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08/03/2019

Resenha : Kurt Seyit & Shura


— Nós sempre pertencemos um ao outro, Shura, e sempre pertenceremos, não importa o que aconteça. Nós estamos no sangue um do outro, nas lembranças do outro. Isso nunca vai mudar, não importam as condições.

Olá faroleiros, 

Arrumem-me lenços de papel porque estou aos prantos! A resenha de hoje é da obra que foi digna de uma série e me encantou pela segunda vez: Kurt Seyit & Shura, de Nermin Bezmen, publicado pela Pedrazul Editora. Ela é linda, ela é triste, ela é alegre e ela é emocionante como toda boa história deve ser. O livro conta a história de Alexsandra Verzhensky, Shura como era carinhosamente chamada, e Kurt Seyit Eminof e seu amor em tempos de guerra.

O brilho que viu nos olhos de Seyit não era diferente do que havia nos seus próprios. Talvez nunca voltasse a se encontrar, mas ela havia se tornado sua prisioneira, uma prisioneira para toda a vida, e tudo por cauda de um simples olhar.


Rússia, 1916. Shura chega a Moscou juntamente com sua irmã Valentina para acompanhar uma cirurgia do seu pai. Lá, elas ficam hospedadas na casa de seu tio Andrei Borinsky. Entre bailes requintados da sociedade, Shura conhece o primeiro tenente da guarda do Czar Nicolau, Kurt Seyit. O amor entre eles é instantâneo. Shura tem apenas 15 anos nessa época, mas cada momento com seu amado, mesmo que fosse inocente a ponto de congelar com um beijo, deixava os dois mais apaixonados.

Intoxicada pelo calor daqueles lábios impetuosos e sem saber o que fazer, Shura fechou os olhos por um instante e, de repente, estava nos seus braços. Para não assustá-la, ele apenas a abraçou por um tempo.  Shura apoiou  a cabeça no peito de Seyit, sentindo o coração acelerar.

Kurt Seyit está prestes a partir, com 24 anos ele não promete nada a moça. Mas Shura queria tudo que Seyit pudesse oferecer. Então, ela toma a decisão de viver cada minuto que tenham e se entrega pela primeira vez a um homem. É o momento mais sublime da vida deles.

A guerra castiga os jovens soldados. Kurt Seyit perde seu amigo Vladimir na guerra e ele próprio é ferido. Ele volta do front, mas encontra uma revolução civil em andamento, onde Petro Borinsky, amigo de Kurt Seyit e primo de Shura, se mostra um traidor do czar.

— O pior aconteceu, Kurt Seyit. O czar enviou um telegrama para o general Khabalv de seu quartel general no front. Recebemos ordens para suprimir os protestos. Os manifestantes estão se dirigindo ao centro da cidade, carregando tochas e armados. Mischa acabou de deixar sua unidade e foi para o confronto. Eu ficarei nas imediações do palácio. Não são boas notícias Seyit, não são boas notícias mesmo. Vai ser horrível!

Cecil, oficial da guarda, e Tatiana, diretora do balé Bolshoi, amigos de Kurt Seyit e Shura, também sofrem com a violência dos revolucionários. Todos os ricos e de alta classe da sociedade são perseguidos e obrigados a entregar suas riquezas. Os oficiais são presos e executados. Nesse meio tempo, Kurt perde mais um amigo, Mischa. Isso o leva a tomar a decisão de fugir de Moscou de volta para a região da sua família na Crimeria.

As coisas melhoravam à medida que se aproximavam do sul. Aldeias e campos saqueados e queimados pareciam dar lugar a um novo mundo. A temperatura também tinha aumentado. Uma brisa agradável com perfume dos campos, entrava pela janela. Os passageiros sentiam-se um pouco melhor.

Shura está de volta a sua casa Kilosvodsk. Seu coração nunca esqueceu seu amado Primeiro-Tenente. Ela tentou corresponder-se com ele elo longo período da batalha, mas não tinha notícias dele.

Onde estaria... Seyit? Ela ficava deprimida só de pensar no amado. Aquela altura deveria tê-lo perdido para sempre. Não fazia ideia se ele tinha recebido suas cartas, pois nunca recebeu uma resposta.

Quis o destino que, em meio à fuga, Shura e Kurt se reencontrassem. Ele não havia esquecido um só dia do seu amor. Mesmo que outras mulheres deitassem em sua cama, era em Shura que ele pensava. A doçura e a inocência dela o acompanharam por todos os meses que passaram separados. E daí os dois não se separaram mais.

— Você não me quer?
Seyit abraçou-a.
— É claro que sim minha pombinha. Eu só não quero que você se arrependa de alguma coisa quando chegarmos a Alushta.
Shura beijou a mão dele que repousava em seu ombro e murmurou:
— Eu nunca me arrependi de nada que fiz com você, Seyit, nada mesmo.

Acompanhados do casal, Cecil e Tatiana Shura e Kurt Seyit empreitaram uma fuga alucinante. Perseguidos pelos revolucionários e, principalmente de Petro Borinsky, que parecia nutrir um ódio incomum por Kurt Seyit, eles chegam a Crimeria e, de lá partem para a Turquia. Mas muitos problemas acontecem nessa fuga, problemas que trazem o conto de fadas do casal para a vida real.


Posso dizer, sem sombra de dúvidas que eu jamais irei esquecer a história dos protagonistas desta obra. Para viver esse amor, Kurt Seyit e Shura enfrentaram barreiras morais, tradicionais e civis intensas. Fora que a Shura, sem sombra de dúvidas, foi uma mulher a frente da sua época. Ela abandonou a família e tudo que conhecia para estar ao lado do amado. Ela se expôs ao perigo e ao julgamento de todos ao redor, destemidamente. Ela não mediu esforços para viver um grande amor.

Incapaz de resistir por muito tempo, Shura fechou os olhos, um sinal de submissão que encorajou Seyit a cobrir os lábios dela com os seus. O sabor daquele lábio sem maquiagem — frescos e carnudos, prontos para serem beijados, mas muito tímidos para corresponder o beijo — aumentou seu desejo.

Primeiro, a experiência de ler uma história que de fato aconteceu é incrível. As cenas são ambientadas numa época difícil, um período em que a Rússia estava em guerra com a Alemanha, mas que, ao mesmo tempo, sofria com a revolução civil. E a situação só piorava ao longo do tempo.

Fora que a Rússia possui uma paisagem magnífica e a autora Nesmen Bezman soube capturá-las com maestria. A narrativa dela é muito bonita. Outro ponto que foi retratado pela autora é a tradição turca. Kurt Seyit Eminof é tradicionalmente de família turca. Foi criado dentro das tradições que são mostradas ao decorrer da história com riqueza de detalhes. Tanto que um dos pontos tristes da história foi a rejeição do pai de Seyit à Shura. O homem nunca aceitou o relacionamento dos dois.


Alguns pontos incomodaram, mas no epílogo do livro a autora Nesmen Bezman, como neta de Kurt Seyit, explica a dificuldade de colher dados precisos sobre a vida de Alexsandra Verzhensky. Por isso não sabemos muito acerca da família dela, detalhes de como ela foi criada antes de conhecer o grande amor da sua vida.

— Você ainda o ama, não é?
— Amo? Eu não sei... Há muito não me lembro quais os limites do amor. Ele representa tudo e todos que um dia eu amei. Quando olho para Seyit, eu vejo Kislovodsky e pinheiros nevados, ouço os cascos dos cavalosdas troikas e os sinos da igreja. Isso é muito mais do que amor.

O destino do casal é consequência das decisões tomadas na vida deles. Em meio à guerra, dificuldades financeiras e crises nem tudo são flores o tempo todo. Lembremos que foram vidas reais, de pessoas comuns como você e eu. Como eu já havia assistido a série (atualmente exibida na NETFLIX, com o mesmo nome), já sabia o que iria acontecer. Mesmo assim não deixou de ser menos impactante seu desfecho.

A vida tem dessas coisas e eu garanto ao leitor que, mesmo se surpreendendo com o fim, vocês irão viver uma história linda e apaixonante!


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

Kurt Seyit & Shura
Ano: 2017
Páginas: 360
Editora: Pedrazul
Sinopse:
O livro que inspirou uma fascinante série de TV, agora exibida pela Netflix, e que continua a encantar milhões de telespectadores no mundo todo.

Um best-seller instantâneo desde o seu lançamento em 1992, o romance Kurt Seyit & Shura, de Nermin Bezmen, é um clássico da literatura turca contemporânea, um drama romântico que tem como cenário a decadência do Império Russo e a Primeira Guerra Mundial. Bezmen nos conta a história de um casal que vive um amor proibido à medida que foge da onda de devastação causada pela Revolução Bolchevique. Neta de Kurt Seyit, O Lobo, que procurou refúgio no já enfraquecido Império Otomano, a autora relata a história real até então traduzida para doze idiomas.
Kurt Seyit é o filho de um nobre abastado da Crimeia e um elegante primeiro tenente da Guarda Imperial. Ferido no front dos Cárpatos e, mais tarde, procurado pelos bolcheviques, ele faz uma fuga ousada através do Mar Negro. Orgulhoso para aceitar o pagamento por um carregamento de armas que ele entrega aos nacionalistas, Seyit enfrenta anos de luta para começar uma nova vida na República Turca que surge das cinzas do Império Otomano decadente. Tudo o que ele tem é a sua dignidade e o seu amor.
Shura é a linda e inocente menina, encantada pela música de Tchaikovsky e pelas luzes brilhantes de Moscou, que se apaixona por Seyit quando tem apenas quinze anos. Uma vítima em potencial na mira dos bolcheviques devido à riqueza e à posição social de sua família, ela está determinada a seguir seu coração e acompanhar Seyit na sua perigosa fuga pelo Mar Negro.


Editora Pedrazul atualmente é a editora que mais se dedica à tradução e à publicação de obras mundialmente consagradas, algumas ainda desconhecidas no mercado editorial brasileiro, como os autores que influenciaram o estilo da mais famosa escritora inglesa de todos os tempos, Jane Austen. Também atua no segmento romance histórico e de época escritos por autores contemporâneos.

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