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03/08/2019

Resenha :: Lady Killers: Assassinas em Série


Olá, leitores! Hoje eu venho falar de um livro com uma capa linda. Porém quem vê capa não vê conteúdo; e gostaria de compartilhar sobre a minha experiência de leitura com você.


Esse livro teve uma inspiração diferente da usual, de uma coluna da escritora e tem um viés de dossiê, mas até pelas datas dos crimes, não chegaria a tanto. Para mim, ficou mais para um documentário sobre assassinas em série e seus crimes, comprovados ou não ao longo dos últimos séculos e uma nova visão sobre os fatos, julgamentos sumários ou não, e até mesmo o que foi alardeado sobre durante a época em que ocorreram.

Outro questionamento é sobre como a mídia ou o senso popular e a "justiça" interpretavam os crimes e os assassinatos em séries cometidos por mulheres, principalmente a forma errônea que os atribuía a hormônios ou ao conceito de não reciprocidade afetiva. Além do mais, mostra de forma clara que elas nada tinham de apenas insanas, e sim com graus variados de inteligência, imprudência e egoísmo, por vezes até um senso de vingança, que as levava a fazerem o que fosse necessário para mudar os rumos de suas vidas para o que elas entendiam como de seu direito ou simplesmente ao seu alcance. E, muitas vezes, de forma tão elaborada que não deixava quase nenhum rastro, com crimes quase perfeitos.


De forma nada "corporativa" a autora convida a tirar a aura de sexo frágil, vovó gentil, mãe carinhosa, perfeita esposa, dona do lar acima de qualquer suspeita para mostrar que, assim como os mais perigosos assassinos, as mulheres são eficientes em mostrarem a imagem que querem que as pessoas vejam e acreditem. Até o limiar da mentira e a verdade exposta sem cerimônia. 

A autora manteve uma escrita que facilitou a leitura, tornou a leitura bem compreensiva mediante as coisas que aconteceram e foram relatados no texto; além de que ela não tortura o leitor com detalhes excessivamente descritivos dos crimes, apesar de que os detalhes são macabros o suficiente para entender o grau de horror dos crimes praticados.

Outro convite irresistível é a busca pela resposta de porque a "primeira serial killer" não foi nem de longe ou perto a primeira, e em uma espécie de amnésia seletiva, se esquecia com grande facilidade dos crimes cometidos por essas mulheres, convertendo tudo em lendas urbanas e histórias de fantasmas ou até mesmo de fadas. E a questão que a mim mais chamou atenção: TODAS as mulheres possuem o chamado "amor materno" inato? Seriam todas dotadas de um irrevogável "amor de mãe", mesmo com a mente tão sombria?


Enfim, eu gostei da parte principal do livro, mas preciso explicar sobre minha nota ao livro e — surpresa — é que a nota é mais relativa à edição, que tanto chama atenção por sua beleza e pelo designer gráfico muito bonito da capa e da edição em si. Aconteceu o seguinte: eu tive muito problema com o cheiro ao retirar o livro da embalagem e afetou a minha experiência de leitura porque esse cheiro foi muito forte, me fazendo adiar a leitura em quase duas semanas para conseguir lidar com o cheiro da tinta. Não sei ao certo se o fato de várias imagens (incluindo fotos) não terem legenda e outras partes terem palavras e frases totalmente em inglês, que deixam a curiosidade, mas também me deixaram chateada porque, desculpa, mas eu estou lendo uma edição traduzida em português, então eu gostaria de poder ler em minha língua aquilo que está escrito no livro.


Mais um detalhe foi o fato de as citações em destaque, no livro, serem reproduções de parte do texto e tornar a leitura cansativa, porque eu ficava lendo duas vezes a mesma coisa em tão pouco tempo. Veja bem, eu não tinha esquecido o que eu tinha acabado de ler e me pareceu ser o que vou chamar de reforço desnecessário daquele trecho. Outra coisa que me incomodou foi a marcação, que apesar de muito bonita, de um "falso marca-texto" fluorescente rosa, me tirou o prazer de eu fazer as minhas marcações com post-it. De eu perceber o que era importante para mim na leitura. Ficou parecendo quase que uma repreensão do tipo: "Leia isso aqui e preste atenção que é importante". Eu sinceramente não gostei, prefiro ser eu quem decide o que é importante ou não para ressaltar em um texto, seja ficção ou não.

Assim um livro já tem uma cor berrante, um contraste muito forte, tem disposições de imagens que, da maneira que foram dispostas, geraram um final da leitura cansativo, por ter um apelo visual muito grande. Por esses motivos, não vou ou posso dizer que foi uma leitura que a edição tornou prazerosa não, porque para mim não foi. Mas calma!!!!!! Nem tudo são coisas negativas, não.


A tradução foi o ponto forte da edição. Pequenos trocadilhos da autora ficaram incríveis, porque eu sei que eles se perderiam se não fossem as notas de rodapé durante a leitura, fatos históricos que me fizeram aprender coisas que eu achei muito relevantes para o contexto de entendimento, fatos que aconteceram e me deram uma perspectiva nova, apesar de partir de coisas que eu li nos textos.

E para concluir, eu quero dizer que não foi uma leitura ruim de modo nenhum; foi uma leitura muito boa, mas que não chegou a ser ótima por causa dos fatores que me fizeram ter problemas na minha experiência literária. E outra coisa que eu quero dizer é que, quem estiver curioso a respeito do livro, leia e tire suas próprias conclusões.


Sugestão da Editora: Lady Killers: Assassinas em Série faz parte da coleção Crime Scene®: histórias reais, de assassinos reais, indicadas para quem tem o espírito investigador. Entre os títulos da coleção estão Casos de Família e Arquivos Serial Killers, de Ilana Casoy, e o best-seller Serial Killers: Anatomia do Mal, de Harold Schechter. O livro de Tori Telfer, ilustrado pela artista salvadorenha Jennifer Dahbura e complementado com uma rica pesquisa de imagens, se junta a estas grandes fontes de estudo para alimentar a mente dos darksiders mais curiosos.

Ah! No fim do livro existem alguns anexos, que para os fãs do tema são uma fonte rica de referências sobre esse universo.


Nota ::  3,5 


Informações Técnicas do livro

Lady Killers: Assassinas em Série
As mulheres mais letais da história em uma edição igualmente matadora.
Ano: 2019
Páginas: 384
Editora: DarkSide Books
Sinopse:
Quando pensamos em assassinos em série, pensamos em homens. Mais precisamente, em homens matando mulheres inocentes, vítimas de um apetite atroz por sangue e uma vontade irrefreável de carnificina. As mulheres podem ser tão letais quanto os homens e deixar um rastro de corpos por onde passam — então o que acontece quando as pessoas são confrontadas com uma assassina em série? Quando as ideias de “sexo frágil” se quebram e fitamos os desconcertantes olhos de uma mulher com sangue seco sob as unhas?
Prepare-se para realizar mais uma investigação criminal ao lado da DarkSide® Books e sua divisão Crime Scene®. Esqueça tudo aquilo que você achava que sabia sobre assassinos letais — perto de Mary Ann Cotton e Elizabeth Báthory, para citar apenas algumas, Jack, o Estripador ainda era um aprendiz. 
Inspirado na coluna homônima da escritora Tori Telfer no site Jezebel.com, Lady Killers: Assassinas em Série é um dossiê de histórias sobre assassinas em série e seus crimes ao longo dos últimos séculos, e o material perfeito para você mergulhar fundo em suas mentes. Com um texto informativo e espirituoso, a autora recapitula a vida de catorze mulheres com apetite para destruição, suas atrocidades e o legado de dor deixado por cada uma delas. 
As histórias são narradas através de um necessário viés feminista. Telfer dispensa explicações preguiçosas e sexistas e disseca a complexidade da violência feminina e suas camadas. A autora também contesta os arquétipos — vovó gentil, mãe carinhosa, dama sensual, feiticeira traiçoeira, entre outros — e busca entender por que as mulheres foram reduzidas a definições tão superficiais. 
Além disso, questiona a “amnésia coletiva” a respeito dos assassinatos cometidos por mulheres. Por que falamos de Ed Kemper e não de Nannie Doss, a Vovó Sorriso, que dominou as páginas dos jornais norte-americanos em 1950 por seu carisma e piadas mórbidas (ela matou quatro maridos)? Por que continuamos lembrando apenas de H.H. Holmes quando Kate Bender recebia viajantes em sua hospedaria (e assassinava todos que ousavam flertar com ela)? A linha que divide o bem e o mal atravessa o coração de todo ser humano.
Lady Killers: Assassinas em Série faz parte da coleção Crime Scene®: histórias reais, de assassinos reais, indicadas para quem tem o espírito investigador. Entre os títulos da coleção estão Casos de Família e Arquivos Serial Killers, de Ilana Casoy, e o best-seller Serial Killers: Anatomia do Mal, de Harold Schechter. O livro de Tori Telfer, ilustrado pela artista salvadorenha Jennifer Dahbura e complementado com uma rica pesquisa de imagens, se junta a estas grandes fontes de estudo para alimentar a mente dos darksiders mais curiosos.
Através das páginas de Lady Killers: Assassinas em Série os leitores vão perceber que estas damas assassinas eram inteligentes, coniventes, imprudentes, egoístas e estavam dispostas a fazer o que fosse necessário para ingressar no que elas viam como uma vida melhor. Foram implacáveis e inflexíveis. Eram psicopatas e estavam prontas para dizimar suas próprias famílias. Mas elas não eram lobos. Não eram vampiros. Não eram homens. Mais uma vez, a ficha mostra: elas eram horrivelmente, essencialmente, inescapavelmente humanas.

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