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27/04/2019

Resenha :: Fale!


Olá, faroleiros. Vim escrever sobre um livro que já estava na minha lista de quero ler a algum tempo, e ganhou prioridade quando vi o novo lançamento da autora. Quero escrever sobre Fale!, principalmente, porque resenhar é uma maneira de eu absorver e me libertar do que o livro trouxe pra mim.


Fale! é narrado por Melinda, que vai nos contando um pouco sobre como é sua chegada ao ensino médio, e porque tudo ainda é pior para ela do que para os outros alunos. Melinda é alguém que não está conseguindo falar ou comunicar de qualquer forma o que houve  com ela, para que possamos entender o porquê dela ter perdido os  poucos amigos que tinha e acabar isolada e jogada para escanteio. Vítima do já conhecido bullying escolar e cada vez mais isolada da vida social da escola.

Mas sentimos que existe algo errado, que algo não está certo e ela ganha nossa simpatia e uma vontade imensa de entender o que está errado com ela, porque ela ligou  para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia. Aliado a isso, o despreparo aliado a falta de motivação dos professores e profissionais da escola, dão uma dimensão de que o problema se agrava ainda mais.

Lógica Kodak, aparência é tudo. Só nos comerciais de TV esse tipo de coisa funciona.

O fato de agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra — insultos e deboches, sim — ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Começamos a entender a dinâmica familiar que a cerca e porque isso parece ajudar ao problema, mas do que ajuda-la  a se livrar dele, e à medida que vamos conhecendo a história não contada de Melinda, mais queremos pode saber para ajuda-la. E dia a dia durante a história a vemos murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir.


É impressionante ver que, muitas vezes, cometemos o mesmo erro. De como alguém mordido por uma cobra se concentra tanto na mordida, que se esquece do veneno circulando pelo organismo, enfraquecendo, adoecendo e matando a quem está tão atordoado com a mordida que esqueceu o que ela causa, os danos que provoca. E assim, é impossível não sentir o coração apertado com a dor de Melinda e parar de ler, tentar entender como se isso fosse ajuda-la. Vê nas aulas de artes uma chance, um abrigo que poderá ser a passagem pela qual era irá retomar a vida e enfrentar seus demônios e responder, falar, gritar: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa?

Quando as pessoas não se expressam, vão morrendo aos poucos. Você ficaria chocada se soubesse quantos adultos estão realmente mortos por dentro, vivendo sem ter ideia de quem são, só esperando um câncer, um infarto ou um caminhão surja e acabe com, eles .É a coisa mais triste que conheço.

Me lembrei do poder da palavra, da confiança que só uma amizade é capaz de despertar em alguém, na nossa eterna necessidade de segurança em várias áreas da nossa vida. E que descobrir que se pode contar com alguém, pode ser libertador e, ao mesmo tempo, a centelha de esperança que tudo vai dar certo, tudo vai ficar, de alguma maneira, melhor. Afinal, alguém ouviu, escutou, prestou atenção e deu a devida importância às palavras ditas, a verdade que elas contêm.


Fale! Falar pode ser o que vai trazer justiça ou evitar que se repita, que o círculo vicioso da impunidade continue. Que a vítima vai conseguir ouvir e entender sua própria história e finalmente se dar conta de que não é culpa da VÍTIMA. Nada dá o direito de outra pessoa fazer qualquer coisa contra a vontade de alguém. Que campanhas como Não é Não, Depois do não é assédio são tão importantes, necessárias. A mensagem impressa nas páginas de Fale! é realmente poderosa, do tipo que é impossível ler e não ter algum tipo de emoção a respeito do texto. Eu compreendo que algumas verdades são terríveis de serem lidas ou ditas em voz alta. 

Não foi culpa minha. Ele me machucou. Não foi culpa minha. E não vou deixar que isso me mate. Posso crescer.

Mas Fale!, a história de Melinda, vem nos mostrar que o calar, silenciar é ainda mais devastador que qualquer dor causada pela verdade, que sempre vai libertar e proteger. Então, FALE! Grite, faça com que a sua voz seja ouvida por você e por quem vai te ajudar. Porque você não está sozinha, não está sozinho e que, quando falar, vai ver que eu tenho razão.


No Brasil, você pode contar com o CVV — Centro de Valorização da Vida —, para apoio emocional, ligue 188 ou acesse www.cvv.org.br. Nessa central de telefone, você pode conversar com um voluntário que vai te ouvir. A ligação pode ser feita de todo o território nacional, 24 horas todos os dias, de forma gratuita.

E claro, pode vir para o Clube ler com a gente, conversar no Whatsapp e descobrir que tem uma turma maravilhosa nesse Clube, que lembra que viver vale a pena, lutar para continuar é bem mais fácil quando estamos no meio de outros leitores que sabem o poder da palavra escrita e falada.


Sobre a edição: é uma das coisas que mais amo na editora Valentina, a capa, além de linda, é feita para quem leu o livro. Chama a atenção de quem não leu? Sim! Mas ganha um significado maior e ainda mais especial para quem leu a história. Tradução, ortografia perfeitas, diagramação caprichada, e extras que tornam a leitura ainda mais especial e ótima para alimentar debates sobre o livro.


Nota ::  4,5


Informações Técnicas do livro

Fale!
Ano: 2013
Páginas: 248
Editora: Valentina
Sinopse:
“Fale sobre você... Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia. E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra (insultos e deboches, sim) ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir.
Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa?
Um romance de estreia extraordinário; uma obra-prima vencedora (e finalista) de inúmeros prêmios sobre uma jovem que opta por calar em vez de dizer a verdade. Fale! encantou tanto leitores quanto educadores, alunos e professores. Um romance transformador, corajoso, capaz de fazer refletir sobre temas fundamentais – porém espinhosos como o bullying – do cotidiano dos adolescentes.
Fale! recebeu o “Altamente Recomendável” norte-americano para leitura escolar. Foi transformado em filme (O Silêncio de Melinda) em 2004, com Kristen Stewart, da saga Crepúsculo, no papel da protagonista.

Fale! é um livro impactante e corajoso, que incentiva a reflexão e o debate. É para ser lido com o coração e, principalmente, relido com a alma.


Para a Editora Valentina, leitura é, acima de tudo, entretenimento.
Olho vivo e faro fino.
Esse é, na verdade, o lema de todo grande editor. E a pinscher dessa editora encarna esse lema como ninguém.

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