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08 maio, 2020

Resenha :: Samantha Sweet, Executiva do Lar

08 maio 0 Comentários

Neste livro da Sophie conhecemos a Samantha, que é uma bem-sucedida advogada que está concorrendo a uma vaga de sócia na famosa e prestigiada Carter Spink. Ela vive em uma correria constante para garantir o seu sucesso. Infelizmente, logo após conseguir a tão sonhada sociedade, ela comete um erro tão simples, mas que pode custar a sua carreira, então Samantha sai desesperada, sem rumo, para esfriar a cabeça e descobrir como sair desta enrascada e encarar seus chefes de frente.

E assim ela vai parar em uma pequena cidade no interior de Londres. Quando chega na residência dos simpáticos, mas fúteis, Sr. e Sra. Geiger, para pedir informações, é confundida com uma candidata a empregada doméstica. Como a confusão já está armada, ela decide não desfazer a confusão, pois pretende ir embora no outro dia bem cedo, mas quando vê sua história desastre nos jornais, ela decide que como vai perder o emprego mesmo, é melhor ela ficar onde está. Ela sempre foi muito esperta e inteligente, seu QI é 158, afinal qual é a dificuldade em ser uma empregada?

Tenho uma visão súbita do rosto da minha mãe, da expressão que ela faria se soubesse onde estou agora mesmo... se pudesse me ver no uniforme... Ela iria pirar. Quase me sinto tentada a ligar para ela e contar o que estou fazendo. Mas não. E não tenho tempo para pensar nisso. Preciso lavar roupa.

O problema é que ela não sabe fazer nada, e o jardineiro Nathaniel percebe logo isso, quando ela quase põe fogo na cozinha tentando fazer um jantar.

Mas Samantha acaba tendo uma grande transformação. Com a ajuda de Nathaniel e a mãe dele. Esforçando-se em aprender a cozinhar e limpar, Samantha aos poucos supera suas dificuldades. Deixando para trás o estresse de sua carreira anterior. E, é claro, ela também encontra o amor de sua vida nos braços do lindo e musculoso jardineiro, Nathaniel. Infelizmente, Samantha fica chocada ao saber de seu ódio pelos advogados.

Levanto a tábua e tento deslizar as pernas — mas elas não se mexem. Minhas bochechas estão queimando enquanto tento interminavelmente ajeitar a tábua, virando de um lado para o outro. Como essa porra funciona?
— Na verdade, pensando bem — digo casualmente —, gosto de uma tábua de passar baixinha. Vou deixar assim.
— Você não pode passar aí embaixo! — diz Trish com riso atônito. — É só puxar a alavanca! Precisa de puxão forte... vou mostrar.
Ela pega a tábua comigo e em dois movimentos ajustou exatamente na altura certa.
— Acho que você usava um modelo diferente — acrescenta com sabedoria enquanto ela se trava de novo. — Cada uma tem seus truquezinhos.
— Sem dúvida! — digo agarrando-me com alívio a essa desculpa. — Claro! Estou muito mais acostumada a trabalhar com uma... uma... Nimbus 2000. Trish me olha, surpresa.
— Essa não é a vassoura do Harry Potter?
Porra. Eu sabia que tinha ouvido em algum lugar.

Será que ela volta e tenta ver o que salvou de sua carreira ou ela fica e vive o conto da gata borralheira às avessas com seu príncipe, quer dizer jardineiro?


O livro tem uma história muito bem construída, com tiradas hilárias, e personagens cativantes, só achei que algumas coisas demoraram muito para acontecer, este não é o meu preferido da autora, mas, com certeza, é uma leitura que realmente vale a pena para quem gosta de um bom chick-lit.

Nathaniel guarda seu caderno e me examina por um momento. Sua atenção vai de novo até o copo de vinho. Não sei se gosto de sua expressão.
— Eu já ia colocar este vinho num molho — digo rapidamente. Com ar casual, pego uma panela pendurada, coloco no fogão e derramo o vinho dentro. Jogo um pouco de sal, depois pego uma colher de pau e mexo.
Então lanço um olhar para Nathaniel. Ele só está me olhando com algo próximo da incredulidade.
— Onde você disse que estudou? — pergunta.
Sinto uma pontada de alarme. Esse cara não é idiota.
— Na... escola cordon bleu. — Minhas bochechas estão ficando bem quentes. Jogo mais sal no vinho e mexo rapidamente.
— Você não acendeu o fogo — observa Nathaniel.
— É um molho frio — respondo sem levantar a cabeça. Continuo mexendo por um minuto e depois largo a colher de pau. — Pronto. Agora vou deixar isso para... marinar. (...)
Ele sabe. Ele sabe que sou uma fraude.


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

Samantha Sweet, Executiva do Lar
Ano: 2007
Páginas: 512
Editora: Record
Sinopse:
Em SAMANTHA SWEET, EXECUTIVA DO LAR, Sophie Kinsella faz uma divertida crítica à pressa — e às pressões — da vida moderna. Com ironia e leveza, a autora mostra porque é considerada uma das principais vozes da nova geração literária na terra do velho bardo. Sucesso de público e crítica, a trama já teve os direitos comprados pela Universal.Samantha Sweet está prestes a se tornar sócia da firma de advocacia onde trabalha. Isso se ela não tivesse cometido a maior mancada de sua trajetória profissional. Um erro tão absurdamente grave, que custará à empresa milhões de libras. Completamente baratinada pelo furo, ela surta. Pega o primeiro trem para fora da cidade e vai parar na entrevista de emprego mais equivocada de sua vida. Sua natureza competitiva logo é ativada e ela decide que será contratada, sem se preocupar com o cargo.Assim, nossa heroína ganha um novo plano de carreira: como empregada doméstica de uma socialite deslumbrada. Sem nem ao menos saber como ligar o ferro de passar. Ou para que diabos serve metade dos aparelhos de uma cozinha. Mas talvez ela não seja tão incapaz como doméstica quanto imagina. Talvez, com alguma ajuda, ela possa até fingir. Será que seus patrões descobrirão que sua empregada é de fato uma advogada de alto nível? Será que a antiga vida de Samantha irá alcançá-la? E, mesmo que isso aconteça… será que ela vai a querer de volta? SAMANTHA SWEET, EXECUTIVA DO LAR é a história de uma mulher que precisa diminuir o ritmo. Encontrar-se. Apaixonar-se.

14 março, 2020

Resenha :: Amor em Minúscula

14 março 0 Comentários
*recebido em parceria com 0 Sebo Pacobello

Amor em Minúscula é um livro único e traz uma ideia que não é nova, mas é escrita de uma forma divertida e, de certo modo, um tanto filosófica a respeito da solidão e de se sentir só. Com uma narrativa em primeira pessoa, Samuel nos conta a sua história, a partir da visão que tem de si mesmo e dos acontecimentos ao seu redor.


Como o nosso personagem é um professor de Alemão, ele acaba por compartilhar conosco aquilo que ensina a seus alunos e, também, torna a leitura interessante ao compartilhar alguma de suas leituras e conhecimentos musicais e cinematográficos, de um jeito leve, como em uma conversa e não de um jeito professoral.

Despertei com uma opressão vibrante no peito. Não precisei abrir os olhos para saber que não se tratava de um aviso de enfarte. Aturdido, vi que o gato dormia placidamente enroscado em meu peito.

Os diálogos no livro são, talvez, o grande diferencial, porque em alguns momentos são introspectivos e em outros a narração das interações de Samuel, tanto com o gato quanto com as pessoas. E de certo modo tem sempre um tom de estranhamento por tudo ser uma grande novidade a ele.

Confesso que “shippei” o casal mais provável, porém longe dos que Samuel ansiava, não consegui gostar da Gabriela em nenhum momento. O Valdemar é o típico louco inofensivo e o Titus aquela pessoa que nos faz olhar fora da situação para encontrarmos as respostas.  Mas, sem dúvida, o “grande pequeno” personagem é o gato, que ganhou o nome de “Mishima” e entrou na vida de Samuel após decidir que ele seria seu humano, e foi o ponto minúsculo que alterou de forma grandiosa a vida do professor.

Pela primeira vez me dava conta que nosso valor se mede, sobretudo, pelo bem que fazemos aos demais.

O fato de Gabriela ter feito parte da vida do solitário professor, 30 anos antes, e seu reencontro ter despertado nele o desejo de continuar de onde partiu; a necessidade de cuidar, de forma apropriada, do gato tem o efeito de despertar o desejo de não mais ser só e sim ser um bom amigo a seu vizinho e, se possível, conquistar o amor, que sempre esteve em sua memória, porém havia se perdido no tempo.


Mesmo em certos momentos ganhando ares quase filosóficos, o texto não fica chato ou cansativo, em especial por serem capítulos curtos em uma linguagem coerente, que mantém os acontecimentos em permanente movimento.

É mais fácil receber desprezo do que amor. Contra aquele que o ataca você se revolta, mas o que fazer quando alguém demonstra abertamente carinho? Podemos deixar a barca do conhecimento estacionada na margem, mas deixar-se amar é algo que é mesmo preciso aprender.

As descrições dos locais são verdadeiros passeios por pontos e passagens de Barcelona, dando ao leitor aquela sensação de quem está acompanhando o autor pelo local, sem serem descritivas, ao ponto de cansar, e no ponto certo de manter o interesse na leitura.

Foi uma leitura agradável sem grandes contratempos, mas que também não teve grandes emoções, deixando tudo, o tempo todo, morno. E algumas tiradas beiraram a autoajuda sem, no entanto, soarem como tendo esse objetivo. Para mim, o que tirou o brilho da história foi o romance, sem ele teria sido um livro realmente muito bom.


A edição que eu li tem uma boa encadernação, com uma impressão e papel amarelo agradáveis para leitura, uma diagramação excelente, gostei muito da tradução. O único “porém” é o trabalho de capa e revisão que, em minha humilde opinião, deixaram a desejar.


Nota ::  3,5


Informações Técnicas do livro

Amor em Minúscula
A magia da vida está prestes a despertar um coração adormecido
Ano: 2008
Páginas: 288
Editora: Record
Sinopse:
Samuel vive fechado na solidão de seu apartamento, do qual só sai para dar aulas. Mas esse mundo isolado que construiu começa a desabar no dia em que um gato aparece à sua porta. O felino levará Samuel até Titus, um redator que lhe ensinará inestimáveis lições de vida, que o leva a reencontrar Gabriela, um amor de infância. É o início de uma aventura de revelações surpreendentes.


Para comprar:


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06 março, 2019

Resenha :: Imbatível

06 março 0 Comentários

*Resenha originalmente feita para o blog Ler Para Divertir.

Quando seu mundo desabar... Quando todos disserem que você perdeu... Quando sua mente estiver destruída... Eu ascenderei... Eu retornarei... Eu serei “IMBATÍVEL”.

Olá, pessoal! Desde que fiquei sabendo do lançamento de Imbatível, de Stuart Reardon (quem mais acha ele lindo?) e Jane Harvey-Berrick, fiquei louca para conhecer a história que permeia a capa que, no meu ponto de vista, é bem forte. Bem, dito isso vamos à resenha propriamente. 

Em Imbatível, o leitor irá conhecer Nick Renshaw, um jogador profissional de rugby. Tudo estava indo muito bem na vida do jovem jogador até quando ele sofreu uma lesão. Por causa da lesão Nick fica "meio perdido". Seu comportamento muda, suas certezas não são mais tão certas. Resumindo? Nick Renshaw passa a ser um cara inseguro em relação ao seu futuro dentro e fora dos campos. 

Ainda conhecemos Anna Scott, uma psicóloga esportiva bem conceituada. Anna foi contratada para ajudar Nick e outros jogadores no processo pela reabilitação psicológica dos jogadores. 

Ambos veem a relação existente de maneira muito profissional. Entretanto a atração entre Nick Renshaw e Anna Scott começa a ficar mais forte. Desde o primeiro encontro a "química" já era presente, mas como falei ambos queriam que a relação fosse restritamente profissional, pois a "ética profissional" impedia que um romance pudesse começar. 

Bom, a maneira como os autores colocaram as personalidades dos personagens foi maravilhosamente bem-feita e desenvolvida.

Jane Harvey-Berrick

Anna tem sim erros e segredos no seu passado, mas esses não a fazem ser uma mocinha fraca e boba. Pelo contrário, Anna Scott é a confiança em pessoa, amável e prudente. 

Nick não é colocado como perfeito. Ele é falho e os autores trabalharam muito bem isso no personagem, sem que o mesmo perca sua personalidade como pessoa e jogador de rugby. 

A história de Nick muda de rumo quando após a lesão ele perde "amigos", trabalho e noiva. Tudo acontece de uma vez, fazendo com que ele tome decisões que irão lhe custar caro. 

Nick Renshaw precisará ser IMBATÍVEL para voltar ao topo do rugby e para conquistar Anna. 

Em Imbatível o leitor irá viver a paixão que existe dentro e fora dos campos. Com personagens bem construídos, a história é bem do jeito que gosto – com detalhes que não são cansativos. Amei conhecer e compreender o que é o rugby.

Imbatível

Finalizando, deve dizer que achei o livro maravilhosamente bem escrito e bonito. Gosto de ler livros com personagens reais, que são fortes, mas possuem suas fraquezas e medos.

Parabéns, Editora Record, por investir nessa beleza de livro escrito por Stuart Reardon e Jane Harvey-Berrick

Leitura mais que recomendada.


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

Imbatível
Uma história sobre superação e amor 
Ano: 2018
Páginas: 392
Editora: Record
Sinopse:
Para Nick Renshaw, o rugby é a coisa mais importante de sua vida — mais importante até do que sua namorada, Molly. Seu empenho e sua determinação fizeram dele o garoto de ouro do rugby inglês e garantiram um contrato com um importante clube. E ele não consegue imaginar o que seria de sua vida sem isso.
Então, quando sofre uma grave lesão que pode significar o fim de sua carreira, Nick vê seu mundo desmoronar. Como se não bastasse ter a vida profissional abalada, ele ainda é abandonado e traído pelas pessoas que mais ama.
Sozinho e sem rumo, Nick está lutando com todas as suas forças para recomeçar do zero. Mas há alguém que parece capaz de ajudá-lo: Anna Scott, sua psicóloga. O problema é que nenhum dos dois consegue negar a atração que sente pelo outro — e manter a relação estritamente profissional se torna mais difícil a cada dia que eles passam juntos.
No entanto, quando o passado de Nick volta para assombrá-los, desistir parece o caminho mais fácil para os dois. Mas será que, depois de tantos golpes do destino, eles conseguirão se reerguer e se tornar imbatíveis? 

08 fevereiro, 2019

Resenha :: A Guardiã do Farol

08 fevereiro 6 Comentários

“Conte uma história, Pew.
Que tipo de história, menina?
Uma história com final feliz.
Isso não existe no mundo.
Um final feliz?
Um final.”

Olá faroleiros,

No mês de aniversário do Clube trago um livro fantástico e doce, daqueles que te aquecem o coração: A Guardiã do Farol, de Jeanette Winterson, publicado em 2009 no Brasil pela Editora Record. Pelas palavras do próprio protagonista esta não é uma história de amor, mas de fato verão que trata-se de uma história de amor.

Algumas pessoas crescem no morro; outras no vale, a maioria vive no plano. Eu nasci em ângulo, e assim vivi desde então.


No início do livro conhecemos Silver, uma criança inocente, nascida de um relacionamento de sua mãe e um marinheiro que aportou na pequena cidade de Salts.  Como qualquer marinheiro que passava naquele lugar, o homem logo foi embora deixando uma mãe solteira com um filho fora do casamento. Como Salts era uma cidade tradicional, mãe e filha foram banidas de lá e obrigadas a morar na falésia. O lugar acidentado obrigava as duas a viverem amarradas uma a outra e em ângulo acima da cidade.

Minha mãe e eu tínhamos que nos amarrar uma à outra com cordas, como um par de alpinistas, só para poder chegar à porta de casa.

Em um acidente trágico a mãe de Silver falece e ela passa a ser cuidada pela Srta. Pinch, uma professora solteirona e ranzinza. Só que a mulher não tinha planos de ficar com Silver e tratou de fazer um anúncio na porta da igreja sobre a disponibilidade de adoção da garota. Sem herança e apenas com um cachorro, o  Dogjin, que na descrição de Silver tinha as patas traseiras menores que a dianteira, a pequena órfã encontrou dificuldades para achar um lar adotivo.


Então Silver é adotada pelo enigmático e cego Sr. Pew, o guardião do farol. Tocado pela situação da menina, Pew promete ensiná-la para ser a próxima guardiã do farol. E é isso que ele faz.

Pew mostra a Silver todo o trabalho de um faroleiro. Ele lhe conta histórias de Babel Dark, de como o lugar foi construído e sua própria história que se confunde com a do farol. Mas Pew levará à jovem o ensinamento mais importante da sua vida: o amor.

Pew sempre dizia 'cuidar da luz', como se fosse um filho seu que ele pusesse para dormir.Observei-o mexendo nos instrumentos de cobre, que ele conhecia perfeitamente pelo tato, ouvindo os estalidos dos mostradores que lhe diziam como estava a luz.

Quando Jeanette Winterson nos apresenta Silver, sua condição naquele momento era difícil. Mas a autora conseguiu de forma suave, e até mesmo engraçada retratar a situação da pequena que vivia nas falésias. Por mais que eu estivesse lendo um período triste da vida de Silver, fiquei curiosa para continuar e conhecer mais da sua história.


O livro A Guardiã do Farol é uma maneira impressionante de retratar o amor em sua forma mais pura. O romance entre um casal não é a ideia central da obra. Jeanette nos mergulha num mundo de contar histórias e como elas podem nos acalentar, transformar e guiar. 

Uma criança nascida por acaso poderia imaginar que o Acaso era o seu pai, assim como os deuses faziam filhos e depois os abandonavam, sem olhar para trás, mas deixando um pequeno presente. Fiquei pensando qual teria sido o meu presente. Não tinha ideia de onde procurar, e nem do que procurar, mas agora sabia que assim começam as viagens mais importantes.

A única coisa que me incomodou foi a transição de Silver de criança à fase adulta, pois não identificamos com clareza em qual momento da história acontece. O que ameniza esse incômodo é que sua personalidade é tão agradável que muitos não irão nem se importar e tão pouco impactará negativamente na leitura. Então não se preocupem.


Já Pew é um personagem muito bem construído pela autora. Todo o mistério acerca da sua idade traz um tom mágico à história, já que a sua própria vida se confunde com a fundação do farol.

— Quando foi que você embarcou no novo McCLoud? Estava no estaleiro em Glaslow? 
— Eu não falei do novo McCloud — disse Pew. 
— Pew, você não tem  duzentos anos de idade. 
— E isso é verdade. — disse Pew, piscando os olhos como um gatinho. 
— Claro, isso é verdade.

Posso garantir a vocês que a sensação que tive era de que lia um livro dentro de outro livro. As histórias contadas por Pew têm como personagem central Babel Dark, um religioso que viveu em Salts muitos anos antes. Babel Dark tinha personalidade difícil e dividia-se em duas vidas, uma na pequena Salts com mulher e filho, e outra secreta, fora dali. Dessa forma Pew a ensina sobre várias coisas e consegue mostrar a Silver um mundo fora do farol que ela não conhecia.

Não existem vestígios de amor no registro fóssil de nossa existência. Você não será capaz de encontrá-los guardados na crosta da terra, esperando ser descobertos. Os longos ossos de nossos ancestrais nada revelam sobre seus corações. Suas últimas refeições estão às vezes preservadas em turfa ou gelo, mas seus pensamentos e sentimentos desaparecem.

A leitura nos envolve em cada um dos seus desdobramentos. Quando nos damos conta estamos presos a ela e ancorados a cada palavra proferida pelo narrador como um navio que se encontra a deriva e, de repente, é guiado pela luz do farol. A leitura foi um deleite do início ao fim.


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

A Guardiã do Farol
Ano: 2009
Páginas: 224
Editora: Record
Sinopse:
Quando fica órfã, Silver é acolhida pelo Sr. Pew, o velho guardião cego do farol do cabo Wrath. Aos poucos, desenvolve-se uma relação de cumplicidade entre os dois, alinhavada por antigas histórias de saudade e solidão, de viagens através do espaço e do tempo, de paixões e traição.