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19/10/2017

Conto :: Forasteiro



Robert foi a última das crianças a acordar, ele vivia com a família em um orfanato que estava aos cuidados de seus pais, tinha 11 anos e era muito levado. Seus outros três irmãos e duas irmãs eram um pouco menos, mas ele era o explorador, o que se aventurava, saía cedo limpo e voltava já à noite completamente sujo.

Sua casa era movimentada, sua família já enchera os acentos da mesa. Seu pai acordava e saía mais cedo que todos. Sua mãe acordava logo após seu pai para já começar a fazer a comida de todos. Seus irmãos mais velhos já começavam a aprender alguns ofícios para o bem da comunidade e os mais novos ficavam em casa fazendo bagunça e barulho. Ele saía por aí explorando as florestas, se arranhando e caindo, voltando cheio de poeira e lama com a lua já brilhando no topo do céu.

Aquele dia estava sendo um dia glorioso.

No meio da floresta havia um cachorro que estava arrumando encrenca com alguns aldeões, Robert foi até ele e deu-lhe uma bela surra com um pedaço de madeira. Até ganhou um pouco de dinheiro e um elogio de um estranho que passava no momento da grande batalha contra a fera: "Grande guerreiro você é". A frase ficava se repetindo em sua mente. Ele não era apenas um guerreiro, mas sim um Grande guerreiro. Sim, um dia incrível e glorioso, realmente.

No caminho de volta para casa, ele encontrou o mesmo estranho que o elogiara mais cedo. Ele estava sentado em um lugar onde se poderia ver todo o vilarejo e ele parecia apreciar o pôr do sol.

— Ah! Grande guerreiro! Se sente comigo um pouco. — O estranho disse, seu robe e capuz eram completamente vermelhos, assim como seus cabelos e barba.

— O que o senhor está fazendo?

— Apreciando o lindo trabalho de formigas.

— Formigas?

— Sim! Olhe bem para elas, imagine quantas vezes elas já fizeram esses movimentos de trabalho, quantas vezes elas vão para suas casas cansadas, jantam suas comidas medíocres e se deitam em suas camas medíocres.

— Não sei o que significa.

— O que?

Mediôcres.

O estranho deu uma boa gargalhada sobre como Robert pronunciara a palavra.

— Quer dizer "mais ou menos", nem bom nem ruim. Apenas é.

— Isso é ruim?

— E como, qual a graça de uma vida onde você não sofre e muito menos se diverte?

— Eu prefiro ser medíocre do que sofrer.

— Uma pena que pense assim.

Nesse momento o estranho agarrou os cabelos de Robert e o puxou para trás, deixando toda a sua garganta exposta, logo ele passou uma lâmina na garganta do garoto, que logo começou a engasgar com seu próprio sangue.

— Hora do show, criança.

O homem começou a fazer alguns movimentos com suas mãos e recitar algumas palavras que Robert entendeu, pois não prestara muita atenção, estava mais preocupado em não sangrar até a morte.

Uma grande coluna de chamas cobriu toda a vila, queimando lentamente seus habitantes, Robert pode ouvir os gritos de seus irmãos, seu pai e sua mãe, todos eles queimando. O cheiro era forte.

— Não desmaie, garoto. Olhe para mim, nos meus olhos! — Ele não tinha olhos. — Se sobreviver, diga que o Demônio Escarlate esteve aqui.

Então, tudo escureceu.

Um comentário:

  1. Thanks for the share! I always love checking out your blog. Keep up the posts.
    Scarlett

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