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18/01/2020

Resenha :: Beleza Perdida

janeiro 18, 2020 0 Comentarios

Tem muita coisa que eu não entendo... mas não entender é melhor que não acreditar.

Sabe quando dizem a tão famosa frase “Não é só um livro”? Então, Beleza Perdida é muito mais que um livro, é uma lição, uma história para se levar para a vida inteira. “Às vezes são os livros que nos escolhem”, outra frase famosa que se encaixa com o que sinto por essa obra tocante 💙. Sinto que ela me escolheu e me ensinou sobre perdas, sobre amizade, sobre enxergar a beleza por trás da aparência, a ser grata por todas as coisas que muitas vezes nem percebo que deveria agradecer.

Li esse livro pela primeira vez (já li quatro vezes), no primeiro semestre de 2015, após ler uma resenha em um blog que não lembro mais o nome (mas se lembrasse, agradeceria diretamente a quem o resenhou e me convenceu a ler esse livro), e que falava dele com tanto amor que eu também queria sentir aquilo, sabe? Queria me sentir arrebatada por uma história a ponto de rever conceitos de vida.


Não se deixe levar por considerarem esse livro uma releitura de A Bela e a Fera e por puro preconceito deixar de lê-lo. Beleza Perdida é muito mais que uma simples releitura, é uma história que transborda sentimentos. Transborda tanto que quanto mais você lê mais se apaixona pelos personagens (praticamente todos), principalmente pelo Ambrose (Brosey), pela Fern e pelo Bailey.

Todo mundo é protagonista para alguém. Não existem personagens secundários.

Bailey  é o primo e melhor amigo da Fern (já falo dela), e, como tem Distrofia Muscular de Duchenne, vive com os dias contados em cima de uma cadeira de rodas. Ele nasceu com toda a força que teria para o resto da vida, então em vez de ficar mais forte, fica cada vez mais fraco e perto da morte. E mesmo vivendo em uma ladeira sem poder parar, o primo da Fern não é amargo, na verdade, é otimista; não sente pena de si mesmo e lida bem com a vida que tem. Esse serzinho lindo, não fica se lamentando ("Oh! O que eu fiz para merecer isso?", "Por que eu?"), em vez disso agradece por cada dia que Deus lhe proporcionou; é paciente, perseverante e o jeito que encara a vida é inspirador, ao ponto de que enquanto lia (e me apaixonava por ele), eu queria me dar uns tapas por reclamar tanto. Ele, junto com a Fern, dão verdadeiras lições sobre o que é ter fé e acreditar que tem alguém cuidando da gente. Eu releria esse livro só por ele (Sério!), por causa da sua coragem, do seu bom humor perante as coisas boas e ruins, pela sua celebração de cada momento e de cada dia. O Bailey é “mágico”  (Meu Herói! 💛) e se personagens literários fossem estrelas, ele seria uma das mais brilhantes.


A morte é fácil. Viver é que é a parte difícil.

Fern é uma espécie um patinho feio (daquelas nerds de filmes americanos com aparelho e óculos enormes), que é apaixonada pelo Brosey (quem não seria? 🙈) desde criança, e é considerada um “milagre” pelos pais que a tiveram quando já nem tinham muitas esperanças de ter um filho por causa da idade avançada (como os pais de João Batista, Zacarias e Isabel). Esse milagre, chamado Fern, pode não ser “uma garota bonita” por ter feições esquecíveis, mas, como quem vê cara não vê coração, ela possui uma beleza interior estonteante; seu interior é tão belo que, além de transbordar luz, ele transborda até glitter 💖. Esse serzinho brilhoso e sonhador busca conforto em Deus (como boa filha de pastor) e ama escrever e ler romances, porque eles lhe dão esperança e a deixam ser quem ela quiser (livros têm poder, viu?). O seu entusiasmo pelas coisas simples, a sua fé, a sua coragem e humor perante a vida, e o seu cuidado e carinho por aqueles que ama são tocantes. Ela é um ser tocante e impagável, é um ser iluminado inspirador.

Talvez os porquês não sejam respondidos aqui. Não por não existirem respostas, mas porque a gente não ia entender se elas fossem ditas.


Brosey é o típico garoto de ouro (que cita Shakespeare! 😍), que meio que recebeu tudo da natureza. É um cara conhecido pela sua beleza e força, e que tem uma incrível destreza atlética que o faz ser um destaque nos esportes (sem ser arrogante), principalmente em luta livre que o torna o queridinho da sua pequena cidade, pelas inúmeras vitórias, e até fica conhecido pelo apelido de Hércules (ideia do Bailey). Mas ser tão querido acaba colocando muita pressão no Ambrose, do tipo de “quanto melhor você é mais é cobrado”, entende? Ele se sente pressionado com as expectativas e as altas esperanças que colocam nas suas costas, porque se algum dia falhasse ele sentia que decepcionaria a cidade inteira 😢.

Todo mundo que é alguém se torna ninguém quando fracassa.

A pressão aumenta, em vez de ir para a faculdade para continuar lutando, ele resolve se alistar para a Guerra no Iraque. (Se lembra do famoso 11 de setembro? Então, esse é um dos motivos da decisão do Brosey). E ele não faz isso sozinho, seus quatro melhores amigos (Grant, Beans, Paul e Jesse), incentivados por ele, também se alistam e o acompanham nessa perigosa aventura. Mas nem tudo são flores de cerejeira, e uma tragédia acontece. Dos cinco garotos, apenas um volta vivo; e não volta o mesmo, volta cheio de cicatrizes no corpo e na alma. A tragédia muda o sobrevivente fisicamente, e a sensação de perda, e até mesmo de culpa, o afeta emocionalmente, tocam lá no fundo, e algo “mágico” e, principalmente, um “milagre” o ajudam na superação da tristeza e no seu reencontrar com a fé, com a esperança e com o amor 💙.

Às vezes não é possível retomar a vida. Às vezes a vida está morta e enterrada, e a única opção é fazer uma nova.


Queria poder descrever todos os personagens incríveis que Beleza Perdida tem, e tentar mostrar o quão especial ele é, mas não importa o quanto eu escreva nessa resenha, porque não há palavras suficientes para o que a Amy Harmon me fez sentir, com sua escrita tão delicada, com uma narrativa em terceira pessoa que vai e volta (com flashbacks) no tempo em momentos perfeitos; onde passado e presente se encaixam de uma maneira tão magnífica, que não me resta nada mais a dizer além de que esse é um dos livros que mais amo no mundo e que mais me sinto grata por tido a honra e o privilégio de ter lido na vida.

A verdadeira beleza, aquela que não se desvanece ou se esvai, precisa de tempo, de pressão, precisa de uma resistência incrível. É o gotejamento lento que faz a estalactite, o tremor da Terra que cria as montanhas, o constante bater das ondas que quebra as rochas e suaviza as arestas. E da violência, do furor, da ira dos ventos, do rugido das águas emerge algo melhor, algo que de outra forma nunca existiria. E assim suportamos. Temos fé na existência de um propósito. Temos esperança em coisas que não podemos ver. Acreditamos que há lições na perda e poder no amor, e que temos dentro de nós o potencial para uma beleza tão magnífica que o nosso corpo não pode contê-la.


Nota ::  


Informações Técnicas do livro

Beleza Perdida
Ano: 2015
Páginas: 336
Editora: Verus
Sinopse:
Um livro intenso, com uma história emocionante que vai permanecer no seu coração por um longo tempo.
Ambrose Young é lindo — alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde os treze anos. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose… até tudo na vida dele mudar.
Beleza perdida é a história de uma cidadezinha onde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas — perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido. Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós.

15/01/2020

Resenha :: Corações de Alcachofra

janeiro 15, 2020 0 Comentarios

Se você não consegue pensar em nada gentil para dizer a alguém, não diga nada.

Hoje eu poderia desenvolver minha fala nessa resenha sobre os vários clichês desse livro, não vou mentir e dizer que achei uma grande escrita literária, uma revolução do romance, porque se você começar a ler Corações de Alcachofra esperando isto, provavelmente você vai se decepcionar.

Ela me deu esse pingente de aniversário. Tem o formato de uma alcachofra. A maioria de vocês já deve ter visto ela usando isso. Quando me entregou o pingente, ela me contou sobre ele. Eu não entendi na hora, mas agora acho que entendo. Ela me contou que, quando somos crianças, nossos corações são macios, como o coração de uma alcachofra, e essa é a parte preciosa. Mas ai coisas acontecem conosco, coisa difíceis, e elas no fazem criar camadas cada vez mais duras para nos proteger da dor. Mas essa camadas também nos impedem de sentir muito.

Indico para aqueles que estão querendo uma leitura simples, que pode tocar ou não seu coração dependendo do momento da sua vida, ele não chega nem perto do que considero um livro perfeito, escolhi ler ele pela capa que gostei, mas não o favoritei, não dei nota máxima, mas ele merece muito que eu fale dele, pois valeu a pena a leitura.

Quando leio alguma coisa no presente, desapareço na leitura, como quando estou pintando. É como se eu não existisse mais, simplesmente me perco lá no meio dos personagens.

A narrativa que é através do diário de Mira de 12 anos, que vai escrever nele sobre sua primeira menstruação, sua melhor amiga, sua professora, seu primeiro amor, vários outros momentos de descoberta, mas ela também vai escrever algo mais, vai escrever sobre sua avó, uma senhora que ama pintar, que é alegre, forte, tem uma personalidade única e um estilo mágico. Uma senhora que faz parte da vida dela de forma difícil de descrever, uma avó que ela ama, que tem câncer e está morrendo.

Quando alguém está morrendo, tudo o que você diz ou faz significa mais do que normalmente. Quando alguém está morrendo, você percebe coisas… na verdade, tudo. A vida toda fica em câmera lenta.

Sita Brahmachari escreveu sobre os sentimentos de uma menina que vai passar pela sua primeira perda, escreveu sobre uma avó excêntrica que quer preparar tudo para seu próprio funeral, que pinta o seu próprio caixão com a neta com as imagens mais lindas que as duas possam pensar, então não espere um grande momento no livro, ele tem apenas pequenos momentos, pequenos momentos da vida que parecem grandes demais depois que lembrados.

Vovó pinta o passado com tanta clareza que quase parece que é parte da minha própria memória… ela tem uma maneira de levar você para dentro das cenas… fazendo com que você sinta que é a única pessoa que importa no mundo.

Talvez como uma leitora crítica eu possa encontrar vários defeitos nesse livro, como uma pessoa que já passou por esse momento de perda, a única coisa que posso falar de ruim é que gostaria que esse livro tivesse sido escrito há alguns anos atrás e que eu tivesse tido a oportunidade de ter lido ele, não que as coisas pudessem ser mais fáceis, mas coisas pequenas talvez parecessem grandes o bastante.

— O coração pode partir de verdade, vó?
— Nós falamos assim, Mira, mas ele não se "parte" de verdade. É mais complicado do que isso...é mais como um machucado do que algo partido. Quando a ferida está nova, parece que nunca vai se fechar. Acho que é por isso que dizemos que ele se parte.
— Já aconteceu isso com a senhora? - pergunto para vovó. 
— Com certeza.
— Então dá para consertar um coração partido?
— Não, foi isso que quis dizer. Não é simples assim. Ele meio que se cura com o tempo, mas sempre deixa uma cicatriz. Cada vez que você se machuca, coloca uma camada protetora em volta dele, como um curativo, para que na próxima vez e ele não se machuque com tanta facilidade. Lembra das folhas de alcachofra?


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

Corações de Alcachofra
Sita Brahmachari
Ano: 2015
Páginas: 320
Editora: Galera Record
Sinopse:
Uma história emocionante sobre a vida e a forma como protegemos nossos sentimentos
Mira Levenson tem 12 anos e raros momentos de tédio. Com um irmão mais novo e uma irmãzinha bebê, além de todas as novas experiências do início da adolescência, ela está sempre com a cabeça a mil. Mas não imaginava que seria obrigada a lidar com um sentimento totalmente novo e, possivelmente, o mais difícil de sua vida em meio a todo esse turbilhão.
Josie, sua vó, é artista plástica, um tanto excêntrica, e uma de suas melhores amigas. Ela entende Mira como ninguém e sempre tem os melhores conselhos na ponta da língua. Porém, depois de muitas lições de vida, ela está pronta para ensinar a mais difícil: a aceitação do fim. Vovó Josie está com câncer, e pretende encarar a última fase da vida de cabeça erguida e com bom humor.
Enquanto tenta lidar com tudo isso, com a ajuda de um diário, Mira vai descobrindo que não é a única a guardar segredos. A personalidade de cada um é composta por muitas histórias e sentimentos acumulados durante a existência, e depende muito de quanto de si cada um deixa transparecer. Ela aos poucos compreende que, assim como um coração de alcachofra, nosso próprio coração sempre tenta proteger a parte mais preciosa.

04/01/2020

Resenha :: O Farol e a Tempestade

janeiro 04, 2020 0 Comentarios

O livro começa te levando para um farol, numa ilha habitada apenas por Sam Jones e seu gato, em meio a uma tempestade e a um enorme sentimento de desesperança e dor que permeia o coração do Sam. Logo depois você é levado para um avião de pequeno porte, onde o piloto tenta sair do meio da tempestade, porém a mesma é muito forte e o avião cai.

Anne Sutherland é uma famosa fotógrafa de Nova York e é a única sobrevivente deste acidente aéreo, graças a Sam que enfrenta a tempestade e resgata-a. A partir deste momento, a história dos dois nunca mais será a mesma, pois, como o autor disse, eles precisarão decidir o que fazer com a segunda chance que estão recebendo.


Após Sam resgatar a Anne, ele vê este fato como uma resposta de Deus a seu questionamento: será a sua segunda chance? Tudo indica que sim, depois de tanta dor. O problema é que ele descobre quem é a mulher resgatada através do celular dela e fica se perguntando se isto é obra do destino, pois, para complicar mais as coisas, a Anne teve perda da memória devido a pancada na cabeça, porém, mesmo tendo que recuperar sua memória aos poucos, ela percebe que recebeu uma segunda chance e sente uma paz em seu coração como há muito tempo ela não sentia.

Para dar o tom da história, os dois ficam isolados na ilha, pois o único meio de comunicação que o Sam tem com o mundo fora da ilha é um rádio transmissor, que sofre um curto circuito durante a tempestade. Os dois então dão início a um descobrimento da vida de um do outro e o amor brota no coração dos dois como um renovo. Mas será que haverá futuro?? Afinal, a Anne precisa retornar para Nova York e eles têm muitas barreiras emocionais a superar.

— Veja como o farol emite luz para o oceano — e aponta para a torre de pedra, que ganha maior luminosidade em seus fachos de luz com o advir da noite. — Serei sempre o seu farol, mesmo nas noites mais serenas ou nos dias mais tempestivos.


Tudo o que Sam deseja é viver o presente que está sendo tão maravilhoso, como ele nunca poderia esperar, já a Anne quer ir além, mas não sabe como, afinal ela não se lembra de seu passado e isso dá toda uma incerteza para o seu futuro.

Amei o ambiente que o autor escolheu como base do enredo da história, também a forma como ele já deu início ao livro, com aquela dose certa de drama e suspense que te prende na narrativa e faz com que você não queira largar o livro e te deixa torcendo pelos personagens. Também gostei muito do desenrolar da história. Há muitas emoções ainda por vir, que te deixarão com aquele desespero maravilhoso de querer chegar logo ao final. Tudo sem exageros, mas com muitas ligações, que te deixam com aquela sensação de “UAU, meu coração não vai aguentar”.

— Se o mundo lhe der trevas, seja farol — discursa Sam.


Tenho certeza que o autor teve um enorme desafio para escrever este livro e por isso ele ficou tão especial, afinal, para algo que você faça realmente valer a pena, é necessário esforço e que seja feito com o coração. Eu amei esta história, pela excelente forma em que ela foi narrada e também pela maneira que a dor e o amor foram trabalhados na vida dos personagens. Preciso dizer, o final foi maravilhoso, o autor conseguiu suprir as minhas expectativas adquiridas no início da leitura. 

Dou nota 5/5 com prazer. É mais um autor nacional que eu indico e me sinto feliz por conhecê-lo, também sinto um orgulho enorme por saber que minha querida irmã @efinco foi beta do autor.

#EUQUEROSERFAROL

Boa leitura
Carol Finco


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

O Farol e a Tempestade
E se a vida lhe desse uma segunda chance?
Ano: 2019
Páginas: 304
Editora: Novo Conceito
Sinopse:
Samuel Jones é um autor best-seller que vive recluso em uma remota ilha do Atlântico Norte desde que perdeu a família em um acidente de carro. A partir desse terrível advento, viver passou a ser um martírio, um sacrifício diário. O exílio de Sam, entretanto, ganhará um viés ainda mais dramático quando uma bola de fogo riscar os céus diante de seus olhos no meio de uma tempestade.
Em uma obra do acaso, a fotógrafa nova-iorquina Anne Crawford sobrevive ao desastre aéreo e é salva justamente pelo escritor, quebrando a partir daí a solidão da Ilha Farethon e de seu farol secular. Duas almas marcadas por tragédias. Dois corações despedaçados pela vida. Para Sam e Anne há muito mais em jogo do que fé e paixão, perdão e esperanças. Marcados pela ausência de um passado e a impossibilidade de um futuro, resta-lhes viver o presente em sua mais profunda intensidade. “O Farol e a Tempestade” é mais do que uma improvável história de amor. O romance dramático mostra o quanto somos minúsculos diante as forças do universo e de como a vida é uma surpreendente montanha-russa que nos leva do inferno ao céu em um ato único. O que você faria se a vida lhe desse uma segunda chance?

Para comprar:


O Grupo Editorial Novo Conceito oferece sempre os best-sellers mais aguardados e comentados do meio literário. Em anos de sucesso editorial, foram vários os autores e títulos reconhecidos na principais listas do PublishNews e Veja. O selo Novo Conceito foi desenvolvido para reunir essas grandes publicações, além das novidades e lançamentos internacionais que ainda virão.


 _____Sobre o Autor_____

Romulo Felippe



Romulo Felippe começou a lapidar os primeiros textos  crônicas e versos  aos 9 anos. Aos 12 anos já publicava os seus escritos em jornais locais, iniciando sua paixão pelo jornalismo impresso. Lá se vão três décadas de dedicação às redações, com coberturas realizadas em mais de 20 países e passagens por diversos veículos de comunicação. Além de O Farol e a tempestade, é autor de Monge Guerreiro, também publicado na Europa, e Reino dos morcegos. Romulo mora na ilha de Vitória com a mulher, a empresária Svetlana Bertollo Felippe, é pai de Felippe, Giuseppe e Gianluca, e agraciado com os enteados Ana Paula e Henrique. É colecionador de espadas medievais (e miniaturas de faróis marítimos...), amante da prática de stand up paddle e um apaixonado por livros impressos.

01/01/2020

Resenha :: Serafina e a Capa Preta

janeiro 01, 2020 0 Comentarios

Nunca vá para as profundezas da floresta, há muitos perigos lá, tanto escuros quanto claros, e eles tentarão seduzir a sua alma.

Imagine você ter doze anos, morar com seu pai escondida numa mansão enorme, ser proibida de se mostrar para os outros moradores e, ainda, se tornar a caçadora de ratos oficial do lugar? Essa era a vida de Serafina. A jovem franzina, diferente de qualquer outra garota da sua idade vivia clandestinamente do porão na mansão dos Vanderbilt, em Baltimore, cenário da nossa história.

Todo dia após o expediente de trabalho, quando a maioria dos empregados ia embora, Serafina e seu pai se acomodavam no subsolo para jantar e descansar, permanecendo até o dia seguinte para a jornada seguinte. A vida para eles, até aquele momento parecia tranquila.

Nesse primeiro momento do livro eu mergulhei no mundo de Serafina, pois a narrativa da história é muito gostosa e envolvente. De cara o autor já nos apresenta as peculiaridades de Serafina, o que nos instiga a imaginar o que se esconde por trás de uma garota com habilidades tão diferentes. Principalmente pela forma como ela caça os ratos e se esconde nas brechas das paredes.

A captura dos camundongos, tímidos e propensos a erros provocados pelo pânico nos momentos cruciais, não representava mistério algum para ela. Eram as ratazanas que a faziam passar maus bocados toda a noite, e era para as ratazanas que ela tinha afiado suas habilidades. Estava agora com doze anos de idade. E era exatamente isto: Serafina, a C.O.R.


A sigla C.O.R. quer dizer “Caçadora Oficial de Ratos”. Foi uma função que seu pai, num momento em que a filha indagou o qual seria seu trabalho ali, lhe atribuiu para que ela se sentisse parte do grupo de funcionários.

Apesar de não ter frequentado a escola, Serafina era uma garota instruída. Seu pai se preocupou com que ela aprendesse a ler e escrever utilizando os livros da biblioteca da mansão. Isso a transformou numa ávida leitora que pegava emprestados livros toda vez que surgia a oportunidade. Só por essas informações vemos que há preocupação do pai em educar Serafina. Diversas passagens nos revelam uma relação de amor entre pai e filha. Porém seu pai esconde segredos sobre o passado da jovem que, até então se conformava com as respostas evasivas dele toda vez que o questionava sobre a mãe ou o porquê de morarem na mansão quando poderiam morar na cidade como muitos funcionários dali.

Mas uma tragédia acontece numa noite em que a garota caça os ratos que assaltam os porões. Serafina se torna a única testemunha. Ela não só presenciou o crime como quase se tornou vítima do homem da Capa Preta. O malfeitor fora batizado assim pela própria Serafina e esse nome o descrevia muito bem, já que ele andava trajando uma enorme capa preta.

Agora ela podia ouvir a respiração dele, o movimento de suas mãos e o farfalhar das roupas. Fagulhas a queimavam por dentro. Ela queria correr, fugir, mas suas pernas não obedeciam.
— Não precisa ter medo de nada, menina. – ele disse para a criança. — Não vou machucar você... 
A forma como pronunciou essa palavra fez os pelos da nuca de Serafina se eriçarem. Não vá com ele, pensou. Não vá.

E nesse momento da história somos transportados para uma narrativa de suspense incrível. Me senti conectada com a cena de tal forma que me apavorei por Serafina. Muito boas as descrições do autor sobre o terrível homem de capa preta que assombrou a criança indefesa, que até aquele momento era desconhecida para Serafina.

O desaparecimento da garota só é percebido no dia seguinte e mesmo com a prova de que algo aconteceu seu pai não acredita que sua filha presenciou um crime. Ele alega que Serafina é fantasiosa e que a menina desaparecida está, na verdade, perdida na floresta ao redor da casa. Floresta essa, que o pai proibiu Serafina de adentrar desde que ela aprendeu a andar.

Inconformada a jovem procura o garoto Vanderbilt, Braeden, sobrinho do senhor e senhora Vanderbilt. Serafina imagina que ele vai acreditar nela por ser jovem e acredita que ele tem a mente aberta, diferente dos adultos moradores da mansão que ela sorrateiramente observava.  Mesmo proibida de se mostrar para as pessoas, Serafina goza da vantagem de conhecer cada canto, de cada cômodo e tem a proeza de se esconder perfeitamente quando preciso. Assim ela vai em busca da ajuda de Braeden e sua vida, a partir daquele momento, não será mais a mesma.

A amizade improvável entre uma garota franzina e suja e um jovem rico e órfão torna a trama mais emocionante. Braeden foi tocado pela peculiaridade da garota que apareceu do nada com a história miraculosa sobre o sumiço da menina que estava hospedado na mansão dos seus tios. O Capa Preta havia sumido com ela. O mais interessante é que ele acredita nela e embarca na aventura da busca pelo malfeitor que fará novas vítimas. Nessa jornada os dois vão passar por mal bocados e se deparar com a Capa Preta em pessoa. Sobrenatural ou real?


Nosso caráter não é definido pelas batalhas que vencemos ou perdemos. Mas sim pelas batalhas que ousamos lutar.

Esta é uma história com muito suspense, baseada em amizade, emoções e descobertas. No desenrolar da trama a jovem vai descobrir quem ela é de verdade e qual o seu lugar nesse mundo. Eu fiquei encantada com esse livro por ter sido uma leitura muito divertida e emocionante. Passei o livro todo tentando desvendar a identidade da Capa Preta e me surpreendi no final. Amei demais a personagem Serafina e suas estranhezas, mas, principalmente, curti sua interação com Gideão, o cachorro de Braeden. O cachorro rouba as cenas que aparece com seu porte e sua braveza. Ele chega a rosnar para Serafina, que, aos poucos ganha a confiança do animal.

Serafina e a Capa Preta é o primeiro livro da série e o único traduzido e já publicado no Brasil. Estou ansiosa pelas próximas publicações. Eu indico essa história para leitores pré-adolescentes e adolescentes pelo fato do livro abordar o tema amizade e crescimento pessoal num tom lúdico. Indico, também, para leitores que gostam de mistério e curtem uma leitura leve e divertida.


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

Serafina e a Capa Preta
Serafina #1
Ano: 2018
Páginas: 240
Editora: Valentina
Sinopse:
Serafina nunca teve motivos para desobedecer ao seu pai e se aventurar além da Mansão Biltmore. Há espaço de sobra para ser explorado naquela casa imensa, embora ela precise tomar cuidado para jamais ser vista. Nenhum dos ricaços lá de cima sabe da existência de Serafina; ela e o pai, o responsável pela manutenção das máquinas, moram secretamente no porão desde que a garota se entende por gente.
Mas quando as crianças da propriedade começam a desaparecer, somente Serafina sabe quem é o culpado: um homem aterrorizante, vestido com uma capa preta, que espreita pelos corredores de Biltmore à noite. Após ela própria ter conseguido – depois de uma incrível disputa de habilidades – escapar do vilão, Serafina arriscará tudo ao unir forças com Braeden Vanderbilt, o jovem sobrinho dos donos de Biltmore. Braeden e Serafina deverão descobrir a verdadeira identidade do Homem da Capa Preta antes que todas as crianças...
A busca de Serafina a levará ao interior da mesma floresta que tanto aprendeu a temer. Lá, descobrirá um esquecido legado de magia, que tem relação com a sua própria origem. Para salvar as crianças, Serafina deverá procurar as respostas que solucionarão o quebra-cabeça do seu passado.


Para a Editora Valentina, leitura é, acima de tudo, entretenimento.
Olho vivo e faro fino.
Esse é, na verdade, o lema de todo grande editor. E a pinscher dessa editora encarna esse lema como ninguém.