31 outubro, 2018

Resenha :: A Intrusa

outubro 31, 2018 5 Comentários

Não sei você, mas quando eu estava no ensino médio, ao estudar literatura, a minha professora pedia para que lêssemos, a cada dois ou três meses (ou até menos), livros clássicos nacionais (ou até portugueses) do período literário que estivéssemos estudando no bimestre. E por isso conheci obras clássicas de diversos autores nacionais, como Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Aluísio Azevedo, Raul Pompeia, Álvares de Azevedo, Gonçalves Dias, Eça de Queirós... entre muitos outros.

Mas entre tantos livros e autores, foram pouquíssimas autoras. Se a minha memória não estiver me enganando, as únicas autoras nacionais que li algo, quando estudava literatura no ensino médio, foram Rachel de Queiroz, Cecília Meirelles e Clarice Lispector. E todas elas nasceram já no século XX. E as autoras do século XIX? Cadê? Pode não parecer, pensando só em autores “famosos”, mas elas existiam e mereciam mais destaque e não serem esquecidas. Uma das autoras nascidas no século XIX é a Julia Lopes de Almeida, autora do livro da resenha de hoje.
A romancista (contista, cronista e teatróloga) Julia Lopes de Almeida nasceu em 1862, no Rio de Janeiro, e desde muito nova tomou gosto pela escrita, porém, por causa das possibilidades limitadas da época, resolveu escrever escondido, mas o segredo não durou muito, e contrariando as expectativas, foi incentivada pelo pai que a inseriu no meio literário, começando a escrever em revistas e jornais, contando até com resenha de livro (só eu que acho que ela poderia ser uma bela blogueira?). Tempos depois disso, publicou contos, crônicas, peças de teatro e romances, ainda no século XIX e também no XX.

No final do século XIX, em 1897, a Julia, junto com o seu marido, Filinto de Almeida (com quem havia se casado aos 25 anos), fez parte das discussões iniciais que deram origem a Academia Brasileira de Letras. Sim! Ela fez parte do grupo que fundou a ABL! E, devido à sua contribuição e ao seu “peso literário” na época, o seu nome até constava na lista feita por Lúcio de Mendonça em “O Estado de S. Paulo”, seis meses antes da fundação da Academia, em que contava com os quarenta nomes que pareciam merecer serem reconhecidos como fundadores da ABL. Maaaaaas, mesmo sendo conhecida como a maior escritora do seu tempo, foi excluída simplesmente por ser mulher, com a sua “vaga” ficando para o seu marido, Filinpo.

E assim seu nome foi apagado da história de algo tão marcante, junto com outras escritoras importantes, pois só admitiram mulheres, em 1977, quando a Rachel de Queiroz foi eleita para uma cadeira. É meio triste e decepcionante, né?! Alguém ser “excluído” de algo em que colaborou desde o princípio, simplesmente por causa do sexo.

Júlia é uma autora magnífica. Não é nenhum favor resgatá-la. Ela é um caso absurdo de escritora que não está no cânone literário por puro machismo. Ela é muito superior à grande maioria dos autores de sua época. Os únicos que se equipararam naquele momento são Aluísio Azevedo e Lima Barreto. (Escritor Luiz Ruffato)

Bom, agora temos que parar de falar dessa autora fascinante (vou deixar algumas dicas de artigos e publicações sobre ela no final da resenha, porque sim), e vamos, finalmente, à resenha de um de seus romances, A Intrusa, publicado em 2016 pela Pedrazul.


As asas do tempo têm forte envergadura; não cansam de voar, mas levam às vezes consigo penas que se não mudam, embora fiquem disfarçadas entre outras que vão nascendo...

Narrado em terceira pessoa, A Intrusa se passa no fim do século XIX, no Rio de Janeiro, em plena Belle Époque. Nele conhecemos o advogado Argemiro, que é viúvo há nove anos, e está querendo melhorar a ordem na sua casa, ou melhor dizendo, diminuir a desordem, e conseguir que a visita de sua filha de onze anos, Glória, que vive com os avós (por quem é mimada), seja possível, e pensando nessas questões decide contratar uma governanta, para colocar ordem na casa e educar e cuidar da sua filha.

Com a ajuda do seu amigo, Padre Assunção, escreve um anúncio em um jornal, mas só uma candidata se apresenta à vaga, a Alice Galba, que na “entrevista” aparece toda coberta e parece não ter boa aparência, mas nada disso é um problema, já que uma condição estranha do Argemiro para contratar a governanta é a de que ele nunca deve vê-la, pois no leito de morte, a sua esposa o fez prometer que nunca se casaria novamente, então prefere evitar a “tentação”.


A Alice aceita e melhora a vida dele 200%. Sua casa se tornou impecável, limpa, com tudo em ordem, com flores, perfumada... A sua filha Glória? Cada dia mais educada e bondosa. E ele realmente nunca vê a sua governanta, apenas sente a sua presença, e se encanta por ela cada vez mais.

E o que me delicia é sentir a alma dessa criatura, que aqui tenho debaixo do meu teto, sem que nunca os meus olhos a vejam nem de relance... Ela se esconde, ao mesmo tempo em que se espalha pela casa toda. É a mulher-violeta, positivamente, não há outra comparação!

Mas quase ninguém acredita que ele nunca a vê, pensam até que ela é sua amante! A sua sogra, uma baronesa, principalmente, no auge de seu ciúme, fica tão convicta que o Argemiro está quase quebrando a promessa que fez a sua filha, que começa a considerar a Alice uma grande inimiga, fazendo de tudo para tentar tirar a governanta da vida de seu genro e de sua neta.

Sujeita-se a exercer um lugar suspeito, aceitando todas as condições que lhe impõem e revela uma sensibilidade rara em todos os atos em que podemos a apreciar... Será ela na verdade a mulher perigosa, não pelo que calcula e inventa, mas pelo que merece?

Enquanto isso, a curiosidade e a admiração de Argemiro pela sua governanta aumenta cada dia mais, e aos pouquinhos um novo sentimento vai de desenvolvendo bem sutilmente. Conseguirá a sogra ciumenta o que tanto deseja? No que resultará esse novo sentimento e a admiração de Argemiro?


É extraordinário. Desde que esta mulher entrou em minha casa eu sou outro homem, muito mais tranquilo e muito mais feliz. Nunca a vejo, mas a sinto; sua alma de moça enche estas salas vazias de juventude e de alegria.

Se você ler esse livro esperando um “romance” que acontece do jeito que estamos acostumados, vai cair do cavalo, porque ele é bem sutil. A autora descreveu muito bem a sociedade em que viveu, com pequenas críticas ao mostrar como agiam algumas pessoas daquela época através de seus personagens.

— Glória casará bem, com um homem que a ame e a respeite. Não faltava mais nada! Minha neta mal casada! Pobre... desprezada... precisando trabalhar para viver... que coisa horrível! 
— O que é horrível, mamãe, não é trabalhar; é não saber trabalhar!

Personagens esses que eu achei bem construídos, com qualidades, defeitos e mistérios. Mistérios que envolvem principalmente a Alice, porque não sabemos praticamente nada dela, só que os outros personagens vão descobrindo. O Argemiro não é do tipo de mocinho que a ficamos suspirando, mas é admirável.

Outros personagens que merecem destaque são a sogra do Argemiro, a baronesa, e o Padre Assunção. A baronesa é do tipo de personagem que pegamos ranço, porque que mulherzinha irritante! Ela é doente de tão apegada à memória da filha, que mesmo morta, ela age como se estivesse presente. O Padre Assunção acho que foi o personagem mais bem construído do livro, também com seus defeitos, qualidades e mistérios.

[...] Ela para mim não é uma mulher, mas uma alma. Não a vejo, não lhe toco, a sua imagem material é para mim tão indiferente como um pedaço de pau ou uma pedra. Para mim, basta-me a sua representação, neste aroma, peculiar dela e que paira sutilmente por toda a minha casa; nesta ordem, que me facilita a vida, e no gosto com que ela embeleza tudo em que toca e em que pousa a vista. É uma educada. Parece-me que ela deve ter estudado à sombra de castanheiros ingleses, entre campos de tulipas e jacintos tão diversa ela me parece ser das outras mulheres.

A escrita da Julia Lopes é muito boa, mas como é um clássico não dá para dizer que flui facilmente como um romance da atualidade, mas a leitura fluiu bem para mim.


O único ponto que não foi totalmente positivo, na minha opinião, foi o final, achei ele meio “corrido”, com a resolução de muitas coisas em pouco tempo e com algumas coisas que eu terminei de ler querendo saber mais. Mas nada que tire o brilho da obra em si.

Como é um clássico nacional, o e-book A Intrusa pode ser adquirido gratuitamente no Domínio Público e na Biblioteca Nacional, mas eu sinceramente indico que a leitura seja feita pela edição da Pedrazul, porque eles adaptaram algumas palavras (sem prejudicar o livro), tornando a leitura mais fácil e prazerosa. Além disso, realmente acho que se todo clássico nacional tivesse capas e edições assim, muitas pessoas parariam de ler clássicos “obrigadas”.


A Intrusa é um livro que veio mostrar a força de uma autora que sofreu certo preconceito no seu tempo e também mostrar que o amor surge das mais inesperadas formas, que nem sempre precisamos de mil palavras ou conhecer a aparência para alguém nos fazer bem, às vezes apenas sentir a presença e zelo é o suficiente.

Nunca a vi, mas a conheço, adivinhei-a; abstraí da personalidade. Ela é o meu conforto; a minha segurança, a minha felicidade.


Nota ::  4,5


Informações Técnicas do livro

A Intrusa
Ano: 2016
Páginas: 232
Editora: Pedrazul
Sinopse:
Um clássico nacional à moda europeia! A história de uma jovem governanta chamada Alice Galba.
Julia Lopes nos transporta para o fim do século XIX. O Rio de Janeiro vivia o auge da cultura cosmopolita, a Belle Époque, marcada por profundas transformações culturais que se traduziam em novos modos de pensar e de viver o cotidiano. Em meio à aristocracia carioca, um rico advogado – viúvo, mas ainda jovem e atraente – era perseguido por mães casamenteiras que desejavam ter um genro abastado e influente. Porém, ele se esquivava resoluto, pois prometera à esposa, no leito de morte, manter sua viuvez. O casamento com a filha de um barão resultou em um fruto: uma garotinha mimada e sem modos, criada pelos avós maternos, cuja avó baronesa fazia-lhe todas as vontades. Infeliz pela má educação da menina, ludibriado por um escravo que usava as suas roupas, fumava os seus charutos, bebia fartamente da adega e ainda inflacionava as contas da casa, ele decide contratar uma governanta. Desconsiderando todas as críticas feitas pelos amigos e pela sogra ciumenta, ele pede ajuda ao padre Assunção, seu amigo de infância, e publica um anúncio num jornal à procura de uma governanta. Atendendo ao anúncio, aparece Alice Galba, que aceita a estranha condição: que o patrão jamais a visse. Quando ele entrava pelo portão, ela se escondia. Dela ele apenas sentia o perfume e sua boa influência no lar e na educação da filha. Suas roupas agora estavam impecáveis, a mesa sempre bem posta e arranjada com esmero, a comida saborosa, os móveis reformados, de forma que começou a desejar ardentemente voltar para sua (agora agradável) moradia. Vez ou outra encontrava um livro aberto, esquecido sobre uma poltrona e, com o passar dos meses, passou a notar a doce presença da alma da moça pelos cômodos do casarão. Alma cujo rosto ele já ansiava ver!

Editora Pedrazul atualmente é a editora que mais se dedica à tradução e à publicação de obras mundialmente consagradas, algumas ainda desconhecidas no mercado editorial brasileiro, como os autores que influenciaram o estilo da mais famosa escritora inglesa de todos os tempos, Jane Austen. Também atua no segmento romance histórico e de época escritos por autores contemporâneos.


29 outubro, 2018

Resenha :: Em Nossa Próxima Vida (The Next Together)

outubro 29, 2018 7 Comentários

Quantas vezes você pode perder a pessoa que mais ama?

Olá, faroleiros! Tudo bem com vocês? Fiz uma leitura recentemente e quero compartilhar com vocês um pouco dela. O livro é Em Nossa Próxima Vida, da Lauren James. Esse livro foi publicado no Brasil pela editora HarperCollins e marca a estreia da autora.

Um casal na Inglaterra em 1745, em 1854, em 2019 e 2039. Além do fato deles terem os mesmos nomes, o que mais poderiam ter em comum? Katherine e Matthew nascem, se apaixonam e morrem de maneira trágica, salvando o mundo de acontecimentos catastróficos. Em cada uma dessas vidas, eles têm que lidar com fatos peculiares que ameaçam o romance dos dois.

Em 1745, Katherine é uma jovem de família rica e Mathew um simples cocheiro. Nessa época a Inglaterra está em guerra com a Escócia. Quando os dois se conhecem, o comportamento de Matthew leva Katherine de 1745 a suspeitar que ele é um informante escocês infiltrado na sociedade inglesa.

O cocheiro desceu e contornou a carruagem para ajuda-la a sair. Deu um sorriso gentil enquanto Katherine segurou firme na mão que ele oferecera para ela se equilibrar. Sentiu que relaxava em resposta ao toque dele, e sua expressão se suavizou, embora não tenha conseguido sorrir. Não sorria de verdade fazia algumas semanas.

Em 1854, Katherine vivia sob o nome de Christopher Russel (isso mesmo ela se disfarçava de garoto!) enquanto Matthew é um jornalista prestes a ir à guerra, necessitando de um assistente para acompanha-lo nessa perigosa empreitada.

— Enfim. O homem colocou um anúncio no jornal. Está em busca de um assistente. Um jovem criado que saiba ler e escrever. Eu gostaria que você se candidatasse para tal posição para se certificar de que ele não se meta em nenhuma confusão ou que revele qualquer segredo militar para ser publicado em uma porcaria de jornal de circulação nacional.

Em 2019, já conhecemos os dois como um casal e funcionários do laboratório Central Science. Porém essa parte da história só é contada através de artigos de jornal, bilhetes entre o casal, e-mails e mensagens de celular.

K, Vou dar uma saída para comprar o almoço. Se você tocar nas minhas culturas de bactérias novamente, não vai comer mais nenhuma panqueca por pelo menos um mês e desta vez estou falando sério. Não teve graça na primeira vez e não está ficando nenhum pouco mais engraçado, apesar do que você possa pensar. Chega de esconder meus experimentos. Amo você, Matt

E, no tempo atual do livro, 2039, Kate e Matt são estudantes de Biologia e tem uma ligação parental com a Katherine e Matthew de 2019. Descobrem isso no instante que se veem, pois são idênticos ao casal de 2019 e começam a fuçar a trágica história deles.

Quando sua mão tocara na de Matthew mais cedo naquele dia, podia jurar que alguma coisa... Que acontecera alguma coisa. Piscou tentando se lembrar exatamente o que tinha acontecido. Sentira-se estranha, como se tivesse acabado de se lembrar do sonho da noite anterior do qual tinha se esquecido completamente.


Vamos por partes. O livro tem uma proposta muito interessante. A história é narrada por capítulos intercalados das vidas repetidas. Cada uma com sua peculiaridade. Menos a do ano de 2019 que é interligada, diretamente, com a história de 2039. Os personagens têm personalidades distintas, mas quem ganha destaque em todas as épocas é a Katherine. Ela é destemida, determinada e muito sagaz em qualquer dos cenários.

Conforme as histórias vão caminhando, a autora Lauren James utilizou recursos visuais como fotos, notas e matérias de jornais para que nós mergulhássemos na trama e nos conectássemos a Inglaterra de 1745 e 1854. E ainda pôde utilizar a internet e o celular para contar as histórias de 2019 e 2039.

Até então a leitura foi muito empolgante. Lemos as primeiras páginas ávidas por conhecer mais dos personagens e da época em que eles vivem. Porém, no decorrer da trama, o desenvolvimento se tornou lento e cansativo. Este fato pode ser porque a autora teve que desenvolver, simultaneamente, a história de todas as épocas já que elas são interligadas. Existem tramas envolvidas em todos os cenários e os personagens estão diretamente ligados a elas.

Há também um personagem oculto nas cenas, um observador. Ele acompanha Katherine e Matthew ao longo dos anos e tenta interferir no destino, caso perceba que algum problema coloca em risco o relacionamento dos dois (como realmente acontece e vocês verão). Isso para mim ficou vago no livro, a autora poderia ter explorado um pouco mais no final quem é o tal observador. Além de nos frustrar todas as vezes que esse observador solicita intervenção e ela é negada.

Possa ser que eu não tenha capitado a essência da história, que é aquilo que o autora quer transmitir com o livro. Mas eu terminei Em Nossa Próxima Vida com a sensação de que perdi alguma cena importante. Como se o livro não estivesse completo no final. Após o término da leitura, pesquisei na internet pela continuação e descobri que a Lauren escreveu The Last Beginning (ainda não lançado no Brasil). Esse livro contará a razão de tudo o que aconteceu com Matthey e Katherine.

Portanto, para elucidar todas as minhas dúvidas, aguardarei ansiosa pela continuação. No mais, como eu disse anteriormente, a proposta do livro é interessante e inovadora. Vale a pena a leitura, pois as experiências são diferentes para cada leitor. Espero ouvir de outros leitores suas impressões sobre a história. Até a próxima, pessoal!

Eu amo você. Em todas as vidas. Eu amo você. Eu amo muito você.


Nota ::  3,5 

Informações Técnicas do livro

Em Nossa Próxima Vida
Ano: 2016
Páginas: 288
Sinopse:
Katherine e Matthew não são um casal comum. Por trás do amor dos dois estão muitas e muitas vidas, repetidas século após século. A cada vez que renascem, a presença deles muda a história para melhor, e embora a paixão entre os dois seja sempre avassaladora, a tragédia também os segue, não importa a época.
Em linhas temporais que vão do século XVIII a um futuro próximo, não tão diferente do nosso presente, Katherine e Matthew sempre se veem sacrificando suas vidas para salvar o mundo. Mas por que eles continuam voltando? Em uma jornada contra o tempo e o destino, Katherine e Matthew precisam desvendar os mistérios que envolvem seu amor antes que seja tarde demais. O que mais eles devem fazer para conseguir viver e amar em paz?
Uma estreia inesquecível, poderosa e épica, Em nossa próxima vida é um romance único, que explora a atemporalidade do primeiro amor utilizando elementos como cartas, diários, recortes de jornal e artigos de internet. A trama, ao mesmo tempo apaixonante e misteriosa, vai cativar os mais diferentes leitores, desde os de romance até os de ficção científica e história.

27 outubro, 2018

Resenha :: Ao Pôr do Sol (Come Sundown)

outubro 27, 2018 0 Comentários

Olá faroleiros, hoje vou postar aqui uma resenha especial. Eu possuo um blog de romances chamado Pretenses, é praticamente um blog fã da autora Nora Roberts, porém, como eu amo romances no geral e existe tantas autoras maravilhosas deste gênero, há resenhas de outras autoras também, mas focado em romances internacionais. Sendo assim, os outros livros que amo ler e faço resenha, posto aqui no Clube para compartilhar com vocês. E fazer parte deste clube é uma alegria enorme e uma honra.

Então, reposto esta resenha aqui em uma homenagem minha ao Pretenses, blog meu e da minha irmã, @efinco, que completou, agora em outubro, 2 anos de existência e te convido a fazer uma visitinha ao Pretenses e conhecer um pouco mais dele e da diva Nora. Se você já o conhece e nos curte, agradeço por seu carinho conosco lá também.

O que falar de uma história tão fantástica, sem dar spoiler é o meu desafio nesta resenha. Por isso vou abordar um pouco mais do enredo em torno da sinopse e falar as minhas impressões sobre este livro, que, assim como os últimos lançamentos da Bertrand, veio cheio de suspense, drama e mistério na medida certa para deixar nosso coração apertado de expectativa. Ao Pôr do Sol é simplesmente maravilhoso!!!

Abordando uma família rancheira tradicional de Montana, essa história retrata situações familiares vividas através de quatro gerações e as consequências que todos tiveram que conviver com as decisões individuais ou em conjunto que foram tomadas, tanto para o bem, como para o mal. Podemos ver vários pontos típicos e tradicionais na escrita da Nora e assim, ao mesmo tempo em que temos uma sensação de familiaridade, nos deparamos com algo totalmente novo.

O livro segue o padrão que a Nora tem nos volumes únicos de ser dividido em partes que nos norteia para onde a trama da história está seguindo. Este livro tem quatro partes, sendo que nas duas primeiras temos uma intercalação nos capítulos entre o passado e os dias atuais, até a união dos fatos na terceira parte.

A Nora como sempre nos traz uma história com mulheres fortes e o enredo gira basicamente em torno da Alice Bodine, a filha que fugiu de casa no passado e que ninguém descobriu que rumo tomou, e Bodine Longbow, gerente do Resort da família e a única filha da irmã mais velha de Alice, Maureen, que também teve mais dois filhos, Chase que toma conta do rancho com o pai e Rory que trabalha com Bodine cuidando do marketing do Resort. Completando a trama temos a bisavó e avó de Bodine, Frany e CoraJéssica que é a gerente de eventos que veio do norte e Callen, o melhor amigo de Chase, que após muitos anos longe, voltou para o lar e aceitou o trabalho no rancho para treinar e cuidar dos cavalos.

Os sentimentos e enredo da trama do livro focam nos relacionamentos de uma forma geral, familiar, romântico, de amizade, de trabalho, de comunidade. Mostra como o respeito e amor entre familiares, amigos, colegas de trabalho são fundamentais para vivermos bem entre e como o perdão pode tornar muito mais fácil suportar e ultrapassar as dificuldades em qualquer situação. O amor é a chave em qualquer momento de felicidade. A história também nos traz como uma pessoa com a mente perturbada, em busca de ter algo neste sentido, pode cometer atos terríveis, sem ter consciência do quão errado é.

A trama que já começa bem forte, volta a mexer com a união da família quando um crime brutal acontece atingindo a eles como empresa e como parte da comunidade local. Eles sabem que precisam se unir para que nada mais os atinja, para continuarem a seguir em frente como sempre fizeram, porém ações tomadas pelo ciúme e a inveja trazem consequências graves e vai afetá-los diretamente.

Mas o romance não pode faltar né?! E o livro nos traz vários momentos fofos, engraçados e picantes, vividos pelos personagens principais. Traz aquele fato básico de que a amizade de infância pode ser um grande amor na vida adulta e que os opostos se atraem bem como os iguais. Ou seja, o livro tem tudo o que é necessário para a trama ser fantástica e ser impossível de largar antes de chegar ao final.

Pôr do Sol murmurou Alice. Seu nome é Pôr do Sol. Gosto de assistir ao sol se pondo. O céu fica bonito. Como mágica. Gosto de cavalos.

Quero confessar que sou muito ansiosa neste tipo de trama, e por mais certeza que tinha do final espetacular que a Nora faria, acabei por pedir a minha mãe uns spoilers, mas não necessariamente o final do livro, foi brutal a realidade da maldade que uma mente psicótica pode cometer, retratada nesta trama, e precisei de uma válvula de escape, ou seja, saber alguns fatos antes de lê-los.

Um livro nota máxima, 5 estrelas sem dúvida, com total recomendação para leitura e, como diz a minha mãe, 460 páginas foram poucas para uma história tão espetacular.

Boa leitura,

Carol Finco


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

Ao Pôr do Sol
Ano: 2018
Páginas: 462
Editora: Bertrand Brasil
Sinopse:
O mais novo livro da grande dama do romance e do suspense 

O rancho Bodine é um negócio familiar, um lugar sossegado que acolhe turistas em busca de longas cavalgadas sob o ar fresco de Montana e casais que desejam celebrar seu casamento a céu aberto. Com pouco mais de trinta mil acres, ele é o lar de quatro gerações — e, nos bastidores, Bodine Longbow gerencia tudo com garra e paixão, contando com a ajuda da família, da equipe e de um novo funcionário, Callen Skinner.
Porém, o retorno de sua tia, há muito desaparecida — e a ameaça que segue em seu encalço — testarão os laços que prendem Bodine àquele lugar e àquelas pessoas, atirando-a num território sombrio que ela jamais poderia imaginar. 


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25 outubro, 2018

Resenha :: Jess (Conto de Estrelando o Amor)

outubro 25, 2018 1 Comentários

Oi, Faroleiros.

O romance erótico Jay me surpreendeu bastante por se passar em plena indústria pornográfica. Já leu a resenha? Não! Você pode clicar aqui para ler minhas impressões do primeiro livro da trilogia Estrelando o Amor.

Hoje, vou falar sobre Jess, um conto que a autora Karen Dorothy escreveu para narrar o que aconteceu com Jéssica antes dela se tornar Jess, uma das maiores estrelas do ramo de filmes pornô.

O conto é curto, tem apenas 98 páginas. Poderia até ter falado dele junto com Jay, mas esse conto trata de um assunto tão importante que merece uma resenha própria. Só tome cuidado com os spoilers sobre Jay.

No primeiro livro, a gente conhece Jess e Jay (que casal sexy!), além dos dramas que levaram Jéssica a fugir para Los Angeles e depois aceitar o convite de Gil para trabalhar em sua produtora. Karen Dorothy aproveita o conto para narrar em detalhes o passado dela, principalmente seu relacionamento com Brett.

Toda borboleta já foi um casulo.

Jéssica acabou de perder os pais e foi adotada pelos pais de Luke, seu melhor amigo. Mesmo assim ela não se sente completa. Nem podia! É acompanhada por um psicólogo e quando resolve voltar às aulas conhece Brett. Ele é apaixonado por ela. É compreensivo e nunca avança o sinal. Entretanto, demostra sinais de ser possessivo, mas ela releva achando que é excesso de zelo.

A história é narrada sob o ponto de vista de Jéssica, então a gente consegue saber quais são os seus pensamentos e seus sentimentos. Quando leio uma notícia sobre uma mulher que foi agredida pelo marido, sempre penso como ela deixou chegar àquele ponto. Karen Dorothy conseguiu responder minhas dúvidas com um texto leve, mas profundo ao mesmo tempo.

O número de violência contra as mulheres é imenso e histórias como essa servem de alerta. Na maioria dos casos, os sinais estão aparentes desde o início do relacionamento, por isso é preciso cortar o mal pela raiz.

Também foi legal saber como foi a conversa entre Jéssica e Luke sobre o novo trabalho dela. Uma coisa que sempre quis saber é como ele aceitou gravar as cenas de sexo com a melhor amiga. Bem engraçado!

Já estou lendo Take 2. Infelizmente o segundo livro da trilogia não trata mais de Jess e Jay, e sim de Camille e Tyler. Preparados para mais uma história recheada de sexo? Estou curioso para saber quais as histórias desses dois personagens. Tenho certeza que a autora vai complicar bastante o romance deles. Em breve volto para falar o que achei.

Com amor, André.


Nota :: 


Informações Técnicas do livro

Jess
O Passado por trás das cenas
Ano: 2018
Páginas: 98
Editora: Cappia
Sinopse:
O que leva uma pessoa a ingressar carreira na indústria pornográfica?
Prazer, adrenalina, luxúria... Ou uma válvula de escape para problemas ocultos?
Às vezes, quando a dor é muito grande, guardamos o sofrimento e vestimos máscaras diárias em nome da sobrevivência. Você já percorreu os bastidores da Scenes Of Pleasure e acompanhou o nascimento do amor entre Jess e Jayden, agora chegou o momento de descobrir os detalhes da vida pregressa da atriz e o que a levou a enveredar pelos caminhos do estrelato pornô.

Adquira o e-book de Jess na Amazon, clicando aqui!


_____Sobre a Autora_____

Karen Dorothy


Nascida e criada em Franca, interior de São Paulo, Karen Dorothy é mãe e apaixonada por livros, quando não está mergulhada no mundo da leitura ou escrita, podem encontrá-la reprisando alguns episódios da série Bones (Vício total). Encontrou na escrita uma forma de sonhar acordada, fazendo muitos sonhos transformarem-se em realidade através das pontas dos dedos.

23 outubro, 2018

Primeiras Impressões :: Jane Eyre

outubro 23, 2018 0 Comentários

Olá Faroleiros, tudo bom?

Este ano o blog Clube do Farol resolveu promover diversas leituras coletivas e revisitar os clássicos, uma vez que ainda há muita resistência em lê-los e se encantar. Nas redes sociais as leituras são avisadas com antecedência e o cronograma é divulgado, portanto, caso queira companhia para ler, não deixe de seguir!

Jane Eyre de Charlotte Brontë é um dos clássicos da literatura inglesa, foi publicado originalmente em 1847 e já inspirou adaptações cinematográficas e também televisivas. Após ter conhecido a escrita de Jane Austen neste ano, resolvi me aventurar e conhecer a escrita das irmãs Brontë, começando por Charlotte.

… eu me lembrava de que o mundo real era vasto, e que uma quantidade enorme de esperanças e medos, de sensações e emoções, estava à espera daqueles que ousassem sair por ele afora, buscando, em meio a seus perigos, o verdadeiro conhecimento do que é a vida.

Jane Eyre nada mais é do que a autobiografia da personagem fictícia de mesmo nome, órfã de pai e mãe, a menina vai viver na casa de sua tia — que para sua infelicidade — a detesta e faz com que ela se sinta a criatura mais desprezada da face da Terra, a pequena senhorita Eyre tem como uma de suas alegrias da vida uma simples boneca. Alguns anos se passaram nessa situação deplorável, até que Jane é enviada a instituição de caridade Lowood, onde receberá sua educação e moldará ainda mais seu caráter, conhecerá sua amiga Helena Burns, e passará os próximos anos.

Todas as tiranias violentas de John Reed, toda a indiferença orgulhosa de suas irmãs, toda a aversão da mãe, toda a parcialidade dos empregados, tudo isso revirava em minha mente como água suja revolvida no fundo de um poço. Por que eu estava sempre sofrendo, sempre apanhando, sempre sendo acusada e eternamente condenada?

Jane é dona de um espírito forte, uma teimosia e uma certa petulância, que não contribuíram em nada no meu primeiro contato com a obra, além da escrita um tanto quanto melancólica, que tornou tudo muito enfadonho no início. Confesso que por diversas vezes pensei em abandonar a leitura e partir para a próxima, mas não o fiz porque a Danii (@livrosemelodias) havia me garantido que a obra iria melhorar e muito! E de fato, as coisas começam a mudar os ares quando Jane parte em direção a Thornfield para tornar-se a preceptora de Adèle, que dá uma nova vida a obra com seu sotaque e exuberância francesa, e o Senhor Rochester passa a figurar na obra – adicionando certo mistério, pois é um personagem bem enigmático, além de ser um tanto quanto excêntrico.

— Não creio, senhor, que tenha o direito de mandar em mim, apenas por ser mais velho ou por ter visto melhor o mundo do que eu. O direito à superioridade vai depender do uso que o senhor fez de seu tempo e experiência.

Estou lendo a obra em formato digital, na edição disponibilizada pela editora BestBolso no Kindle Unlimited da Amazon. A diagramação para e-book está ótima, assim como a tradução feita pela Heloisa Seixas.

Caso queira conferir as primeiras impressões de nossa faroleira Elisabete Finco, que está lendo na edição impressa da editora Nova Fronteira, basta clicar aqui.

Você também pode conferir as resenhas de algumas de nossas leituras coletivas anteriores, clicando nos links:



Um abraço e até a próxima!


Informações Técnicas do livro

Jane Eyre
Ano: 2011
Páginas: 528
Editora: BestBolso
Sinopse:
Romance clássico ambientado na sociedade inglesa do século XIX

Jane Eyre, órfã de pai e mãe, vive com parentes que a desprezam até ser enviada para a instituição de caridade Lowood. Apesar das inúmeras privações que enfrenta na escola, a menina leva uma vida quase feliz e se torna forte e independente. Aos 18 anos, decide partir para Thornfield e trabalhar como preceptora de Adèle, pupila do irônico e arrogante Edward Rochester. Jane Eyre narra, além de uma comovente história de amor, a saga de uma jovem em busca de uma vida mais rica do que a sociedade inglesa do século XIX tradicionalmente permitia às mulheres. Publicado originalmente em 1847, o primeiro romance de Charlotte Brontë inspirou adaptações para o cinema e a televisão.
Esta tradução de Heloisa Seixas é exclusividade da BestBolso.