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15/11/2016

Resenha :: Imperfeitos




“... Entendo agora por que as pessoas leem, por que se perdem na vida de outra pessoa. Às vezes leio uma frase e ela me faz pular, me abala, porque é algo que senti recentemente, mas nunca disse em voz alta. Quero entrar na página e dizer aos personagens que os entendo, que eles não estão sozinhos, que eu não estou sozinha, que está tudo bem em se sentir assim.”

Antes de tudo você precisa saber de três coisas sobre mim:
1) A Cecelia Ahern é uma das minhas autoras favoritas  ;
2) Amo distopias (por mais que não tenha resenhado nenhuma antes); e
3) Costumo gostar mais de livros com uma pegada mais jovem, juvenil, do que adulta (porque mentalmente eu devo ser uma criança de 10 anos e não uma anciã de 21).
Por que você precisa saber disso? Porque Imperfeitos é uma distopia mais juvenil e foi escrito pela Cecelia Ahern. Consegue imaginar o quanto pirei ao saber que esse livro existiria? O quanto amei ter a chance de ler a mistura de três coisas que amo? Espero que sim, porque não consigo explicar mais do que isso. Eu queria ter lido logo quando que foi lançado, mas sabe como é, a vida nem sempre é sobre o que queremos, é sobre o que podemos.
“Se você comete um erro, aprende com ele. Se nunca comete nenhum erro, jamais será uma pessoa sábia... Quanto mais erros você comete, mais você aprende.”

Caso você não saiba, a Cecelia Ahern normalmente escreve drama e romance, porém ela resolveu se aventurar em terras distópicas e devo dizer que foi uma boa aventura, não vou dizer que é a melhor distopia que já li, mas ela começou bem, foi uma boa introdução para esse seu mundo “perfeito”. Imperfeitos não chega a ser do tipo “Nossaaaa que livro mais incrível”, porque não é, mas é um livro ok, com alguns clichês, porém com um bom enredo, uma boa narração, um bom contexto, boas lições, boas críticas. O problema é que sinto que podia ser melhor (ou talvez seja apenas a revolta de ter de esperar pela continuação, odeio esperar, mas a culpa foi minha que quis ler logo o primeiro livro, bem feito para mim). Acho que o fato de ser algo que envolve uma autora que amo escrevendo em um gênero que amo pela primeira vez, me fez esperar muito desse livro e como sempre me frustrei por criar expectativas demais. E não, o livro não é ruim, longe disso, eu só esperava mais .
“A ignorância é uma bênção. O conhecimento é geralmente uma responsabilidade que ninguém quer.”

A Cecelia criou uma sociedade que rejeita a “imperfeição”, uma sociedade onde você não pode tomar decisões erradas, não pode fazer escolhas erradas, onde não interessa se você erra de propósito ou não, se “errou” você será julgado como “imperfeito”. É uma sociedade que não admite falhas, onde você não aprende com os seus erros, porque simplesmente nem pode chegar a cometê-los. Se chegar a cometer algum erro, seja ético, moral, ou algo que julguem como “errado” (não atos ilegais; crimes e “falhas” são coisas diferentes e são tratados como tal), será julgado como “imperfeito” (tem até um Tribunal próprio para isso, com juízes, advogados... que dita as regras para a “vida perfeita”). E se te considerarem imperfeito você será desvalorizado, punido, será tratado como lixo, será tratado como se tivesse uma doença contagiosa, será odiado e não será digno de compaixão. E ainda terá que seguir muitas regras, como toque de recolher, ter uma alimentação mais simples, andar com uma braçadeira vermelha com a letra “I” no corpo mostrando para todos que é imperfeito... E você também é marcado na pele como se fosse um boi, uma vaca (sim, essa sociedade te marca como gado, como um animal). Você é marcado a ferro quente com a marca dos imperfeitos, o “I”. E a localização dessa marca depende do seu erro. Se você for considerado como desleal ao “Tribunal” (quem faz as regras e julga os imperfeitos) é marcado no peito, sobre o coração; se não seguir as regras da sociedade é marcado na sola do pé; se roubar algo da sociedade, se trapacear é marcado na palma da mão; se você mentir é marcado na língua; e se tomar decisões ruins é marcado na têmpora. Assim quem olhar para você saberá que tipo de erro cometeu e te julgará por ele.
“Descobri que as pessoas não são cruéis. A maioria não é... Mas as pessoas têm um forte instinto de autopreservação. Se algo não as afeta diretamente, elas não se envolvem.”

Imperfeitos é narrado pela jovem de 17 anos, Celestine North, que é uma garota de lógica, de preto no branco, de definições; é uma garota perfeita, é boa filha, boa aluna, boa namorada, boa cidadã, uma guria que segue as regras, que considera o sistema justo, e que julga, é preconceituosa com quem não é perfeito... Resumindo, ela “não erra”, é “perfeita” e não costuma questionar se a sociedade é justa ou não. Até que um dia, após um acontecimento ela começa a questionar as decisões do sistema, ela age por impulso, movida por compaixão, e toma uma atitude que não é permitida, uma atitude que consideram um erro. E a partir daí a sua vida “perfeita” muda e ela começa a perceber que o sistema não é tão perfeito assim, que nem tudo é preto no branco, que muitas vezes é cinza ou colorido; que injustiças podem ser cometidas, que até pessoas consideradas “perfeitas” podem ser corruptas, movidas pelo próprio interesse.
“Aquilo que você viu, está visto. Aquilo que você ouviu nunca mais poderá não ter sido ouvido. Eu sei, lá no fundo, que esta noite aprendi algo que não pode ser desaprendido. E esta parte do meu mundo que foi alterada nunca mais será a mesma.”

O livro tem outros personagens importantes para a história, mas vou focar apenas na protagonista, para não sair falando tudo o que penso (já estou falando muito). E, no começo do livro, ela é meio chatinha com essa coisa de ser “perfeita”, mas cresce e evolui bastante durante a obra, meio que sendo forte e corajosa ao mesmo tempo que é fraca e covarde, não sabendo exatamente o que fazer (ela é meio confusa até quando fala dos guris do livro, mas deixa isso para lá), ou sabia e eu que não previa o que ela ia fazer, sei lá, só sei que aguardo ansiosamente pela continuação para saber as suas próximas atitudes e decisões.
“Quando se está no fundo do poço, as vitórias são pequenas. Mas existem, apesar de tudo. Você só tem que saber distingui-las, as porçõezinhas de luz e esperança ocultas na escuridão.”

Imperfeitos por mais que seja ficção nos faz questionar a nossa realidade, porque vivemos em uma sociedade que vive apontando o dedo, que nos julga por qualquer falha, por qualquer erro que cometemos, por qualquer decisão contrária ao que maioria das pessoas acredita ser o certo. Uma sociedade que julga a nossa classe social, a nossa aparência, o que vestimos, o que comemos, o que fazemos para viver, o nosso modo de falar, a nossa educação... “Olha, fulano tem tatuagem, deve ser traficante”, “Aquele cara está comendo uma pizza inteira sozinho, por isso é gordo”, “A roupa daquela mulher está tão curta, depois reclama se ser estuprada”... Aí eu te pergunto, a vida é de quem? Antes de sair falando da vida dos outros, será que tentaram conhecer eles antes? Todos tem livre arbítrio para fazer as próprias escolhas, sair julgando quem não é igual a você não te faz melhor que ninguém, te faz ser uma pessoa ignorante, presunçosa... Vivemos em uma sociedade que julga cada escolha que fazemos sem nem saber o motivo, o porquê dela, que não se interessa em saber tudo antes de atirar pedras, então, por favor, se questione: “Eu sou perfeito?”, “Alguém no mundo é?”, “Por que eu seria melhor do que os outros?”, “Eu nunca erro?”. Não busque ser perfeito, busque ser bom. Até!  

“Aprendi que ser corajosa significa sentir medo o tempo todo. A coragem não nos domina, ela luta e enfrenta as dificuldades por meio das palavras e das atitudes que você toma. É uma batalha ou uma dança que vai se impregnando. É preciso coragem para vencer, mas é preciso muito medo para ser corajoso.”

 Nota :: 

Ficha Técnica do Livro

Imperfeitos
(Flawed # 1)
Cecelia Ahern
Ano: 2016 
Páginas: 320 
Editora: Novo Conceito
Sinopse (Skoob):
     Celestine North vive em uma sociedade que rejeita a imperfeição. Todos aqueles que praticam algum ato julgado como errado são marcados para sempre, rechaçados da comunidade, seres não merecedores de compaixão.
Por isso, Celestine procura viver uma vida perfeita. Ela é um exemplo de filha e de irmã, é uma aluna excepcional, bem quista por todos do colégio, além do mais, ela namora Art Crevan, filho da autoridade máxima da cidade, o juiz Crevan.
Em meio a essa vida perfeita, Celestine se encontra em uma situação incomum, que a faz tomar uma decisão instintiva. Ela faz uma escolha que pode mudar o futuro dela e das pessoas a seu redor.
Ela pode ser presa? Ela pode ser marcada? Ela poderá se tornar, do dia para a noite Imperfeita?
Nesta distopia deslumbrante, a autora best-seller Cecelia Ahern retrata uma sociedade em que a perfeição é primordial e quem cometer qualquer ato falho será punido. A história de uma jovem que decide tomar uma posição que poderá custar-lhe tudo.

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