22 dezembro, 2020

# @efinco # Christine Féret-Fleury

Resenha :: A Garota que Lê no Metrô

*recebido em parceria com a Editora Valentina

Olá, pessoa!! Hoje eu venho escrever sobre a leitura de um livro que fala sobre leitores. Creio que, como eu, todos que amamos ler temos essa curiosidade sobre outras pessoas lendo. Então, depois de me encantar com a sinopse, eu garanti meu exemplar e comecei a leitura.

Eu curto muito esse novo olhar sobre algo cotidiano, como mesmo um leitor vivendo uma rotina quase engessada de tão repetitiva de nossa vida cotidiana, porém alguém que lê sempre tem “meios de fuga” dessa rotina. Assim, vamos descobrindo que, como boa parte dos leitores, Juliette (uma francesa, como o nome entrega e com um nome incrivelmente literário) vive mais de uma vida e, em cada viagem de casa para o trabalho, ela cria várias histórias para cada passageiro que tem um livro nas mãos.



Ela observa todos com curiosidade e ternura, como se as leituras e paixões alheias pudessem colorir sua vida tão monótona e previsível. Todos têm suas particularidades, como a idosa que folheia um livro italiano de culinária e sorri diante de algumas receitas ou a garota que lê romances e sempre derrama minúsculas lágrimas quando chega à página 247. E creio que esse seja o único defeito desse livro, não ter essa página. Mas ainda assim posso me indagar sobre o que teria nela, caso houvesse uma página 247 nessa história (mas preciso dizer que gostei muito da resposta que Julliete, encontrou).


— Para formar um mundo... tudo é necessário — diz, com placidez. — Até mesmo um mundo de livros.


A narrativa, assim como acontece com a vida da personagem principal, ganha agilidade quando ela decide romper com a rotina e usufruir o prazer de percorrer as ruas a pé, observando o formato das nuvens, com o olhar em busca do novo. Afinal, as surpresas trazidas pela pequena Zaïde só irão aumentar quando ela conhecer o pai da pequena, o iraniano Soliman, e esse desvio mudará completamente a sua vida.

 

Aqui vamos sendo cativados ainda mais na leitura, porque os personagens são leitores que fazem com que nos reconheçamos também. Como aqueles que amam o cheiro de livro, não suportam que um livro seja usado como calço de mesa ou que dobrem a folha para marcar a página. Cada um do seu jeito e cada jeito tão igual e diferente de sentir o prazer de ler.



Com uma linguagem simples e direta, vamos reconhecendo o mundo e o tempo atual que a história se passa, mas que, com as referências e citações literárias, somos transportados para outros livros e outras histórias, exatamente como uma boa história deve ser: nos fazendo viajar e viver em outros lugares, outros tempos e ainda estar no tempo a que somos contemporâneos...

 

Dezessete. Contou-os um a um. Segurou-os, sentindo o peso, folheando as páginas. Cheirou as dobras de papel, pescando aqui e acolá frases, parágrafos por vezes incompletos, palavras apetitosas como bombons ou cortantes como laminas.


Um questionamento muito forte que esse livro traz é sobre o desapego. Você estaria disposto a dar seu livro para outra pessoa após sua leitura? Gostei muito desse questionamento por me lembrar sobre projetos como “Esqueça um Livro”, “Livres Livros” e alguns espaços para as pessoas deixarem e pegarem livros em pontos públicos. Mas a maneira que o livro aborta é ainda mais profunda, não é apenas deixar um livro para outra pessoa, é deixar amor.

 

Os diálogos são uma delícia de ler, porque são perfeitos para vivenciarmos as conversas diferentes entre pessoas de idade e vidas diferentes. Confesso que a energia de Zaïde é típica de uma criança e as conversas de trabalho dão aquela vontade de conferir se já é hora do fim de expediente. O que garante que vamos vivendo os diálogos à medida que acontecem. E que, por ser um livro curtinho, o momento quase poderia ser rápido demais, mas ainda assim é perfeito. Ideal para quem quer sair de uma ressaca literária, porque te faz pensar justamente sobre os prazeres da leitura, de indicar um livro para alguém, daqueles momentos únicos quando a história te toca de uma maneira que é difícil colocar em palavras, da curiosidade sobre o que as outras pessoas estão lendo. E, principalmente, a capacidade das histórias de unir leitores, curar, com sua cota de momentos tristes, e de criar esperanças, sem definir se a vida imita a arte ou arte que imita a vida...


— Nada é encorajador na vida. Cabe a nós buscarmos encorajamentos onde os nossos olhos, ou o nosso entusiasmo, a nossa paixão, a nossa... ora, onde qualquer coisa seja capaz de descobrir esses encorajamentos.



Sobre a edição só tenho a elogiar o que é padrão Valentina de qualidade. Com uma orelha que mantém a integridade da capa e que traz informações deliciosas sobre o livro. Uma capa linda e condizente com a leitura. Papel com impressão e diagramação que, além de tornar a leitura fácil e agradável, também mostram um carinho e beleza para com o livro e seus futuros leitores. Falando sobre isso, amei de todo coração o fato que todas as citações literárias de "A Garota que Lê no Metrô" estão referidas no fim da obra. Assim, como eu, você poderá aprofundar-se neste rico universo narrativo, lendo os livros referenciados ou confirmando se acertou a referência daqueles que já leu. Durante a leitura não observei nenhum erro de ortografia ou digitação. Boa leitura.



Nota :: 


Informações Técnicas do livro

A Garota que Lê no Metrô

Christine Féret-Fleury

Tradução: Maria de Fátima Oliva Do Coutto

Ano: 2020

Páginas: 160

Editora: Valentina

Sinopse:

As viagens de metrô para o trabalho, típicas da rotina, possibilitam que Juliette observe sempre os mesmos passageiros e os livros que cada um lê. Todos têm suas particularidades, como a idosa que folheia um livro italiano de culinária e sorri diante de algumas receitas ou a garota que lê romances e sempre derrama minúsculas lágrimas quando chega à página 247. "Por que a página 247?", pergunta-se Juliette. Ela observa todos com curiosidade e ternura, como se as leituras e paixões alheias pudessem colorir sua vida tão monótona e previsível.

Certo dia, a jovem decide romper com a rotina e usufruir o prazer de percorrer as ruas a pé, observando o formato das nuvens, com o olhar em busca do novo. E esse desvio mudará completamente a sua vida, graças ao iraniano Soliman e sua pequenina filha Zaïde.

 

Todas as citações literárias de A garota que lê no metrô são referidas no fim da obra. Assim, o leitor poderá aprofundar-se neste rico universo narrativo.



Para comprar:

 Livro Físico


Para a Editora Valentina, leitura é, acima de tudo, entretenimento.
Olho vivo e faro fino.
Esse é, na verdade, o lema de todo grande editor. E a pinscher dessa editora encarna esse lema como ninguém.


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Um comentário:

  1. Olá Bete,
    Apesar de adorar acompanhar a experiência de outros leitores, acredito que esse livro não me chamaria muito a atenção sem uma boa resenha por trás. Adorei todo o sentimento que sentiu e transmitiu na resenha.

    Beijo!
    www.amorpelaspaginas.com

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