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27/10/2020

O Ceifador (Trilogia Scythe #1)


Primeiro mandamento: matarás.


No universo de “Scythe" a morte foi superada, a imortalidade é uma realidade, ninguém mais morre por causas naturais ou acidentes, quando esse segundo acontece elas são levadas para um Centro de “revivicação” e logo podem voltar a sua vida eterna normalmente. 


...embora a morte tenha sido derrotada tão completamente quanto a poliomielite, as pessoas ainda precisam morrer. Antes, o fim da vida humana ficava nas mãos da natureza. Mas nós a roubamos. Agora temos o monopólio da morte. Somos seu único fornecedor.


Mas uma coisa é certa em um universo que ninguém mais é mortal: as pessoas ainda precisam morrer. Ainda se precisa ter um controle populacional, e o único fornecedor desse fim são os Ceifadores. 


Desde que têm idade suficiente para entender, todas as crianças aprendem que os ceifadores prestam um serviço crucial à sociedade.


Com toda certeza o universo de Scythe é um dos universos distópicos mais interessantes que eu já li. Morrer se tornou mais raro aqui, mas não impossível, os Ceifadores existem para garantir isso. O que eles fazem não é chamado de assassinato e sim “coleta”, uma função importante nessa sociedade, que todos entendem a necessidade, mas nem por isso eles acabam não sendo temidos.

 

...os ceifadores não eram muito diferentes dos cobradores de impostos no esquema geral das coisas. Eles apareciam, cumpriam sua função desagradável e iam embora.


Scythe nos leva em um mundo distópico, que também não deixa de ser próximo a uma utopia, em que não existe um Governo, tudo é quase relativamente justo pelo comando artificial da “Nuvem” Nimbo-Cúmulo, que é quase onipresente e tem o controle de boa parte da sociedade. Injustiças sociais não existem mais, mas o único setor que ela não pode interferir é a dos Ceifadores, pois foi determinado que a morte ainda deve ser uma decisão humana. Mas por não existir controle entre esse grupo, acaba que é o único com corrupção, rixas políticas e disputa por poder. E é nesse lugar que Cidra Terranova e Rowan Damish acabam caindo, e vão ter um papel importante a desempenhar contra tudo isso.


O fato de que nem todos os ceifadores eram bons nunca havia passado pela cabeça de Rowan ou Citra.


Nossos dois protagonistas, Citra e Rowan, são convidados para serem aprendizes de Ceifador, antes vivendo uma vida diferente um do outro e em lares bem opostos, ela em uma família pequena e amada, Rowan em família enorme, onde ele é apenas mais um — em um lugar que ninguém mais morre é difícil se destacar —, mas os mundos deles colide ao receberem o convite de Faraday e irão viver sob nova perspectiva. 


Esqueçam tudo o que vocês pensam saber sobre ceifadores. Abandonem suas ideias preconcebidas. Sua educação começa agora.


Eu particularmente adorei os dois protagonistas, mas principalmente Rowan, acho que a história dele no desenrolar da trama foi a que mais se destacou para mim, o desenvolvimento dele é muito bom, o jeito que ele foi treinado e como ele vai se tornando extremamente foda na arte de matar é de tirar o fôlego. Mas Citra não fica muito atrás, apesar de eu ter tido uma dificuldade maior de me conectar com ela, não se tem dúvida o quanto ela vai se tornando tão incrível, ao seu modo, quanto Rowan, ela é de uma inteligência ímpar, enquanto ele é uma verdadeira força da natureza.

 

Me tornei o monstro dos monstros, ele pensou enquanto via tudo arder em chamas. O matador de leões. O carrasco de águias.


Os personagens secundários, como Ceifador Faraday e a Ceifadora Curie, se mostraram bem interessantes, apreciaria ler mais sobre a história deles, mas o pouco que foi nos dado já garantiu minha simpatia pelos dois. Outro destaque é o Ceifador Goddard e seu séquito de Ceifadores, ele é outra força da natureza, uma força destruidora carismática, mas um filho da p*ta de marca maior, ele ama o que faz, ama seu poder e ter a decisão entre a vida e da morte, que tem um prazer por coletas em massa sem misericórdia, e que está mais para um assassino do que um Ceifador. 

 

— Sou o fim de vocês! — disse Goddard em tom de declamação. — Sou sua execução! Sou seu portal para os mistérios do além-vida!


Enfim, eu me empolguei demais com a história contada aqui. Poucas coisas de fato eu conseguia prever o que aconteceria, e isso é uma coisa incrível levando em consideração que leio uma quantidade grande de livros desse gênero. E a escrita do autor é ótima, me prendeu do início ao fim, os plot muito bem feitos, o final deixou poucas dicas como vai se desenvolver o próximo livro, mas ao mesmo tempo foi incrível.

 

Resumindo: LEIAM. E não irão se arrepender, o universo de Scythe é excepcional.



Nota :: 


Informações Técnicas do livro

O Ceifador

Scythe #1

Neal Shusterman

Tradução: Guilherme Miranda

Ano: 2017

Páginas: 448

Editora: Seguinte

Sinopse:

A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - um papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a "arte" da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão - ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais -, podem colocar a própria vida em risco.


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