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06 fevereiro, 2022

27 setembro, 2022

Resenha :: Matilda

setembro 27, 2022 0 Comentários



Oi, serzinho! Desde novinha sou apaixonada pelo filme Matilda, até já perdi as contas de quantas vezes assisti, mas por muito tempo eu não sabia da existência do livro, quando soube obviamente que quis ler, acabei enrolando e deixando para depois, perdida em uma lista de leitura que deve que ter um milhão de outros livros. Porém, quando a Galera Junior publicou a edição especial de Matilda, com uma das capas mais lindas que se tem notícia, parei de enrolar e precisei ler essa preciosidade, que tem uma pequena leitora encantadora.

27 novembro, 2024

Resenha :: A Srta. Butterworth e o Barão Louco (Miss Butterworth and The Mad Baron)

novembro 27, 2024 0 Comentários


Oi, pessoal, descobri que não sou muito boa para resenhar histórias em quadrinhos, apesar de amar ler desde pequena revistinhas em quadrinhos e livros com ilustrações, é difícil para mim escrever sobre o conteúdo, já que acredito que uma resenha para blog deve conter uma certa quantidade de palavras, por isso, peço desculpas desde já, espero conseguir expressar o quanto este livro é especial, mesmo em poucas palavras.

03 junho, 2020

Resenha :: O Mundo de Lore - Criaturas Estranhas

junho 03, 2020 0 Comentários

Olá, pessoa, o livro de hoje foi originado do premiado podcast Lore, cujos episódios se inspiram nas famosas creepypasta dignas de pesadelos. Para quem não sabe, “Creepypasta é um termo criado para definir as histórias de terror ou lendas urbanas que são divulgadas através da internet em fóruns e demais redes sociais de modo “viral”, espalhando-se rapidamente no universo online”.


A narrativa segue a linha de documentário, que o podcast geralmente tem, e mantém o “diálogo” do autor com o leitor. Isso mesmo, durante as histórias que o autor vai narrar, você vai encontrar algumas indagações, divagações e, claro, um humor repleto de ironia.

A leitura é agradavelmente fluida e a cada bloco temos uma temática sendo tratada. Conhecer alguns autores e clássicos deixa a leitura ainda mais interessante, em especial para quem leu Bram Stoker, Stephen King, Wilkie Collins, dentre outros. E também tem muita história e folclore. Acho bem legal que, invariavelmente, a leitura fez com que eu me lembrasse das nossas histórias de lendas urbanas. Cada tema tem sua história contada através de acontecimentos que tiveram registro público, seja oficial ou por meio da impressa ou ainda documentos pessoais como cartas e diários. Então você é colocado o tempo todo a se manter atento para a frase que abre o livro.

Não acredite em nada do que ouve, e só acredite em metade do que vê. – Edgar Allan Poe

Durante a leitura, fiquei fascinada em como algumas histórias acabaram se entrelaçando de forma tão única com livros hoje clássicos da literatura, como Drácula e A Pobre Senhorita Finch. Outro ponto que achei fascinante é que, mesmo antes da sugestão do autor, eu já havia ido a internet fazer algumas pesquisas sobre temas abordados.


Quem viveu os anos 90 vai se deliciar com as lembranças dos discos da Xuxa tocados ao contrário, da queima do fofão, da loira do banheiro e mais e mais lembranças que se avolumam na memória, enquanto lemos sobre a origem, muitas vezes simultâneas, de um mesmo fato estranho em vários locais.

Mas algo novo havia nascido. Algo mais poderoso que um monstro, algo que vive séculos e se espalha como fogo. – Uma lenda

No mundo do sobrenatural se faz muito comum procurar por explicações, que hoje são simples, para explicar fatos que naquela época seriam tão inexplicáveis, porém também é preciso deixar claro que muita coisa continua, e talvez por muito tempo seja assim, sem nenhuma explicação dentro da lógica pura e empírica.

Advirto que se você é do tipo de leitor que ama ler referências encontradas em um livro, esse é um prato cheio para você dentro da própria editora (o que não deve ser nenhuma coincidência), mas também torna tudo ainda mais fascinante, acessível e terrivelmente tentador.

Você ainda pode visitar e ver Annabelle com seus próprios olhos, se quiser. Mas tenha cuidado. A placa na caixa de vidro tem uma mensagem simples, mas forte: “Aviso: Não abra”.


Como de praxe a editora traz o acabamento gráfico de primeira e que é característico da editora. Capa dura, fitilho e laterais na cor vermelha, capa e lindas ilustrações internas criadas por M.S. Corley. O ponto negativo fica por conta de  algumas falhas de revisão que percebi durante a leitura, e que espero que sejam corrigidas em tiragens futuras.


Nota ::  4,5


Informações Técnicas do livro

O Mundo de Lore - Criaturas Estranhas
Ano: 2019
Páginas: 256
Editora: DarkSide Books
Sinopse:
Elas vivem nas sombras, ocultas nas trevas da noite, habitando os cantos mais obscuros de nossas mentes. Conhecemos algumas delas através de superstições, fábulas e lendas urbanas. Ou, quem sabe, por meio de contos sinistros sussurrados de geração para geração. Elas. As criaturas estranhas.
Acomode-se ao redor da fogueira e tente não temer os vultos sinistros na escuridão. A DarkSide® Books vai contar uma história para você. Uma não, várias. Uma mais aterrorizante do que a outra. E todas elas podem ser encontradas nas páginas de O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas.
Originado do premiado podcast Lore — cujos episódios se inspiram nas famosas creepypasta dignas de pesadelos —, o livro de Aaron Mahnke encontrou seu verdadeiro lar na editora mais tenebrosa do Brasil.
Imagine que anos atrás havia um especialista em vampiros alugando seus serviços a quem precisasse. Ou que zumbis realmente existem. Ou ainda que há áreas na Islândia que não devem ser visitadas para proteção do mágico povo escondido.
Compartilhando detalhes fascinantes sobre monstros assustadores e bizarros, O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas explora o encanto que nós, humanos, temos por saber o que já houve de fantástico neste mundo em que vivemos. Seja um vilarejo europeu onde gremlins tocam o terror ou uma casa nos Estados Unidos assombrada por um boneco chamado Robert.
As belíssimas ilustrações de M.S. Corley aumentam ainda mais o ar de encantamento que percorre todo o texto. E o “mundo” do título vem bem a calhar: além do podcast de sucesso que contabiliza mais de 180 milhões de reproduções e do livro de arrepiar, o projeto foi transformado em série pela Amazon Prime Video, e já conta com duas temporadas disponíveis em português no Brasil.
A verdade realmente pode ser mais apavorante do que a ficção. Mas quem tem um coração dark batendo no peito gosta — e inclusive pede mais.

26 dezembro, 2023

Lendo :: O conde de Monte Cristo

dezembro 26, 2023 0 Comentários

62º Leitura do Farol

A fantástica edição comentada de O conde de Monte Cristo agora em volume único! O conde de Monte Cristo é um clássico da literatura mundial, uma história emocionante e cheia de ação e vingança, que vem fascinando leitores há quase dois séculos.

Físico: https://amzn.to/4aKs2YZ
e-book: https://amzn.to/3vozcSC

Alexandre Dumas prende o leitor numa trama de tirar o fôlego – traições, denúncias anônimas, tesouros fabulosos, envenenamentos – e apresenta uma galeria de personagens que retrata o espectro social de um mundo em transformação.

"Sempre tive mais medo de uma pena, de um tinteiro e de uma folha de papel que de uma espada ou uma pistola."

 

30 outubro, 2021

23 outubro, 2018

Primeiras Impressões :: Jane Eyre

outubro 23, 2018 0 Comentários

Olá Faroleiros, tudo bom?

Este ano o blog Clube do Farol resolveu promover diversas leituras coletivas e revisitar os clássicos, uma vez que ainda há muita resistência em lê-los e se encantar. Nas redes sociais as leituras são avisadas com antecedência e o cronograma é divulgado, portanto, caso queira companhia para ler, não deixe de seguir!

Jane Eyre de Charlotte Brontë é um dos clássicos da literatura inglesa, foi publicado originalmente em 1847 e já inspirou adaptações cinematográficas e também televisivas. Após ter conhecido a escrita de Jane Austen neste ano, resolvi me aventurar e conhecer a escrita das irmãs Brontë, começando por Charlotte.

… eu me lembrava de que o mundo real era vasto, e que uma quantidade enorme de esperanças e medos, de sensações e emoções, estava à espera daqueles que ousassem sair por ele afora, buscando, em meio a seus perigos, o verdadeiro conhecimento do que é a vida.

Jane Eyre nada mais é do que a autobiografia da personagem fictícia de mesmo nome, órfã de pai e mãe, a menina vai viver na casa de sua tia — que para sua infelicidade — a detesta e faz com que ela se sinta a criatura mais desprezada da face da Terra, a pequena senhorita Eyre tem como uma de suas alegrias da vida uma simples boneca. Alguns anos se passaram nessa situação deplorável, até que Jane é enviada a instituição de caridade Lowood, onde receberá sua educação e moldará ainda mais seu caráter, conhecerá sua amiga Helena Burns, e passará os próximos anos.

Todas as tiranias violentas de John Reed, toda a indiferença orgulhosa de suas irmãs, toda a aversão da mãe, toda a parcialidade dos empregados, tudo isso revirava em minha mente como água suja revolvida no fundo de um poço. Por que eu estava sempre sofrendo, sempre apanhando, sempre sendo acusada e eternamente condenada?

Jane é dona de um espírito forte, uma teimosia e uma certa petulância, que não contribuíram em nada no meu primeiro contato com a obra, além da escrita um tanto quanto melancólica, que tornou tudo muito enfadonho no início. Confesso que por diversas vezes pensei em abandonar a leitura e partir para a próxima, mas não o fiz porque a Danii (@livrosemelodias) havia me garantido que a obra iria melhorar e muito! E de fato, as coisas começam a mudar os ares quando Jane parte em direção a Thornfield para tornar-se a preceptora de Adèle, que dá uma nova vida a obra com seu sotaque e exuberância francesa, e o Senhor Rochester passa a figurar na obra – adicionando certo mistério, pois é um personagem bem enigmático, além de ser um tanto quanto excêntrico.

— Não creio, senhor, que tenha o direito de mandar em mim, apenas por ser mais velho ou por ter visto melhor o mundo do que eu. O direito à superioridade vai depender do uso que o senhor fez de seu tempo e experiência.

Estou lendo a obra em formato digital, na edição disponibilizada pela editora BestBolso no Kindle Unlimited da Amazon. A diagramação para e-book está ótima, assim como a tradução feita pela Heloisa Seixas.

Caso queira conferir as primeiras impressões de nossa faroleira Elisabete Finco, que está lendo na edição impressa da editora Nova Fronteira, basta clicar aqui.

Você também pode conferir as resenhas de algumas de nossas leituras coletivas anteriores, clicando nos links:



Um abraço e até a próxima!


Informações Técnicas do livro

Jane Eyre
Ano: 2011
Páginas: 528
Editora: BestBolso
Sinopse:
Romance clássico ambientado na sociedade inglesa do século XIX

Jane Eyre, órfã de pai e mãe, vive com parentes que a desprezam até ser enviada para a instituição de caridade Lowood. Apesar das inúmeras privações que enfrenta na escola, a menina leva uma vida quase feliz e se torna forte e independente. Aos 18 anos, decide partir para Thornfield e trabalhar como preceptora de Adèle, pupila do irônico e arrogante Edward Rochester. Jane Eyre narra, além de uma comovente história de amor, a saga de uma jovem em busca de uma vida mais rica do que a sociedade inglesa do século XIX tradicionalmente permitia às mulheres. Publicado originalmente em 1847, o primeiro romance de Charlotte Brontë inspirou adaptações para o cinema e a televisão.
Esta tradução de Heloisa Seixas é exclusividade da BestBolso.

29 maio, 2018

Resenha :: Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice)

maio 29, 2018 0 Comentários

Olá, tudo bom?

No começo deste ano estipulei algumas metas literárias, em sua maioria eram bem simples de serem cumpridas e entre elas: estava ler mais clássicos. Quando surgiu a oportunidade de realizar a leitura coletiva de Orgulho e Preconceito com o Clube do Farol, não pensei muito e embarquei. Essa também seria mais uma oportunidade de sair da zona de conforto, afinal, não costumo ler romances.

Jane Austen conquistou sua posição entre os clássicos justamente por ter uma mente à frente de seu tempo, por retratar tão bem a sociedade da época em que viveu e construir personagens marcantes – seja por sua coragem, perspicácia, audácia ou doçura.

Em Orgulho e Preconceito, um de seus livros mais aclamados, temos o pacato condado de Hertfordshire, onde vive a família Bennet – composta dos pais e de suas cinco filhas. A narrativa é feita em terceira pessoa, e uma de nossas protagonistas é Elizabeth Bennet – a segunda filha do casal –, conhecida como Lizzy por seus familiares e amigos mais próximos, ela é dona de uma personalidade bem forte, tendo opiniões um tanto quanto diferentes em relação aos padrões impostos pela sociedade da época – o sonho da grande maioria das mulheres era conseguir um bom casamento.

Logo no início do livro, os moradores de Hertfordshire estão em polvorosa porque o jovem cavalheiro Charles Bingley estará passando uma temporada na mansão de Netherfield, na companhia de suas irmãs e de seu amigo Fitzwilliam Darcy. O acontecimento causa todo esse alvoroço na região por conta das condições financeiras de ambos os cavalheiros, que eram considerados ricos para os padrões da época, e pela existência de várias moças solteiras em busca de um casamento.

"É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de esposa."

Charles Bingley é um homem jovem e sonhador, agradável e muito educado, já Darcy é um homem orgulhoso, reservado e observador – ou seja, o oposto de Bingley. O primeiro contato entre este e Elizabeth não foi dos melhores, o que acabou gerando uma péssima primeira impressão deste para ela.

Neste livro, podemos perceber o quanto as primeiras impressões que temos de alguém podem não corresponder em nada ao que as pessoas realmente são. Ao longo da narrativa, vamos conhecendo as diversas nuances que compõem os personagens, e podemos ter várias sensações acerca de cada uma delas – encantamento, amor, afeição, ódio, raiva, pena, compaixão, entre outros. Os diálogos são inteligentes, com questões pertinentes, além de sempre nos fazerem refletir – e claro, há trechos em que é impossível não rir da situação.

"A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos, a vaidade com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós."

Jane Austen criou uma gama de personagens bem construída, cada qual com sua personalidade e objetivos, e as conexões entre eles foram sendo mostradas pouco a pouco ao longo do livro, os acontecimentos se dão de forma gradual e não abrupta, mantendo um bom ritmo por todo o livro.

Essa foi minha primeira experiência lendo uma obra de Austen e, particularmente, gostei muito! Foi um desafio ler em um gênero que não estou nem um pouco habituada, e me surpreendi muito com a história, a narrativa e os personagens – principalmente com o senhor Darcy, que conquistou um lugarzinho no meu coração.

"Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente."

E vocês, já leram algum livro da Jane Austen? Como foi a sua experiência? Contem nos comentários!

Abraços e até a próxima!


Nota ::  4,5 



Informações Técnicas do livro

Orgulho e Preconceito
Ano: 2017
Páginas: 368
Editora: Nova Fronteira
Sinopse (Skoob):
Poucos romancistas conseguiram transmitir as sutilezas e nuances de seu próprio meio social com a inteligência e a perspicácia de Jane Austen. Em Orgulho e Preconceito, ela nos presenteia com personagens memoráveis, como a jovem Elizabeth Bennet, que se julga desprezada pelo rico e orgulhoso, Mr. Darcy, e começa a se interessar pelo militar Wickham. Nesta comédia de costumes, a escritora inglesa mostra os perigos do julgamento à primeira vista e evoca as amizades, fofocas e vaidades da classe média provinciana. Com mais de 20 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, Orgulho e Preconceito tornou-se um dos romances mais populares da literatura.


EXTRA:
11 lições que personagens das obras de Jane Austen nos ensinaram – PODE CONTER SPOILERS: https://www.altoastral.com.br/11-licoes-personagens-jane-austen-ensinaram/

12 setembro, 2022

31 outubro, 2018

Resenha :: A Intrusa

outubro 31, 2018 5 Comentários

Não sei você, mas quando eu estava no ensino médio, ao estudar literatura, a minha professora pedia para que lêssemos, a cada dois ou três meses (ou até menos), livros clássicos nacionais (ou até portugueses) do período literário que estivéssemos estudando no bimestre. E por isso conheci obras clássicas de diversos autores nacionais, como Machado de Assis, José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Aluísio Azevedo, Raul Pompeia, Álvares de Azevedo, Gonçalves Dias, Eça de Queirós... entre muitos outros.

Mas entre tantos livros e autores, foram pouquíssimas autoras. Se a minha memória não estiver me enganando, as únicas autoras nacionais que li algo, quando estudava literatura no ensino médio, foram Rachel de Queiroz, Cecília Meirelles e Clarice Lispector. E todas elas nasceram já no século XX. E as autoras do século XIX? Cadê? Pode não parecer, pensando só em autores “famosos”, mas elas existiam e mereciam mais destaque e não serem esquecidas. Uma das autoras nascidas no século XIX é a Julia Lopes de Almeida, autora do livro da resenha de hoje.
A romancista (contista, cronista e teatróloga) Julia Lopes de Almeida nasceu em 1862, no Rio de Janeiro, e desde muito nova tomou gosto pela escrita, porém, por causa das possibilidades limitadas da época, resolveu escrever escondido, mas o segredo não durou muito, e contrariando as expectativas, foi incentivada pelo pai que a inseriu no meio literário, começando a escrever em revistas e jornais, contando até com resenha de livro (só eu que acho que ela poderia ser uma bela blogueira?). Tempos depois disso, publicou contos, crônicas, peças de teatro e romances, ainda no século XIX e também no XX.

No final do século XIX, em 1897, a Julia, junto com o seu marido, Filinto de Almeida (com quem havia se casado aos 25 anos), fez parte das discussões iniciais que deram origem a Academia Brasileira de Letras. Sim! Ela fez parte do grupo que fundou a ABL! E, devido à sua contribuição e ao seu “peso literário” na época, o seu nome até constava na lista feita por Lúcio de Mendonça em “O Estado de S. Paulo”, seis meses antes da fundação da Academia, em que contava com os quarenta nomes que pareciam merecer serem reconhecidos como fundadores da ABL. Maaaaaas, mesmo sendo conhecida como a maior escritora do seu tempo, foi excluída simplesmente por ser mulher, com a sua “vaga” ficando para o seu marido, Filinpo.

E assim seu nome foi apagado da história de algo tão marcante, junto com outras escritoras importantes, pois só admitiram mulheres, em 1977, quando a Rachel de Queiroz foi eleita para uma cadeira. É meio triste e decepcionante, né?! Alguém ser “excluído” de algo em que colaborou desde o princípio, simplesmente por causa do sexo.

Júlia é uma autora magnífica. Não é nenhum favor resgatá-la. Ela é um caso absurdo de escritora que não está no cânone literário por puro machismo. Ela é muito superior à grande maioria dos autores de sua época. Os únicos que se equipararam naquele momento são Aluísio Azevedo e Lima Barreto. (Escritor Luiz Ruffato)

Bom, agora temos que parar de falar dessa autora fascinante (vou deixar algumas dicas de artigos e publicações sobre ela no final da resenha, porque sim), e vamos, finalmente, à resenha de um de seus romances, A Intrusa, publicado em 2016 pela Pedrazul.


As asas do tempo têm forte envergadura; não cansam de voar, mas levam às vezes consigo penas que se não mudam, embora fiquem disfarçadas entre outras que vão nascendo...

Narrado em terceira pessoa, A Intrusa se passa no fim do século XIX, no Rio de Janeiro, em plena Belle Époque. Nele conhecemos o advogado Argemiro, que é viúvo há nove anos, e está querendo melhorar a ordem na sua casa, ou melhor dizendo, diminuir a desordem, e conseguir que a visita de sua filha de onze anos, Glória, que vive com os avós (por quem é mimada), seja possível, e pensando nessas questões decide contratar uma governanta, para colocar ordem na casa e educar e cuidar da sua filha.

Com a ajuda do seu amigo, Padre Assunção, escreve um anúncio em um jornal, mas só uma candidata se apresenta à vaga, a Alice Galba, que na “entrevista” aparece toda coberta e parece não ter boa aparência, mas nada disso é um problema, já que uma condição estranha do Argemiro para contratar a governanta é a de que ele nunca deve vê-la, pois no leito de morte, a sua esposa o fez prometer que nunca se casaria novamente, então prefere evitar a “tentação”.


A Alice aceita e melhora a vida dele 200%. Sua casa se tornou impecável, limpa, com tudo em ordem, com flores, perfumada... A sua filha Glória? Cada dia mais educada e bondosa. E ele realmente nunca vê a sua governanta, apenas sente a sua presença, e se encanta por ela cada vez mais.

E o que me delicia é sentir a alma dessa criatura, que aqui tenho debaixo do meu teto, sem que nunca os meus olhos a vejam nem de relance... Ela se esconde, ao mesmo tempo em que se espalha pela casa toda. É a mulher-violeta, positivamente, não há outra comparação!

Mas quase ninguém acredita que ele nunca a vê, pensam até que ela é sua amante! A sua sogra, uma baronesa, principalmente, no auge de seu ciúme, fica tão convicta que o Argemiro está quase quebrando a promessa que fez a sua filha, que começa a considerar a Alice uma grande inimiga, fazendo de tudo para tentar tirar a governanta da vida de seu genro e de sua neta.

Sujeita-se a exercer um lugar suspeito, aceitando todas as condições que lhe impõem e revela uma sensibilidade rara em todos os atos em que podemos a apreciar... Será ela na verdade a mulher perigosa, não pelo que calcula e inventa, mas pelo que merece?

Enquanto isso, a curiosidade e a admiração de Argemiro pela sua governanta aumenta cada dia mais, e aos pouquinhos um novo sentimento vai de desenvolvendo bem sutilmente. Conseguirá a sogra ciumenta o que tanto deseja? No que resultará esse novo sentimento e a admiração de Argemiro?


É extraordinário. Desde que esta mulher entrou em minha casa eu sou outro homem, muito mais tranquilo e muito mais feliz. Nunca a vejo, mas a sinto; sua alma de moça enche estas salas vazias de juventude e de alegria.

Se você ler esse livro esperando um “romance” que acontece do jeito que estamos acostumados, vai cair do cavalo, porque ele é bem sutil. A autora descreveu muito bem a sociedade em que viveu, com pequenas críticas ao mostrar como agiam algumas pessoas daquela época através de seus personagens.

— Glória casará bem, com um homem que a ame e a respeite. Não faltava mais nada! Minha neta mal casada! Pobre... desprezada... precisando trabalhar para viver... que coisa horrível! 
— O que é horrível, mamãe, não é trabalhar; é não saber trabalhar!

Personagens esses que eu achei bem construídos, com qualidades, defeitos e mistérios. Mistérios que envolvem principalmente a Alice, porque não sabemos praticamente nada dela, só que os outros personagens vão descobrindo. O Argemiro não é do tipo de mocinho que a ficamos suspirando, mas é admirável.

Outros personagens que merecem destaque são a sogra do Argemiro, a baronesa, e o Padre Assunção. A baronesa é do tipo de personagem que pegamos ranço, porque que mulherzinha irritante! Ela é doente de tão apegada à memória da filha, que mesmo morta, ela age como se estivesse presente. O Padre Assunção acho que foi o personagem mais bem construído do livro, também com seus defeitos, qualidades e mistérios.

[...] Ela para mim não é uma mulher, mas uma alma. Não a vejo, não lhe toco, a sua imagem material é para mim tão indiferente como um pedaço de pau ou uma pedra. Para mim, basta-me a sua representação, neste aroma, peculiar dela e que paira sutilmente por toda a minha casa; nesta ordem, que me facilita a vida, e no gosto com que ela embeleza tudo em que toca e em que pousa a vista. É uma educada. Parece-me que ela deve ter estudado à sombra de castanheiros ingleses, entre campos de tulipas e jacintos tão diversa ela me parece ser das outras mulheres.

A escrita da Julia Lopes é muito boa, mas como é um clássico não dá para dizer que flui facilmente como um romance da atualidade, mas a leitura fluiu bem para mim.


O único ponto que não foi totalmente positivo, na minha opinião, foi o final, achei ele meio “corrido”, com a resolução de muitas coisas em pouco tempo e com algumas coisas que eu terminei de ler querendo saber mais. Mas nada que tire o brilho da obra em si.

Como é um clássico nacional, o e-book A Intrusa pode ser adquirido gratuitamente no Domínio Público e na Biblioteca Nacional, mas eu sinceramente indico que a leitura seja feita pela edição da Pedrazul, porque eles adaptaram algumas palavras (sem prejudicar o livro), tornando a leitura mais fácil e prazerosa. Além disso, realmente acho que se todo clássico nacional tivesse capas e edições assim, muitas pessoas parariam de ler clássicos “obrigadas”.


A Intrusa é um livro que veio mostrar a força de uma autora que sofreu certo preconceito no seu tempo e também mostrar que o amor surge das mais inesperadas formas, que nem sempre precisamos de mil palavras ou conhecer a aparência para alguém nos fazer bem, às vezes apenas sentir a presença e zelo é o suficiente.

Nunca a vi, mas a conheço, adivinhei-a; abstraí da personalidade. Ela é o meu conforto; a minha segurança, a minha felicidade.


Nota ::  4,5


Informações Técnicas do livro

A Intrusa
Ano: 2016
Páginas: 232
Editora: Pedrazul
Sinopse:
Um clássico nacional à moda europeia! A história de uma jovem governanta chamada Alice Galba.
Julia Lopes nos transporta para o fim do século XIX. O Rio de Janeiro vivia o auge da cultura cosmopolita, a Belle Époque, marcada por profundas transformações culturais que se traduziam em novos modos de pensar e de viver o cotidiano. Em meio à aristocracia carioca, um rico advogado – viúvo, mas ainda jovem e atraente – era perseguido por mães casamenteiras que desejavam ter um genro abastado e influente. Porém, ele se esquivava resoluto, pois prometera à esposa, no leito de morte, manter sua viuvez. O casamento com a filha de um barão resultou em um fruto: uma garotinha mimada e sem modos, criada pelos avós maternos, cuja avó baronesa fazia-lhe todas as vontades. Infeliz pela má educação da menina, ludibriado por um escravo que usava as suas roupas, fumava os seus charutos, bebia fartamente da adega e ainda inflacionava as contas da casa, ele decide contratar uma governanta. Desconsiderando todas as críticas feitas pelos amigos e pela sogra ciumenta, ele pede ajuda ao padre Assunção, seu amigo de infância, e publica um anúncio num jornal à procura de uma governanta. Atendendo ao anúncio, aparece Alice Galba, que aceita a estranha condição: que o patrão jamais a visse. Quando ele entrava pelo portão, ela se escondia. Dela ele apenas sentia o perfume e sua boa influência no lar e na educação da filha. Suas roupas agora estavam impecáveis, a mesa sempre bem posta e arranjada com esmero, a comida saborosa, os móveis reformados, de forma que começou a desejar ardentemente voltar para sua (agora agradável) moradia. Vez ou outra encontrava um livro aberto, esquecido sobre uma poltrona e, com o passar dos meses, passou a notar a doce presença da alma da moça pelos cômodos do casarão. Alma cujo rosto ele já ansiava ver!

Editora Pedrazul atualmente é a editora que mais se dedica à tradução e à publicação de obras mundialmente consagradas, algumas ainda desconhecidas no mercado editorial brasileiro, como os autores que influenciaram o estilo da mais famosa escritora inglesa de todos os tempos, Jane Austen. Também atua no segmento romance histórico e de época escritos por autores contemporâneos.