mas entrada em cena das famílias de ambos trazem respostas e novas perspectivas para cada um ser exatamente como é.

Claro que não poderia ser fácil, afinal a maior concessão ficou por parte de Aurora, que abriu mão de sexo e contato físico, enquanto Miguel praticamente não fez grandes concessões apesar de lidar com a tentação todos os dias, quando um acidente faz com que Aurora vá para o Canadá e a distância física faça com que perguntas não feitas viessem a mente de ambos os lados.

Não posso contar muito a partir daqui, mas aviso que gente eu sinceramente quase enlouqueci aqui, ai que aflição! Sofri tanto com Aurora que quase me esqueço que Miguel é o personagem central do livro, até ri quando lembrei do título. Divaguei um pouco sobre a história ter levado para o lado que "Deus escreve certo por linhas tortas" me dei conta do quanto eu comecei a torcer pra eles darem certo sem um magoar o outro ou fazerem algo pra quem a culpa pesasse no relacionamento. 

E me vi encantada com um livro que me surpreendeu por uma proposta inteiramente nova para algo que poderia ser clichê, uma linda história ao melhor estilo "eu escolhi esperar".Com certeza uma das mais doces e bem escritas histórias de amor que li nos últimos anos que envolvem fé, amor e principalmente esperança e aquela lembrança gostosa de que:
"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." 1 Coríntios 13:4-7


Sobre a edição, eu li a versão digital, disponível da Amazon, achei lindo a marcação em destaque dos capítulos e as citações que abrem os capítulos são perfeitas! A úncia melhoria fica por conta da edição que tem um espaçamentos errados e alguns erros de digitação, que não chegam estragar a leitura mas como são pontuais chamaram a atenção. Enfim, leiam e venham conversar comigo!!

Nota: 

Ficha Técnica do Livro

Miguel
Carol Paim
Ano: 2016
Páginas: 243
Editora: Independente
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Sinopse (Skoob
Pecados e virtudes. Certo e errado. Isso importa quando o amor está em pauta? 
Uma mulher provocadora. Um homem respeitador e religioso. 
Ele acredita no sexo após o casamento. Ela acredita em encontros de uma noite. Paixão é o que ela sente. Ele sente o amor. Ela quer ser feliz e nesse ponto os dois concordam, mas como fazer dar certo para que os dois tenham seu final feliz? Quem abrirá mão de seu jeito de viver para se adequar ao outro? 
Quando as certezas e crenças de um homem são postas à prova pela determinação e desejo de uma mulher, tudo pode acontecer. 
Miguel é um romance divertido sobre aceitação e respeito. Onde o maior desejo é que o amor prevaleça sobre o preconceito e os obstáculos que a diferença de pensamentos e crenças podem trazer. 


______Sobre a Autora______

Carol Paim 

Caroline Paim Müller, natural de Rondônia e atualmente morando em São José/SC.
Trabalhando como Analista de Sistemas, Carol atualmente faz parte da Oficina Literária Boca de Leão da Biblioteca Pública de Santa Catarina, além de fazer parte da agência Wolfpack do renomado autor André Vianco, onde fez seus cursos e aprende constantemente a aperfeiçoar Apaixonada por letras desde pequena, só começou a se empenhar verdadeiramente em 2013, quando junto com a Sheila Bomfim, escreveu o primeiro livro da trilogia As Fases do Amor. 
Enquanto escrevia em parceria, lançou o primeiro livro da trilogia Fases do Amor, todos os exemplares disponíveis foram vendidos já na primeira semana. Hoje Carol possui um total de doze títulos lançados, tendo a maioria eles publicados no site da Amazon.

07/12/2017

Resenha :: Extraordinário

07 dezembro 2 Comentários

Antes de começar a escrever qualquer coisa, eu preciso dizer que estou com medo de fazer essa resenha. Mas vamos lá. Extraordinário conta a vida de um garotinho de 10 anos chamado August (Auggie para os íntimos) e a sua entrada à escola. Auggie nasceu com uma deformidade genética rara, portanto, os médicos acharam que ele não sobreviveria mais do que a noite de seu nascimento, por isso passou sua infância toda internado fazendo cirurgias plásticas. Por ter essa deformidade, Auggie acaba não tenho uma vida de criança. Tendo que ser educado em casa.

“Não julgue um menino pela cara.”

Passados 10 anos, a vida de Auggie está mais estabilizada e sua mãe começa a perceber que já está na hora do filho ter uma infância e até ir à escola. Sendo uma criança, ele não entendia porque as outras crianças não queriam ser suas amigas, porque todos o olhavam feio. Até que ele toma ciência que todos se incomodam com sua aparência, esquecem que aquilo é uma doença rara, e passa a usar um capacete de astronauta durante dois anos. Fazendo-o não gostar muito da ideia de ir à escola.

Toda essa ideia de não querer frequentar a escola é persuadida quando três alunos fazem um tour com Auggie pela escola lhe mostrando as vantagens de estudar com eles. E apesar desse encontro não ter sido perfeito, Auggie muda de ideia e isso muda completamente sua vida.

“Eu gostaria que todos os dias fossem Halloween. Poderíamos ficar mascarados o tempo todo. Então andaríamos por aí e conheceríamos as pessoas antes de saber como elas são sem máscara.”

Esse livro é muito espetacular. Acho que escrever alguma coisa sobre ele pode vir a ser perca de tempo porque precisaria de um texto de no mínimo 1646 folhas para mostrar o mínimo. A história é perfeita do início ao fim. A autora conseguiu mostrar o ponto de vista de todos os personagens sem perder o foco principal, o Auggie.

Nós sabemos que quando uma criança quer ser o próprio capeta ela consegue. E nós também sabemos como pode ser difícil a vida de uma criança na escola. E aqui não é apenas uma. Nós temos a escola toda. E não vou manter meu ponto só nas crianças. A sociedade no geral não consegue lidar com uma pessoa com qualquer tipo de problema.

Mas como têm pessoas ignorantes, existem pessoas tolerantes, sensíveis. E não foi diferente aqui. Auggie ganhou amigos, pouquíssimos na realidade, mas amigos de verdade. E eu acabei ficando impressionado como a autora consegue passar uma força gigante de um menino com 10 anos. Mesmo com poucos amigos, mesmo sendo o centro das atenções em todos os sentidos: disciplinar, por sua inteligência, por seu companheirismo e pelo fato de seu problema... Auggie consegue enfrentar tudo e todos.

“Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.”

Como eu disse antes, a autora transmite vários pontos de vista no livro, mas dois me chamaram muito atenção. O mais óbvio é a parte da irmã do Auggie. Nós sabemos como ela o ama. Como ela sempre o protegeu e sempre fez de tudo por ele. Mas também vemos como é ser um (a) adolescente passando para a fase adulta. Os conflitos. Os medos. Os receios. Ela sempre se sentiu muito sozinha, mesmo entendendo que os pais a amavam e que seu irmão precisava de mais atenção. O egoísmo que ela mostra nada mais é do que o egoísmo de uma pessoa com medo. 

E a parte do Jack Will também me chamou muito atenção. Jack desde o primeiro dia, lá naquele comitê, se fez amigo de Auggie. Isso continuou depois que o Auggie entra para escola. Mas uma criança pode ser influenciada por outras e isso acaba acontecendo. Uma criança boa, entretanto acaba estragando sua amizade por medo. Para agradar as outras crianças. Ele comete o erro de falar mal do Auggie pela pressão de ser aceito.

“É engraçado como às vezes nos preocupamos muito com uma coisa e ela acaba não sendo nem um pouco importante.”

Não existe livro melhor que esse para te fazer lembrar como o ser humano, às vezes, pode ser maldoso. Tudo o que é mostrado aqui, nesta maravilhosa leitura, pode ou já aconteceu com você ou comigo ou com nossos amigos. E se não aconteceu, pode acontecer. Não porque somos pessoas ruins ou qualquer coisa parecida. Só por não conseguirmos entender que existem pessoas com problemas. Precisamos de tempo. Todos nós somos um. Todos nós somos normais, só que cada um a sua maneira.

“Acho que devia haver uma regra que determinasse que todas as pessoas do mundo tinham que ser aplaudidas de pé pelo menos uma vez na vida.”

Esta citação deixa claro o que o livro se compromete a mostrar:

“O universo não te abandona a própria sorte. Ele cuida de suas criações mais frágeis de forma que não vemos. Como com pais que amam cegamente. E uma irmã mais velha que se sente culpada por ser humana com relação a você. E um garotinho de voz grave que perdeu todos os amigos por sua causa. E até uma garota de cabelo rosa que carrega sua foto na carteira. Talvez seja uma loteria, mas o universo deixa tudo certo no final. O universo cuida de todos os seus pássaros.”

Que todos tenham uma ótima leitura.


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

Extraordinário
Ano: 2013
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Sinopse (Skoob):
August Pullman, o Auggie, nasceu com uma sindrome genetica cuja sequela e uma severa deformidade facial, que lhe impos diversas cirurgias e complicacoes medicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade... ate agora. Todo mundo sabe que e dificil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tao diferente. Prestes a comecar o quinto ano em um colegio particular de Nova York, Auggie tem uma missao nada facil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparencia incomum, ele e um menino igual a todos os outros.
R. J. Palacio criou uma historia edificante, repleta de amor e esperanca, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixao, aceitacao e gentileza. Narrado da perspectiva de Auggie e tambem de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraidos, Extraordinario consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, familia, amigos e comunidade um impacto forte, comovente e, sem duvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo o tipo de leitor.